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Home Matérias Avaliações

JEEP RENEGADE SAHARA MHEV: SEMI-HÍBRIDO SEM SURPRESAS NO USO

O SISTEMA DE 48 VOLTS MOSTRA GANHOS EM EFICIÊNCIA E EMISSÕES SEM ALTERAR A DIRIGIBILIDADE DO VEÍCULO

identicon por Gerson Borini
29/06/2026
em Avaliações, ELETROentusiastas, GB, Teste Eletroentusiastas, Testes
Fotos: autor

Fotos: autor



 

 



Quando a Jeep apresentou a  linha Renegade 2027, uma das principais novidades foi a adoção do sistema semi-híbrido de 48 volts nas versões Longitude e Sahara. Na ocasião, detalhamos as mudanças técnicas, o novo interior, exterior e a tecnologia embarcada do modelo.

Agora, após uma semana de uso em trajetos urbanos e rodoviários, foi possível avaliar aquilo que nenhuma ficha técnica consegue mostrar: como o novo sistema se comporta na prática.

Pequenas atualizações no para-choque traseiro

Eletrificação sem efeitos colaterais

Sempre que um fabricante adiciona algum grau de eletrificação a um veículo surge uma preocupação legítima: a dirigibilidade será afetada?

No caso do Renegade Sahara MHEV, a resposta é não.

A principal virtude do sistema desenvolvido pela Stellantis é justamente sua discrição. O conjunto formado pelo motor 1,3-litro turbo flex de 176 cv e 27,5 m·kgf continua apresentando o mesmo comportamento já conhecido do Renegade. As respostas ao acelerador permanecem naturais, as retomadas continuam vigorosas e não há qualquer sensação de artificialidade na entrega de potência.

 

O sistema elétrico trabalha nos bastidores, auxiliando o motor térmico sem interferir na dirigibilidade do veículo. O resultado é um automóvel que continua familiar para quem já conhece o Renegade, mas agora com ganhos de eficiência.

Isso é particularmente importante porque sistemas eletrificados mal calibrados podem provocar reações estranhas nas acelerações, desacelerações ou mudanças de velocidade. Não foi o caso aqui. Durante toda a semana de convivência, o comportamento do veículo mostrou-se homogêneo e previsível.

Isolação do capô minimiza a propagação de ruído via aérea

Consumo melhor, principalmente na cidade

A melhora do consumo pode ser percebida em diversas as condições de utilização, mas é no ambiente urbano que ela se torna mais evidente.

As frequentes desacelerações, paradas e retomadas permitem ao sistema recuperar energia e reaproveitá-la nos momentos de maior demanda, auxiliando o esforço do motor a combustão.

Pelo quadro de instrumentos é possível acompanhar consumo assim como a operação do sistema híbrido

O mérito da solução está justamente em entregar essa economia sem exigir qualquer adaptação do motorista. Basta dirigir normalmente para perceber que o combustível rende mais. E em comparação com o carro da família, um Renegade T270 2025, foi notório perceber que no novo MHEV é possível obter médias de consumo ligeiramente melhores, para o mesmo tipo de uso diário.

Na prática, o Renegade mantém a disposição já conhecida do motor T270, mas utilizando melhor a energia disponível no sistema.

O quadro de instrumentos tem diversas páginas para atender as demandas dos diversos tipos de motorista; na foto a configuração de contagiros

O maior ganho está nas emissões de gases

No AUTOentusiastas adotamos a denominação “semi-híbrido” para os sistemas MHEV porque eles não são capazes de movimentar o veículo exclusivamente por energia elétrica. Ainda assim, isso não reduz sua importância.

O principal benefício desta configuração de 48 volts aparece justamente onde os fabricantes mais precisam avançar atualmente: na redução das emissões. Ao auxiliar o motor térmico e otimizar sua operação, o sistema permite reduzir as emissões de CO2 — um dos gases que causam o efeito estufa — por quilômetro rodado, contribuindo para atender exigências legais cada vez mais rigorosas.

