Bem, para começar, preciso apresentar (para quem não o conheceu), o Bispão, que conviveu com a Imprensa automobilística até 2014?, quando faleceu. Era advogado, foi coronel da Polícia Militar do Paraná? e como jornalista atuou por 40 anos no jornal O Estado do Paraná, onde respondia pela editoria de Veículos.
Mas como o Bispão, assim era chamado pelos colegas, colocou o Fiat 147 na praça (antigamente o táxi era conhecido como “carro de praça”); Bem, acontece que, em Curitiba, PR, foi instituída uma lei exigindo que este tipo de serviço fosse feito apenas por automóveis e o certificado do 147 o classificava como “camioneta de uso misto”.
“Bispão” então, contratado pelo motorista V.O, conhecido na “praça” como “Turco”, entrou com uma ação na Justiça, obtendo do presidente do Contran a declaração que permitia o emplacamento do 147 como táxi. Dizia a declaração do Contran: “para efeito de exploração comercial do transporte individual de passageiros na categoria de aluguel — TAXI — o automóvel Fiat 147, praticamente não se difere do automóvel Volkswagen Sedã 1300/1500, o Fusca.
E prossegue a argumentação do Contran: como o automóvel Fiat 147 é em tudo semelhante ao Volkswagen 1300/1500, oferecendo o mesmo conforto e comodidade que aquele que satisfaz a lei municipal, automóvel de duas portas, inexiste razões na legislação de trânsito para excluí-lo da prestação de serviços de exploração comercial do transporte individual de passageiros – TÁXI”.
E assim, o Fiat 147 passou a atender os passageiros do serviço de táxi de Curitiba, a capital paranaense.
Ferido no “looping” do 147
Era um dia de agosto de 1974, acontecia uma festa em Curitiba pois Jota Cardoso, com a equipe dos Volantes Voadores, iria desafiar a gravidade fazendo um loopinf com o Fiat 147 no autódromo de Pinhais. A estrutura circular, construída em madeira, de 360°, tinha 15 metros de altura. Era chamado de “looping da morte” e atraiu milhares de pessoas ao autódromo de Curitiba.

Naquele dia, o único jornalista presente era o “Bispão”, que lá estava com o fotógrafo Catta Pretta. E o relato do jornalista/advogado foi mais ou menos assim: Após aquecer o motor do 147 dando voltas na pista do autódromo, o carro foi colocado na base da estrutura, acelerou para atingir a velocidade necessária para vencer a estrutura circular.
“Mas — continuou “Bispão” — aconteceu um imprevisto: a estrutura “trabalhou” um pouco e o carro, que já havia percorrido mais da metade da pista, “estolou,” batendo com a suspensão na parte baixa da estrutura e caiu aproximadamente 10 metros.
O jornalista foi atingido por alguns pedaços de madeira e conduzido ao PS próximo, com escoriações leves. O piloto da proeza, Ivan (não foi revelado seu sobrenome) lamentou o ato, classificando-o de “falta de sorte”. “Mas amanhã a gente repete e vai dar tudo certo.”
E deu tudo certo no dia seguinte, conforme relatou o repórter que deu o “furo”.
Na F-1
Mas a atuação do “Bispão”, como advogado, não ficou apenas nessa atuação junto à prefeitura de Curitiba. Por ocasião d?o Grande Prêmio Do Brasil de F-1, em São Paulo, o jornalista paranaense Antônio Carlos Silva teve negada sua credencial para ingressar no Autódromo José Carlos Pace, conhecido como Interlagos, para fazer a cobertura da corrida.
Antônio Carlos não lembra em que ano foi este acontecimento (muito menos eu). Mas lembra que o responsável pelo credenciamento era o jornalista Marco Antônio Lellis (não era meu parente).
E lá foi o advogado “Bispão” em socorro do colega jornalista. Entrou com recurso em Curitiba, mas a ação tinha que entrar por São Paulo, onde ocorreria o evento.
E, como no caso do 147, Antônio Cipriano Bispo também venceu e o jornalista paranaense conseguiu sua credencial, sob pena dos responsáveis pelo evento, o Marco Antônio Lellis, e o responsável pela prova no Brasil, Tamas Rohonyi, serem presos caso negassem o credenciamento.
Algumas particularidades do “Bispão”, uma cara de grande generosidade e que fazia questão de ajudar seus colegas com qualquer problema relacionado à Justiça. Seu inseparável amigo era outro jornalista, de Santa Catarina, Wilson Libório. Era?m inseparáveis.

Ambos pediam suas camisetas com bolsos, quando distribuídas pelas fábricas em seus lançamentos e tinham uma predileção especial por filés com fritas nas suas refeições.
CL
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