(Atualizada em 5/8/26 às 19h31)
Durante 27 anos, desde seu lançamento em 1982, até se transformar em um novo carro em 2009, a VW Saveiro era praticamente a mesma: seguia com o arcabouço do primeiro Gol, com motor longitudinal, que mudava toda a arquitetura do carro, e compartilhava inúmeras partes mecânicas com a primeira geração. Nesse estilo de construção, tivemos a Saveiro quadrada, Saveiro G2, Saveiro G3 e Saveiro G4, que eram praticamente iguais por baixo, mudando apenas a carroceria.
A grande alteração, essa sim uma novíssima VW Saveiro, surgiu no final de agosto de 2009, há quase 17 anos, quando nasceu uma picape inédita, que só compartilhava o nome com a antecessora. Seu novo aecabouço, baseado naquela mescla entre PQ24 e PQ25 (partes do Polo europeu e do Fox, numa mistura que deu certo), era quase 16 cm maior na distância entre eixos, e tinha motor transversal, pela primeira vez na história do modelo.

Essa nova disposição mecânica do trem de força permitiu que os engenheiros reduzissem o balanço dianteiro do carro em quase 30 mm, melhorando seu ângulo de entrada. Além disso, a parede de fogo entre motor e cabine passou a ter uma nova disposição, que melhorou sobremaneira o espaço interno para motorista e passageiro. Da mesma forma, o balanço traseiro também pôde ser reduzido em importantes 84 mm, o que aumentou o ângulo de saída e permitiu uma caçamba maior na Saveiro 2010, agora com 924 litros de capacidade (a primeira geração tinha 870).
VW Saveiro em nova geração, finalmente
Agora sim, a VW Saveiro renovada, chamada de G5, podia ser considerada uma geração inédita, totalmente diferente das suas antecessoras. O design, com muitas partes emprestadas do Novo Gol 2009, foi recebido com muita festa, e parte dos clientes e fãs do modelo consideravam a G5 como a mais bonita VW Saveiro já produzida, superando até mesmo a poderosa G3. Por dentro, também tudo novo, com direito a itens de luxo como volante multifuncional, bolsas infláveis duplas, rádio MP3 e Bluetooth, computador de bordo, instrumentação completa, sensores de ré, etc.

Essa nova geração da VW Saveiro 2010 estreou em duas versões: 1,6-l e Trooper, sendo a primeira mais simples e destinada ao trabalho (podendo ficar completona com opcionais) e a segunda mais enfeitada, com pegada aventureira e mais parruda. Ambas podiam ter carroceria com cabine simples e cabine estendida, essa última com espaço extra atrás dos bancos, destinado a malas, sacolas, caixas e afins. Vale falar também que, após muitos anos, a VW Saveiro mudou o local do estepe, que passava a ser instalado sob o assoalho da caçamba, e não mais atrás do banco do passageiro. Melhorava, ainda mais, o tal espaço na cabine.

Mas não só de estética e construção vivia a nova VW Saveiro 2010. Ela também foi aplaudida por, finalmente, aposentar os bons e velhos motores EA-827/AP na linha da picape. Sob seu capô ia o novíssimo EA-111, 1,6-l de oito válvulas e quatro cilindros, que entragava 101/104 cv de potência com torque de, em média, 15,5 m·kgf (gasolina/álcool). Essa nova unidade motriz era casada ao câmbio manual de cinco marchas transversal MQ200 e trazia melhores índices de consumo, desempenho, silêncio e eficiência energética.
Esse novo câmbio MQ200 também evoluía na precisão e facilidade dos engates, graças ao comando por cabo em vez de varão. É, inclusive, a mesma caixa que move a VW Saveiro até os dias atuais. No geral, essa inédita unidade motriz acompanhava toda a evolução da pequena picape de nova geração, que ficava, literalmente, melhor em todos os aspectos: dirigibilidade, segurança, silêncio, ergonomia, desempenho, consumo, conforto, espaço, volume da _caçamba, capacidade de carga, entre outros.
O marco da Cross
Passo importante veio na linha 2011, com a chegada da tão aclamada VW Saveiro Cross, uma aventureira que foi equivalente à Surf de geração passada em termos de sucesso e receptividade. Ela vinha com roupagem off-road, novas rodas, interior mais elaborado, faróis de longo alcance, pneus de uso misto, cores chamativas como laranja ou amarelo, e sempre na carroceria com cabine estendida, para ser a opção mais cara da linha, e enfrentar a Fiat Strada Adventure e Chevrolet Montana Sport, principalmente. Ela já recebia, também, o novo volante padrão da marca alemã, com melhor acabamento e ergonomia, deixando a cabine mais moderna.