Por isso, embora o motorista perceba principalmente a melhora do consumo, o maior ganho está justamente nos resultados obtidos nos ciclos de homologação de emissões.

Remodelação da frente deixou o carro mais vistoso

Regeneração imperceptível

Outro ponto que costuma gerar preocupação em veículos eletrificados é o comportamento durante as desacelerações e frenagens.

Em alguns modelos é possível perceber pequenas oscilações na velocidade do veículo quando o sistema inicia a recuperação de energia ou altera a intensidade da regeneração, assim como a interface com o sistema de freio de serviço.

Transparência para o motorista com alavanca de câmbio convencional montada em console mais alto; borboletas atrás do volante seguem disponíveis no modelo

Durante toda a semana de avaliação, em uso urbano e rodoviário, o Renegade não apresentou qualquer comportamento desse tipo. A regeneração ocorre de forma extremamente suave e praticamente imperceptível para o motorista.

É mais um indicativo do cuidado que a engenharia teve na calibração do conjunto.

Designação MHEV aparece na tampa traseira

Mais confortável do que antes

Outra impressão que chamou atenção foi o conforto de rodagem.

Embora a Jeep não mencione alterações específicas na suspensão, a sensação é que houve um refinamento da calibração. Equipado com pneus Bridgestone 225/55 R18, o Renegade Sahara absorve bem as irregularidades do piso e transmite poucos impactos para a cabine.

Ruído de rodagem dos pneus é bem contido

O resultado é um comportamento confortável no uso cotidiano sem prejuízo à estabilidade, característica sempre presente no modelo.

Pode ser apenas uma percepção decorrente das mudanças introduzidas na nova linha, mas a sensação ao volante é de um veículo mais agradável em pisos irregulares e nas viagens mais longas.

Novo volante tem empunhadura mais positiva

Novo volante e direção mais bem calibrada

As mudanças internas trouxeram também um novo volante, mais agradável ao manuseio e com empunhadura mais bem resolvida.

Mas a principal evolução parece estar na calibração da assistência elétrica da direção. O sistema demonstra uma tendência mais pronunciada ao retorno para a posição central após as curvas, característica que aumenta a sensação de precisão e segurança em velocidades de estrada.

Essa percepção, entretanto, fica mais evidente quando o assistente de permanência nafaixa está desligado. Com o sistema ativo, sua atuação continua relativamente intrusiva e interfere na leitura do comportamento natural da direção.

É uma característica que provavelmente dividirá opiniões entre motoristas mais experientes e aqueles que valorizam maior intervenção dos sistemas de assistência.

 

Start-Stop agora é obrigatório

Se há um ponto que pode gerar críticas, ele está no sistema start-stop, que desliga o motor em paradas.

Nas versões anteriores era possível desativar o recurso por meio de um comando simples. Agora isso não está mais disponível.

Boa posição de dirigir com ampla visibilidade

Para os motoristas que apreciam a economia adicional proporcionada pelo sistema, nada muda. Já aqueles que não gostam das constantes interrupções e partidas automáticas do motor terão de conviver permanentemente com seu funcionamento.

Considerando o perfil tradicional de parte dos proprietários do Renegade, é uma decisão que certamente despertará comentários.

 

Conclusão

Depois de uma semana ao volante, a impressão é que a Stellantis acertou na estratégia.

O novo sistema semi-híbrido melhora a eficiência energética, reduz emissões e contribui para o consumo sem comprometer as características que fizeram do Renegade um dos modelos mais bem-sucedidos do segmento.

A silhueta quadrada do “feinho simpático” está inalterada

Ao contrário de muitos processos de eletrificação que acabam alterando a dirigibilidade do veículo, o Renegade MHEV preserva integralmente as características que construíram sua reputação, acrescentando eficiência sem exigir qualquer adaptação por parte do motorista.

Talvez o maior elogio que se possa fazer ao sistema de 48 volts seja justamente este: ele está presente o tempo todo, mas quase nunca é percebido. E, neste caso, isso é uma qualidade.

