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Home DM

HISTÓRIA DA VW SAVEIRO: TERCEIRA FASE, A ATUAL

identicon por Douglas Mendonça
02/08/2026
em DM, Perfume de Carro
VW Saveiro 2010 - Foto: divulgação

VW Saveiro 2010 - Foto: divulgação



 

 



Durante 27 anos, desde seu lançamento em 1982, até se transformar em um novo carro em 2009, a VW Saveiro era praticamente a mesma: seguia com a plataforma do primeiro Gol, com motor disposto longitudinalmente, que mudava toda a arquitetura do carro, e compartilhava inúmeras partes mecânicas com a primeira geração. Nesse estilo de construção, tivemos a Saveiro quadrada, Saveiro G2, Saveiro G3 e Saveiro G4, que eram praticamente iguais por baixo, mudando apenas a carroceria. 

 

A grande alteração, essa sim uma novíssima VW Saveiro, surgiu no final de agosto de 2009, há quase 17 anos, quando nasceu uma picape inédita, que só compartilhava o nome com a antecessora. Sua nova plataforma, baseada naquela mescla entre PQ24 e PQ25 (partes do Polo europeu e do Fox, numa mistura que deu certo), era quase 16 cm maior na distância entre-eixos, e tinha conjunto mecânico disposto transversalmente, pela primeira vez na história do modelo.  

VW Saveiro 2010 – Foto: divulgação

Essa nova disposição mecânica do trem de força permitiu que os engenheiros reduzissem o balanço dianteiro do carro em quase 3 cm, melhorando seu ângulo de ataque. Além disso, a barreira antichama entre motor e cabine passou a ter uma nova disposição, que melhorou sobremaneira o espaço interno para motorista e passageiro. Da mesma forma, o balanço traseiro também pôde ser reduzido em importantes 8,4 cm, o que aumentou o ângulo de saída e permitiu uma caçamba mais ampla na VW Saveiro 2010, agora com 924 litros de capacidade (a primeira geração tinha 870). 

 

VW Saveiro em nova geração, finalmente

Agora sim, a VW Saveiro renovada, chamada de G5, podia ser considerada uma geração inédita, totalmente diferente das suas antecessoras. O design, com muitas partes emprestadas do Novo Gol 2009, foi recebido com muita festa, e parte dos clientes e fãs do modelo consideravam a G5 como a mais bonita VW Saveiro já produzida, superando até mesmo a poderosa G3. Por dentro, também tudo novo, com direito a itens de luxo como volante multifuncional, airbag duplo, rádio MP3 e Bluetooth, computador de bordo, instrumentação completa, sensores de ré etc. 

VW Saveiro 2010 – Foto: divulgação

Essa nova geração da VW Saveiro 2010 estreou em duas versões: 1,6-l e Trooper, sendo a primeira mais simples e destinada ao trabalho (podendo ficar completona com opcionais) e a segunda mais enfeitada, com pegada aventureira e mais parruda. Ambas podiam ter carroceria com cabine simples e cabine estendida, essa última com espaço extra atrás dos bancos, destinado a malas, sacolas, caixas e afins. Vale falar também que, após muitos anos, a VW Saveiro mudou o local do pneu estepe, que passava a ser instalado sob o assoalho da caçamba, e não mais atrás do banco do passageiro. Melhorava, ainda mais, o tal espaço na cabine.  

VW Saveiro 2010 – Foto: divulgação

Mas não só de estética e construção vivia a nova VW Saveiro 2010. Ela também foi aplaudida por, finalmente, aposentar os bons e velhos motores AP na linha da picape. Sob seu capô ia o novíssimo EA-111, 1,6-l de oito válvulas e quatro cilindros, que rendia 101/104 cv de potência com torque de, em média, 15,5 m.kgf (gasolina/álcool). Essa nova unidade motriz era casada ao câmbio manual de cinco marchas MQ200, e trazia melhores índices de consumo, performance, silêncio, eficiência energética e afins. 

