Quando a Jeep apresentou a linha Renegade 2027, uma das principais novidades foi a adoção do sistema semi-híbrido de 48 volts nas versões Longitude e Sahara. Na ocasião, detalhamos as mudanças técnicas, o novo interior, exterior e a tecnologia embarcada do modelo.
Agora, após uma semana de uso em trajetos urbanos e rodoviários, foi possível avaliar aquilo que nenhuma ficha técnica consegue mostrar: como o novo sistema se comporta na prática.

Eletrificação sem efeitos colaterais
Sempre que um fabricante adiciona algum grau de eletrificação a um veículo surge uma preocupação legítima: a dirigibilidade será afetada?
No caso do Renegade Sahara MHEV, a resposta é não.
A principal virtude do sistema desenvolvido pela Stellantis é justamente sua discrição. O conjunto formado pelo motor 1,3-litro turbo flex de 176 cv e 27,5 m·kgf continua apresentando o mesmo comportamento já conhecido do Renegade. As respostas ao acelerador permanecem naturais, as retomadas continuam vigorosas e não há qualquer sensação de artificialidade na entrega de potência.
O sistema elétrico trabalha nos bastidores, auxiliando o motor térmico sem interferir na dirigibilidade do veículo. O resultado é um automóvel que continua familiar para quem já conhece o Renegade, mas agora com ganhos de eficiência.
Isso é particularmente importante porque sistemas eletrificados mal calibrados podem provocar reações estranhas nas acelerações, desacelerações ou mudanças de velocidade. Não foi o caso aqui. Durante toda a semana de convivência, o comportamento do veículo mostrou-se homogêneo e previsível.

Consumo melhor, principalmente na cidade
A melhora do consumo pode ser percebida em diversas as condições de utilização, mas é no ambiente urbano que ela se torna mais evidente.
As frequentes desacelerações, paradas e retomadas permitem ao sistema recuperar energia e reaproveitá-la nos momentos de maior demanda, auxiliando o esforço do motor a combustão.

O mérito da solução está justamente em entregar essa economia sem exigir qualquer adaptação do motorista. Basta dirigir normalmente para perceber que o combustível rende mais. E em comparação com o carro da família, um Renegade T270 2025, foi notório perceber que no novo MHEV é possível obter médias de consumo ligeiramente melhores, para o mesmo tipo de uso diário.
Na prática, o Renegade mantém a disposição já conhecida do motor T270, mas utilizando melhor a energia disponível no sistema.

O maior ganho está nas emissões de gases
No AUTOentusiastas adotamos a denominação “semi-híbrido” para os sistemas MHEV porque eles não são capazes de movimentar o veículo exclusivamente por energia elétrica. Ainda assim, isso não reduz sua importância.
O principal benefício desta configuração de 48 volts aparece justamente onde os fabricantes mais precisam avançar atualmente: na redução das emissões. Ao auxiliar o motor térmico e otimizar sua operação, o sistema permite reduzir as emissões de CO2 — um dos gases que causam o efeito estufa — por quilômetro rodado, contribuindo para atender exigências legais cada vez mais rigorosas.
Por isso, embora o motorista perceba principalmente a melhora do consumo, o maior ganho está justamente nos resultados obtidos nos ciclos de homologação de emissões.

Regeneração imperceptível
Outro ponto que costuma gerar preocupação em veículos eletrificados é o comportamento durante as desacelerações e frenagens.
Em alguns modelos é possível perceber pequenas oscilações na velocidade do veículo quando o sistema inicia a recuperação de energia ou altera a intensidade da regeneração, assim como a interface com o sistema de freio de serviço.

Durante toda a semana de avaliação, em uso urbano e rodoviário, o Renegade não apresentou qualquer comportamento desse tipo. A regeneração ocorre de forma extremamente suave e praticamente imperceptível para o motorista.
É mais um indicativo do cuidado que a engenharia teve na calibração do conjunto.

Mais confortável do que antes
Outra impressão que chamou atenção foi o conforto de rodagem.
Embora a Jeep não mencione alterações específicas na suspensão, a sensação é que houve um refinamento da calibração. Equipado com pneus Bridgestone 225/55 R18, o Renegade Sahara absorve bem as irregularidades do piso e transmite poucos impactos para a cabine.

O resultado é um comportamento confortável no uso cotidiano sem prejuízo à estabilidade, característica sempre presente no modelo.
Pode ser apenas uma percepção decorrente das mudanças introduzidas na nova linha, mas a sensação ao volante é de um veículo mais agradável em pisos irregulares e nas viagens mais longas.

Novo volante e direção mais bem calibrada
As mudanças internas trouxeram também um novo volante, mais agradável ao manuseio e com empunhadura mais bem resolvida.
Mas a principal evolução parece estar na calibração da assistência elétrica da direção. O sistema demonstra uma tendência mais pronunciada ao retorno para a posição central após as curvas, característica que aumenta a sensação de precisão e segurança em velocidades de estrada.
Essa percepção, entretanto, fica mais evidente quando o assistente de permanência nafaixa está desligado. Com o sistema ativo, sua atuação continua relativamente intrusiva e interfere na leitura do comportamento natural da direção.
É uma característica que provavelmente dividirá opiniões entre motoristas mais experientes e aqueles que valorizam maior intervenção dos sistemas de assistência.
Start-Stop agora é obrigatório
Se há um ponto que pode gerar críticas, ele está no sistema start-stop, que desliga o motor em paradas.
Nas versões anteriores era possível desativar o recurso por meio de um comando simples. Agora isso não está mais disponível.