GB

Ficha técnica do Renegade Sahara MHEV 48 V 2027

Motor

Posição Dianteiro transversal
Configuração 4 cilindros em linha, turbo flex, bloco e cabeçote de alumínio
Cilindrada 1.332 cm³
Diâmetro x curso 70,0 x 86,5 mm
Taxa de compressão 10,5:1
Potência máxima 176 cv a 5.750 rpm
Torque máximo 27,5 m·kg a 2.000 rpm
Comando de válvulas Único no cabeçote
Válvulas 4 por cilindro
Injeção eletrônica BorgWarner ECM GPEC5
Combustível Gasolina e ãlcool

Sistema semi-híbrido

Tensão do sistema 48 V
Alternardor-motor 15,5 cv e 6,6 m·.kgf
Bateria auxiliar Íons de lítio 48 V / 19,5 A·h
Bateria convencional 12 V / 72 A·h
Inversor DC/DC 48 V – 12 V

Transmissão

Tração Dianteira
Câmbio Automático epicíclico de 6 marchas
Relações de transmissão 1ª 4,459; 2ª 2,508; 3ª 1,556; 4ª 1,142; 5ª 0,852; 6ª 0,672; ré 3,185
Diferencial 3,683:1

Suspensão

Dianteira Independente McPherson, braço de controle triangular, mola helicoidal e barra antirrolagem
Traseira Independente McPherson, braços transversais e longitudinal, mola helicoidal e barra antirrolagem
Amortecedores Hidráulicos pressurizados

Direção

Tipo Pinhão e cremalheira com assistência elétrica na árvore de direção
Diâmetro mínimo de giro 11,1 m

Freios

Dianteiros Disco ventilado de 305 mm de diâmetro
Traseiros Discos de 278 mm de diâmetro

Rodas e pneus

Rodas Liga de alumínio  7J x 18
Pneus 225/55 R18

Pesos

Peso em ordem de marcha 1.531 kg
Capacidade de carga 400 kg

Dimensões e capacidades

Comprimento 4.270 mm
Largura 1.805 mm
Altura 1.706 mm
Entre-eixos 2.566 mm
Altura mínima do solo 208 mm
Ângulo de entrada 25,6°
Ângulo de saída 31,8°
Porta-malas 385 litros
Porta-malas com bancos rebatidos 1.448 litros
Tanque de combustível 55 litros

Desempenho

Velocidade máxima 206 km/h
Aceleração de 0 a 100 km/h 8,9 s

Consumo (PBEV – Inmetro)

Urbano (gasolina) 11,9 km/l
Urbano (etanol) 8,3 km/l
Rodoviário (gasolina) 11,8 km/l
Rodoviário (etanol) 8,6 km/l

Preço

Preço básico R$ 175.990

Principais itens de série – Renegade Sahara 2027

  • Adventure Intelligence com Alexa integrada
  • Alerta e assistente de permanência em faixa
  • Ar-condicionado digital automático de duas zonas
  • Assistente de partida em rampa
  • Banco do motorista com ajustes elétricos
  • Bolsas infláveis frontais, laterais e de cortina (6 airbags)
  • Carregador de celular por indução com ventilação
  • Central multimídia de 10,1 polegadas
  • Chave presencial com partida por botão
  • Controle eletrônico de estabilidade e tração
  • Detector de fadiga do motorista
  • Espelhamento sem fio para Android Auto e Apple CarPlay
  • Faróis e lanternas em LED
  • Frenagem autônoma de emergência
  • Freio de estacionamento eletrônico
  • Monitoramento da pressão dos pneus
  • Monitoramento de ponto cego
  • Quadro de instrumentos digital de 7 polegadas
  • Rodas de liga de alumínio de 18 polegadas
  • Sistema semi-híbrido MHEV de 48 volts
  • Saídas de ar para o banco traseiro
  • Teto solar panorâmico
  • Volante multifuncional revestido em couro

 

Tags: jeep renegade 2027Jeep Renegade SaharaJeep Renegade Sahara MHEVmotor T270Renegade 48 voltsrenegade semi-híbridosistema MHEV StellantisSuve compacto
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