Outro dia vieram-me á cabeça, não sei por que, Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse (imagem de abertura0 e seus poderes de produzirem toda sorte de mazelas no mundo. De pronto as transpus para o nosso país sob o rótulo as quatro desgraças brasileiras: lei seca, combustíveis, lombadas e pavimentação. Todas relacionadas com o foco do AE, o automóvel.
Lei seca
Aprovada pelo Congresso Nacional em 19 de junho de 2008, surgiu do nada. Sem clamor público, sem evidência de que a presença de álcool no sangue estipulada pelo novo código de trânsito, de 23 de setembro de 1997, 6 decigramas por litro de sangue, fosse comprovada ser excessiva para dirigir veículos automotores, tampouco causadora da acidentes. Tudo da cabeça de uma pessoa, deputado Hugo Leal (PSC-RJ).
Resultado prático, tolher a liberdade e o direito de ingerir bebidas alcoólicas moderadamente e dirigir sem ameaçar a segurança própria e do trânsito, e sem tirar bêbados do volante, que continuam a ceifar vidas, incomodar cidadãos de bem com as circenses e atravancadoras do trânsito blitzes, e encher os cofres de municípios, estados e Distrito Federal com irrealísticas multas.
Combustíveis
Desgraça das grandes. Oa governos federais agem como se odiassem os cidadãos e os véiclulos automotores ao não oferecer gasolnia e diesel dignas do nome, como aqui venho dizendo há anos. Inventam termos cínicos como “gasolina do futuro” em vez de se esmerarem em oferecer gasolina decente para o tempo presente como na quase totalidade dos países. O interesse do consumidor é solene e claramente ignorado sempre.
O abuso das misturas de gasolina e álcool e diesel e biodiesel ultrapassam o que se chama de razoável. A gasolina ideal é a E10, o diesel deveria ficar B10, como no governo anterior, hoje B15. É Como esses dois tipos de motores melhor funcionam.
A grande piada da gasolina ocorreu no governo Dilma Rousseff. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) determinou pela Portaria nº 40/2013 que a partir de 2014 toda gasolina contivesse aditivos detergentes-dispersantes, a exemplo dos países de vanguarda desde 1990. O motivo é simples, manter os motores o mais perto possível de quando novos e com isso emitirem menos poluentes e consumirem menos combustível.
A ANP queria que a aditivação fosse realizada nas refinarias mas a Petrobrás alegava ser inviável, que fosse feita nas distribuidoras. Nunca se chegou a um acordo e depois de dois adiamentos — 2014 e 2015 — em 2016, pouco antes do impeachment, o programa foi engavetado e a gasolina conitinuou a precisar ser escolhida na hora do reabastecimento.
Lombadas
Considero esta a pior das desgraças. Dirigir no Brasil virou inferno desde que as lombadas surgiram no começo dos anos 1980 em Curitiba por iniciativa do prefeito Jaime Lerner e cresceram exponencialmente em número lá e por todo o país. Em minha opinião não existe nada mais torpe do que obstáculos artificiais para obrigar motoristas a reduzir velocidade em qualquer via.
Digo-o por mim. Motorista desde os 14 anos e habilitado assim que cheguei aos 18, passei 24 anos dirigindo sem lombadas. Era suficiente obedecer a sinalização e usar bom senso. Qual não foi o susto ao chegar a Curitiba pela primeira vez e me deparei com uma lombada, algo totalmente irreal.
Entretanto, pior do que a lombada em si é sua construção a esmo, sem projeto, feita por moradores e totalmente fora das medidas regulamentares estabelecidas pelo Conselho Nacional de Trânsito. Ainda pior são as autoridades sobra a via nada fazerem a respeito, crime de omissão indiscutível.
É justamente devido a lombadas fora dos padrões que o carro comercializados aqui têm altura de rodagem maior que em outros mercados, resultando em maior consumo e emissões e menos estabilidade.
Pavimentação
Se há coisa que falta no Brasil é pavimentação de qualidade. Falta de competência? Pode ser, mas também é desleixo. É inevitável compararmos a pavimentação dos países vizinhos ou próximos com a nossa. Como são superiores à daqui.
Um bom exemplo do que eu disse acima foi eu achar o Lexua 200h testado em 2018 com um rodar muito duro, desconfortável, ao andar em São Paulo, até nas duas marginais. Algum tempo depois dirigi exatamente o mesmo modelo no Chile e seu rodar era perfeito.
Alguma coisa precisa ser feita nos nossos processos de pavimentação. Ou aprimorar a fiscalização das empreiteiras.
BS
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