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Home DM

HISTÓRIA DA VW SAVEIRO: A PRIMEIRA FASE, QUADRADA

identicon por Douglas Mendonça
27/06/2026
em DM, Perfume de Carro
VW Saveiro 1983 - Foto: divulgação

VW Saveiro 1983 - Foto: divulgação



 

 



No início dos anos 1980 as fábricas apressavam-se para preparar pequenas picapes derivadas de carros de passeio. Naquela época veio a Ford Pampa (derivada do Corcel), o sucesso Fiat Pickup City (vinda do 147), a VW Saveiro, fruto direto da linha Gol e, depois, a Chevrolet Chevy 500 (parente do Chevette). Eram modelos destinados à pequenos empresários, frotistas e afins, para quem não queria uma picape média de carroceria sobre chassi. Mas nesse lote a VW Saveiro se destacava, justamente pelo perfil mais jovial e para o lazer. 

Saveiro: a origem do nome

Essa proposta, aliás, até ajuda a explicar seu nome de batismo: Saveiro, na realidade, é uma pequena embarcação que leva carga e pessoas, quase como uma jangada. Ou seja: assim como a embarcação, a picapinha da Volkswagen era apta ao trabalho e ao lazer. Seu lançamento ocorreu em setembro de 1982, há quase 44 anos, bem depois da Fiat Fiorino (1980), mas ainda antes da Chevy 500 (final de 1983).  

VW Saveiro, parente da Parati

VW Saveiro 1983 (Foto: divulgação)

Descobriram, na época, um belo de um filão no mercado automobilístico nacional: essas picapinhas compactas, mais urbanas, e com dotes de carros de passeio. Justamente assim era a VW Saveiro de 1982 (linha 1983): era, na realidade, uma parente da camioneta Parati (alguns a apelidavam de “Parati Cortada”), com quem compartilhava sistemas de direção, suspensões e freios, além do entre-eixoa de 2.358 mm. Aliás, eram componentes e medidas compartilhados com toda a linha Gol, aliás. 

VW Saveiro 1983 (Foto: divulgação)

De início, a escolha para o motor se deu pelo boxer 1600 arrefecido a ar com dupla carburação, emprestado do Brasília. A camioneta Parati e o sedã Voyage, na ocasião, já apostavam nos motores arrefecidos a água, mas no caso da Saveiro a VW pensava que o moto “a ar”, mais conhecido pelo mercado, teria maior aceitação. Era um motor muito ruidoso e que não fazia milagres com seus 54 cv na versão a gasolina, ou 51 cv a álcool. Números oficiais da época falavam em intermináveis 19,4 s na aceleração de 0 a 100 km/h, com velocidade máxima de142/134 km/h (G/(A). 

VW Saveiro 1983 (Foto: divulgação)

Se com o 1600 a ar a VW Saveiro 1983 não tinha no desempenho seu ponto forte, era lógico não haver a opção 1300 arrefecida a ar do Fol na sua linha. Ainda assim, não negava fogo quando o assunto era capacidade de carga, ótima para a época, 570 kg, ou mesmo o tamanho da caçamba (870 litros). Como soluções interessantes, trazia estepe atrás do banco do passageiro (liberando espaço no cofre do motor), e espaço atrás do banco do motorista capaz de acomodar até mesmo uma pequena mala de viagem. Mais uma vez, deixava clara sua proposta mista entre trabalho e lazer, algo reforçado pelo uso de suspensões num esquema de carros de passeio: McPherson na frente e eixo de torção atrás, como no Gol. 

Era oferecida, na época, com as mesmas versões do VW Gol: S e LS. Também compartilhava vários equipamentos de série do Gol, alguns até de conforto e comodidade, algo incomum em picapes.  Trazia assoalho acarpetado, relógio, ventilador elétrico, lavador do para-brisa, espelho nos para-sóis e protetor do vidro traseiro; rodas de ligade alumínio era eran opcionais.  

Linha 1985 com motor MD-270 e linha 1986 com  o AP-600

A primeira grande mudança vinha na linha 1985. Ali chegava um novo desenho, mais alinhado aos demais modelos da família Gol (faróis maiores, para-choques mais envolventes, interior atualizado, entre outros itens), além do importante motor arrefecido a água: era o 1,6 MD-270, nome comercial Torque, emprestado do Passat, com carburador de corpo duplo, 72/81 cv (G)/(A)  e desempenho bem mais vivo. Na ocasião, pela ficha técnica, já baixava o tempo de 0 a 100 km/h para menos de 13 segundos. Mantinha, porém, o câmbio de quatro marchas, como era no Gol. 

