O ano passado entrou para a história como o marco da “grande inversão”: os emplacamentos de motocicletas atingiram 2.197.308 unidades, superando, pela primeira vez, as vendas de automóveis de passeio, que fecharam em 1.996.531 licenciamentos.
Dados da Fenabrave confirmam que essa tendência persiste em 2026. No primeiro trimestre de 2026, enquanto carros somaram 472 mil unidades, o volume de motocicletas atingiu 571,6 mil unidades, consolidando o setor de duas rodas como o principal protagonista do mercado automotor nacional.
Essa expansão é estrutural e reflete a consolidação das fabricantes indianas e a nova “onda chinesa”. Bajaj e Royal Enfield abriram caminho com produtos de alto valor agregado e desafiam a hegemonia da Honda.
Agora, gigantes chineses avançam, muitas vezes operando marcas europeias tradicionais: a italiana Moto Morini foi adquirida pelo grupo Zhongneng, a SWM pela Shineray e a inglesa Royal Enfield pertence à indiana Eicher desde 1994. Até a Triumph firmou parceria com a indiana Bajaj para sua linha de 400 cm³.
Outro destaque técnico é o ressurgimento vigoroso das Trail on/off-road, que já detêm cerca de 15% a 20% de participação. Com crescimento anual de 18%, esses modelos, como a Sahara 300 e a SHI 175, são ideais para a geografia brasileira, oferecendo versatilidade tanto para o lazer quanto para o uso profissional.
A motocicleta deixou de ser uma alternativa para se tornar a protagonista definitivo da mobilidade brasileira.
CG