Primeira reestilização, a Saveiro “G6”
Depois, o próximo grande passo na vida da VW Saveiro aconteceu mesmo em abril de 2013, com a chegada da chamada “Geração 6” (G6). Acompanhando Gol e Voyage, mas com cerca de 10 meses de atraso, a pequena picape sofria sua primeira reestilização na nova geração. estreava dianteira mais alta e imponente, com grade e faróis mais altos, para-choque mais robusto, novo capô e para-lamas. Grande novidade na versão aventureira Cross eram os enormes faróis de longo alcance, que dividiam opiniões na época.
Traseira e lateral seguiam praticamente inalteradas, apenas com mudanças em emblemas e rack de teto (quando houvesse), além de rodas redesenhadas. Da mesma forma, na cabine, apenas um rádio inédito e mais moderno, botões do ar-condicionado redesenhados, bem como a clássica troca de tecidos dos bancos e materiais de acabamento.

Apesar de ser tratada como uma nova geração pela marca, a VW Saveiro G6, na realidade, era uma reestilização de meia-vida da pequena picape tal qual aconteceram nas passagens de G2 para G3, ou G3 para G4. Integrante da linha 2014, trazia as mesmas versões de antes (1.6, 1,6 Trend, Trooper e Cross), mantendo opções de cabine (simples ou estendida), motor, transmissão, suspensões, freios e direção inalterados. Assim, a Saveiro ficava mais moderna, e alinhada ao Gol e Voyage, mas ainda não atingia a liderança do segmento, que, na época, já era da Fiat Strada.

Chegada do 1.6 16v EA-211
Essas novidades nem esfriaram, e já em março de 2014, onze meses depois, surgia um novíssimo motor para a VW Saveiro na linha 2015. Tratava-se do moderno 1,6-l 16v EA-211, de uma nova família de motores da marca alemã, parente dos TSI e afins. Tinha quatro válvulas por cilindro, concepção inteira em alumínio (mais leve e fácil de dissipar calor), duplo comando de válvulas com variadores de fase na admissão e escapamento, e recebia um conjunto totalmente novo de bielas, pistões, mancais e outros itens. Não por menos, entregava saudáveis 110/120 cv de potência com torque máximo de 16,3/16,8 m·kgf (G/A), números bem superiores aos do 1,6-l 8v.

Porém, esse novo motor, mais caro, moderno e elaborado, movia apenas a versão Cross da Saveiro 2015, enquanto as outras seguiam com o EA-111 1,6-l 8v. Com novas tecnologias, e câmbio de cinco marchas com relaçãoes reescalonada, a picape 1,6-l 16v podia consumir mais, mas também andava mais: o tempo de aceleração de 0 a 100 km/h, dependendo, baixava em quase 1,0s, pelos números oficiais. Foi o maior salto na motorização do modelo em vários anos, e seguiu como opção mais potente dela até os dias atuais.
Na ocasião, junto do novo motor 1,6-l 16v, a VW Saveiro Cross ainda ficou mais capaz no off-road: ganhou ABS especial para fora de estrada emprestado da Amarok, bloqueio eletrônico de diferencial, controles eletrônicos de estabilidade e tração, além do muito útil controle eletrônico de descida, que freava o carro automaticamente, em velocidade programada, durante descidas de morros ou pirambeiras. A linha também ganhava novos nomes: a basicona virava Startline, a intermediária se tornava a Trendline (agora versão, e não mais pacote opcional), e o topo da linha ainda era da Cross. A Trooper já não era mais oferecida.
Primeira cabine dupla, e novas versões
O ano de 2014 foi importante para a VW Saveiro. Meses depois do novo motor, em agosto, vinha sua carroceria com a inédita cabine dupla: na realidade, uma adaptação que visava combater a Fiat Strada similar, que esticava a cabine para a acomodação de um banco traseiro com três lugares extras (este em posição mais elevada). Ela mantinha as duas portas grandes, e a mesma distância entre eixos de 2.752 mm, porém perdia no tamanho da caçamba e capacidade de carga. A cabine dupla era oferecida em toda a linha, e fazia companhia às cabines simples e estendida.