Para os motoristas que apreciam a economia adicional proporcionada pelo sistema, nada muda. Já aqueles que não gostam das constantes interrupções e partidas automáticas do motor terão de conviver permanentemente com seu funcionamento.
Considerando o perfil tradicional de parte dos proprietários do Renegade, é uma decisão que certamente despertará comentários.
Conclusão
Depois de uma semana ao volante, a impressão é que a Stellantis acertou na estratégia.
O novo sistema semi-híbrido melhora a eficiência energética, reduz emissões e contribui para o consumo sem comprometer as características que fizeram do Renegade um dos modelos mais bem-sucedidos do segmento.

Ao contrário de muitos processos de eletrificação que acabam alterando a dirigibilidade do veículo, o Renegade MHEV preserva integralmente as características que construíram sua reputação, acrescentando eficiência sem exigir qualquer adaptação por parte do motorista.
Talvez o maior elogio que se possa fazer ao sistema de 48 volts seja justamente este: ele está presente o tempo todo, mas quase nunca é percebido. E, neste caso, isso é uma qualidade.
GB
Ficha técnica do Renegade Sahara MHEV 48 V 2027
Motor
| Posição | Dianteiro transversal |
| Configuração | 4 cilindros em linha, turbo flex, bloco e cabeçote de alumínio |
| Cilindrada | 1.332 cm³ |
| Diâmetro x curso | 70,0 x 86,5 mm |
| Taxa de compressão | 10,5:1 |
| Potência máxima | 176 cv a 5.750 rpm |
| Torque máximo | 27,5 m·kg a 2.000 rpm |
| Comando de válvulas | Único no cabeçote |
| Válvulas | 4 por cilindro |
| Injeção eletrônica | BorgWarner ECM GPEC5 |
| Combustível | Gasolina e ãlcool |
Sistema semi-híbrido
| Tensão do sistema | 48 V |
| Alternardor-motor | 15,5 cv e 6,6 m·.kgf |
| Bateria auxiliar | Íons de lítio 48 V / 19,5 A·h |
| Bateria convencional | 12 V / 72 A·h |
| Inversor | DC/DC 48 V – 12 V |
Transmissão
| Tração | Dianteira |
| Câmbio | Automático epicíclico de 6 marchas |
| Relações de transmissão | 1ª 4,459; 2ª 2,508; 3ª 1,556; 4ª 1,142; 5ª 0,852; 6ª 0,672; ré 3,185 |
| Diferencial | 3,683:1 |
Suspensão
| Dianteira | Independente McPherson, braço de controle triangular, mola helicoidal e barra antirrolagem |
| Traseira | Independente McPherson, braços transversais e longitudinal, mola helicoidal e barra antirrolagem |
| Amortecedores | Hidráulicos pressurizados |
Direção
| Tipo | Pinhão e cremalheira com assistência elétrica na árvore de direção |
| Diâmetro mínimo de giro | 11,1 m |
Freios
| Dianteiros | Disco ventilado de 305 mm de diâmetro |
| Traseiros | Discos de 278 mm de diâmetro |
Rodas e pneus
| Rodas | Liga de alumínio 7J x 18 |
| Pneus | 225/55 R18 |
Pesos
| Peso em ordem de marcha | 1.531 kg |
| Capacidade de carga | 400 kg |
Dimensões e capacidades
| Comprimento | 4.270 mm |
| Largura | 1.805 mm |
| Altura | 1.706 mm |
| Entre-eixos | 2.566 mm |
| Altura mínima do solo | 208 mm |
| Ângulo de entrada | 25,6° |
| Ângulo de saída | 31,8° |
| Porta-malas | 385 litros |
| Porta-malas com bancos rebatidos | 1.448 litros |
| Tanque de combustível | 55 litros |
Desempenho
| Velocidade máxima | 206 km/h |
| Aceleração de 0 a 100 km/h | 8,9 s |
Consumo (PBEV – Inmetro)
| Urbano (gasolina) | 11,9 km/l |
| Urbano (etanol) | 8,3 km/l |
| Rodoviário (gasolina) | 11,8 km/l |
| Rodoviário (etanol) | 8,6 km/l |
Preço
| Preço básico | R$ 175.990 |
Principais itens de série – Renegade Sahara 2027
- Adventure Intelligence com Alexa integrada
- Alerta e assistente de permanência em faixa
- Ar-condicionado digital automático de duas zonas
- Assistente de partida em rampa
- Banco do motorista com ajustes elétricos
- Bolsas infláveis frontais, laterais e de cortina (6 airbags)
- Carregador de celular por indução com ventilação
- Central multimídia de 10,1 polegadas
- Chave presencial com partida por botão
- Controle eletrônico de estabilidade e tração
- Detector de fadiga do motorista
- Espelhamento sem fio para Android Auto e Apple CarPlay
- Faróis e lanternas em LED
- Frenagem autônoma de emergência
- Freio de estacionamento eletrônico
- Monitoramento da pressão dos pneus
- Monitoramento de ponto cego
- Quadro de instrumentos digital de 7 polegadas
- Rodas de liga de alumínio de 18 polegadas
- Sistema semi-híbrido MHEV de 48 volts
- Saídas de ar para o banco traseiro
- Teto solar panorâmico
- Volante multifuncional revestido em couro