VW Saveiro 1985 (Foto: divulgação)

Passado quase um ano, graças a estreia da família de motores AP, e a busca da VW por uma motorização mais atual na sua linha, a Saveiro 1986 veio com o moderno AP-600. Era um 1,6-litro também, mas com diâmetro dos cilindros maior que o curso dos pistões (81 x 77,4 mm ante 79,5 x 80 mm) e cabeçote com novo comando de válvulas e estas maiores, motor mais girador, potente —  76/85 cv (G)/(A) — e suave do que o “velho” MD-270.

Na picapinha o câmbio continuava de quatro marchas  — a 5ª marcha veio alguns meses depois como marcha adicional e ao mesmo tempo complementar, tornando-o um câmbio “4+E”, de velocidade máxima atingível em 4ª marcha: as relações de marcha da 1ª à 4ª eram iguais nos dois câmbios, o mesmo valendo para a relação de diferencial.

Dali em diante, só festa: mesmo com a novíssima geração do Fiat Fiorino (agora derivada do Uno), e atualizações na Ford Pampa e Chevy 500, a VW Saveiro continuava como uma das picapinhas mais vendidas do mercado. Cada vez mais, graças a atualizações no interior (mais confortável e moderno, principalmente), e pacote de itens de série ampliado, ela era reconhecida pela robustez, confiabilidade e a boa e velha proposta mista: servia como ferramenta de trabalho de segunda a sexta, e aos finais de semana permitia uma viagem para a praia sem sofrimentos. 

VW Saveiro 1987 – Foto: divulgação

CHT e 1.8

Em 1987, nascia a Autolatina, a empresa holding cujo capital era 51% Volkswagen e 49%. Ford, O objetivo maior, obviamente, foi somar capacidade industrial, compartilhar plataformas, trens de força e aumentar o poder de negociação com fornecedores. Por isso, no final de 1989 a VW Saveiro passou a ter a curiosa opção do motor 1,6 CHT da Ford (e projeto Renault), batizado pela Volkswagen como AE-1600 (sigla de “Alta Economia”). Tinha 73/76 cv (G)/(A) e boa potêmcia já em rotações baixas, associado a um câmbio com cinco marchas, então servia como uma luva nas versões mais baratas da Saveiro (especialmente na CL), aquelas realmente destinadas ao trabalho. Nas mais caras, o AP-600, mais potente e moderno, seguia no catálogo, porèm renomeado AP-1600. 

VW Saveiro 1.8 1987 – Foto: divulgação

Nessa carroceria quadrada, de primeira geração, a VW Saveiro foi produzida, em sua grande maioria, com motores de 1,6 litro. Teve, em versões mais caras a partir da linha 1990, o 1,8-L AP-800 (agora AP-1800), mais potente e forte, com mais de 90 cv de potência. Esse mesmo motor, aliás, foi aplicado na memorável versão Sunset da picapinha, já no início dos anos 90, quando seu viés descolado, para lazer, ficou mais claro e evidente: ela tinha adesivos decorativos, saias laterais, rodas de liga de alumínio, interior com volante de quatro raios e, claro, o motor AP-1800 acoplado ao câmbio de cinco marchas. 

VW Saveiro Sunset 1.8 1992 – Foto: divulgação

VW Saveiro a diesel

Também nessa época, ao redor de 1987, houve o mito da VW Saveiro a diesel, vendida no mercado brasileiro com o mesmo motor da Kombi a diesel (um 1,6 de 50 cv). Há quem diga que esses raros exemplares eram apenas adaptações feitas por concessionários na época (inclusive em unidades 0-km), enquanto outra teoria aposta em carros destinados à exportação para países vizinhos que tiveram exemplares comercializados no mercado brasileiro através de liberação obtida pela própria VW junto ao governo da época.  

Fim de linha só em 1997

Vale falar que, ao longo desses anos, a VW Saveiro foi passando por atualizações visuais: em 1987 ganhou cara mais moderna (similar à do Gol GTI) e interior atualizado, e em 1991 recebeu a dianteira mais afinada e elegante, apelidada de “chinesa”, por conta dos faróis estreitos e integrados à dianteira. Na ocasião, ainda tinha para-choque mais fino, ganhando o mesmo do Gol (em plástico envolvente, embutido na frente) algum tempo depois. Esse, aliás, foi o design mantido na carroceria quadrada da VW Saveiro até sua saída de linha definitiva, em 1997. 

VW Saveiro 1996 – Foto: divulgação/Museu MIAU

Quando a VW Saveiro completou 15 anos de mercado, mais ou menos em setembro de 1997, veio a novíssima geração da picape: arredondada, derivada do VW Gol “bolinha”, e com novos parâmetros de dirigibilidade, conforto, silêncio e afins. Mas, a história dessa segunda fase, que durou até 2009, fica para a próxima coluna..

DM

A coluna “Perfume de carro” é de exclusiva responsabilidade do seu autor. 

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