Aproveitando esse ineditismo, também vinha ao mundo uma versão jamais vista na VW Saveiro: Highline, mais completa de equipamentos, com visual mais elegante, mas sem a roupagem off-road da Cross. Era, inclusive, uma ponte importante entre as configurações Trendline e Cross, mas o tempo acabou mostrando que a nova opção não cairia no gosto dos consumidores: ela logo saiu de cena. Por outro lado, a carroceria de cabine dupla fez sucesso, tanto que é oferecida na pequena picap até os dias atuais, em que pese as limitações de espaço traseiro.
Ainda no final daquele ano de 2014, próximo ao Salão do Automóvel de São Paulo, surgia mais uma releitura da VW Saveiro Surf, agora como linha 2015. Movida pelo 1,6-l 8v, adotava visual mais jovem e descolado, com rodas cinzas, adesivos pela carroceria, retrovisores e maçanetas pintadas, bancos com revestimento exclusivo e pacote de equipamentos recheado, sempre na versão cabine simples. Trazia de série faróis de neblina, direção hidráulica, retrovisores elétricos, vidros e travas elétricas, duas bolsas infláveis, freios ABS, rodas de liga de alumínio aro 15, protetor de caçamba, bancos em material que imita couro , sensores de estacionamento traseiros e ar-condicionado.
VW Saveiro G7
Depois desse caminhão de novidades aplicadas em 2014 na VW Saveiro da linha 2015, sua próxima grande novidade aconteceria no início de 2016, quando nascia a versão apelidada de G7. Na realidade, era o momento em que a pequena picape se afastava de Gol e Voyage, adotando um visual próprio. Na dianteira, grandes faróis com linhas quadradas faziam par à grade aletada e ao para-choque retilíneo, mais sério. De lado, novas rodas, enquanto a traseira finalmente recebia mudanças nas lanternas (novas lentes e posição das luzes), bem como para-choque redesenhado, também mais reto e quadrado. O interior era o mesmo dos Gol e Voyage 2017, totalmente novo.
Esse foi mais um avanço da linha VW Saveiro no mercado brasileiro. Afinal, com o novo painel, ela pôde receber uma tela multimídia tátil, que o mercado da época já exigia. Também mudavam o próprio painel, volante, botões e comandos. Curiosamente, o interior antigo permanecia em linha por mais algum tempo apenas na versão basica Robust, destinada ao trabalho (substituta da Startline). Junto dela, o catálogo era composto pela Trendline, Highline e Cross, com as configurações de cabine simples, estendida ou dupla, e dos motores 1,6-l 8v de 104 cv ou 1,6-l 16v de 120 cv. Os dois eram casados ao câmbio manual de cinco marchas.

Em julho de 2017 nascia a série especial Pepper, que mais estava para versão comum da linha. Era uma VW Saveiro descolada, com partes em vermelho pela carroceria, adesivos decorativos, rodas diamantadas, interior em couro com costuras vermelhas e afins. Tinha perfil esportivo, reforçado pela carroceria sempre com cabine simples (a opção de cabine dupla veio depois), mas vinha com motor 1,6-l mais simples e fraco (104 cv). Ela duraria menos de dois anos no mercado, saindo de cena em 2019.
Ao longo dos próximos anos, aliás, a linha da picape já estava bem menor: no modelo 2020, por exemplo, era composta apenas por Robust cabine simples, Robust cabine dupla, Trendline cabine simples e Cross cabine dupla. Em anos anteriores, o catálogo do modelo era bem mais extenso, chegando a ter oito versões simultâneas, a maioria delas movida pelo motor 1,6-l 8v.
Fim do 1,6-l 8v
Falando nele, o bom e velho EA-111 mais simples acabou tendo que deixar de ser utilizado no começo de 2022 por conta dos novos limites de lemissões determinados pelo Proconve PL7. Como não atendia mais a esses llimites acabou deixando a linha de produção ainda no finalzinho de 2021, sobrevivendo de estoques por mais alguns meses. Enquanto Gol e Voyage passaram a usar sempre o 1,0-l de três cilindros, a Saveiro ficou mais potente em todas as versões, afinal passou a trazer o 1,6-l 16v EA-211 desde a configuração Robust de entrada. Recalibrado, agora entrega 116 cv com 16,1 m·kgf também por conta do Proconve PL7. São os números que ele mantém até hoje.
Modelo atual
Essa carinha que conhecemos na VW Saveiro atual, vendida como 0-km nas concessionárias, veio no modelo 2024. Trouxe dianteira mais retocada e ousada, com faróis e para-choque inéditos, esse segundo com traços parrudos. Para-choque traseiro, arranjo das lanternas, tampa da caçamba, apliques plásticos e emblemas também foram renovados, enquanto a cabine passou a vir com outras forrações e materiais de acabamento, além de uma multimídia maior em versões mais caras. A gama de versões não mudou (apenas a Cross foi rebatizada como Extreme), e ali marcava o fim definitivo das versões com cabine estendida.
Tukan está no forno
Desde então, a picapinha só trocou de ano-modelo com reajustes de preços e mudanças sutis no catálogo de equipamentos. Atualmente, é oferecida como linha 2027, mas há fortes apostas para que ela não dure muito além disso. Na realidade, sua sucessora, a VW Tukan, já está praticamente pronta para estrear, num movimento que deve acontecer no início do ano que vem. Esse novo modelo, com arcabouço modular MQB, suspensão traseira por eixo rígido de perfik ômega com molas parabólicas e capaz de receber motorização híbrida, terá também cabine simples ou dupla, essa com quatro portas e cinco lugares.
É possível que a VW Saveiro que conhecemos hoje siga no mercado por mais alguns meses após a chegada da Tukan, sobrevivendo nas versões mais simples e básicas, como porta de entrada para as picapes da marca. Caso isso aconteça, será um movimento breve, ao menos até o novo projeto cair nas graças do mercado e amortizar seus custos de projeto. Mesmo com dias contados, a picape de maior sucesso da Volkswagen no mercado brasileiro se mantém firme e forte na vice-liderança do segmento. E lá se vão 44 anos de muita história e bons serviços prestados.
DM
A coluna “Perfume de carro” é de exclusiva responsabilidade do seu autor.