Esse novo câmbio MQ200 também evoluía na precisão e facilidade dos engates, graças à instalação longitudinal. É, inclusive, a mesma caixa que move a VW Saveiro até os dias atuais. No geral, essa inédita unidade motriz acompanhava toda a evolução da picapinha de nova geração, que ficava, literalmente, melhor em todos os aspectos: dirigibilidade, segurança, silêncio, ergonomia, desempenho, consumo, conforto, espaço, caçamba, capacidade de carga, entre outros.  

O marco da Cross

 

Passo importante veio na linha 2011, com a chegada da tão aclamada VW Saveiro Cross, uma aventureira que foi equivalente à Surf de geração passada em termos de sucesso e receptividade. Ela vinha com roupagem off-road, novas rodas, interior mais caprichado, faróis de longo alcance, pneus de uso misto, cores chamativas como laranja ou amarelo, e sempre na carroceria com cabine estendida, para ser a opção mais cara da linha, e bater de frente com Fiat Strada Adventure e Chevrolet Montana Sport, principalmente. Ela já recebia, também, o novo volante padrão da marca alemã, com melhor acabamento e ergonomia, deixando a cabine mais moderna.  

VW Saveiro Cross 2011 – Foto: divulgação

Primeira reestilização, a Saveiro G6

Depois, o próximo grande passo na vida da VW Saveiro aconteceu mesmo em abril de 2013, com a chegada da chamada Geração 6 (G6). Acompanhando Gol e Voyage, mas com cerca de 10 meses de atraso, a picapinha sofria sua primeira reestilização na nova geração: estreava dianteira mais alta e imponente, com grade e faróis mais altos, para-choque mais parrudo, novo capô e paralamas. Grande novidade na versão aventureira Cross eram os enormes faróis de longo alcance, que dividiam opiniões na época.  

 

Traseira e lateral seguiam praticamente inalteradas, apenas com mudanças em emblemas e rack de teto (quando houvesse), além de rodas redesenhadas. Da mesma forma, na cabine, apenas um rádio inédito e mais moderno, botões de ar-condicionado redesenhados, bem como a clássica troca de tecidos dos bancos e materiais de acabamento.  

VW Saveiro Cross 2013 – Foto: divulgação

Apesar de ser tratada como uma nova geração pela marca, a VW Saveiro G6, na realidade, era uma reestilização de meia-vida da picapinha, tal qual aconteceram nas passagens de G2 para G3, ou G3 para G4. Integrante da linha 2014, trazia as mesmas versões de antes (1.6, 1.6 Trend, Trooper e Cross), mantendo opções de cabine (simples ou estendida), motor, transmissão, suspensões, freios e direção inalterados. Assim, a Saveirinho ficava mais moderna, e alinhada ao Gol e Voyage, mas ainda não atingia a liderança do segmento, que, na época, já era dominada pela Fiat Strada.  

VW Saveiro Trend 2013 – Foto: divulgação

Chegada do 1.6 16v EA-211

Essas novidades nem esfriaram, e já em março de 2014, onze meses depois, surgia um novíssimo motor para a VW Saveiro na linha 2015. Tratava-se do moderno 1,6-l 16v EA-211, de uma nova família de propulsores da marca alemã, parente dos TSI e afins. Tinha quatro válvulas por cilindro, concepção inteira em alumínio (mais leve e fácil de dissipar calor), duplo comando de válvulas com variadores de fase na admissão e escapamento, e recebia um conjunto totalmente novo de bielas, pistões, mancais e por aí vai. Não por menos, rendia saudáveis 110/120 cv de potência com torque máximo de 16,8 m.kgf quando queimava álcool, números bem superiores aos do 1,6-l 8v. 

Motor 1,6-l 16v EA-211 – Foto: divulgação

Porém, esse novo motor, mais caro, moderno e elaborado, movia apenas a versão Cross da VW Saveiro 2015, enquanto as outras seguiam com o EA-111 1,6-l 8v. Com novas tecnologias, e transmissão de cinco marchas reescalonada, a picapinha 1,6-l 16v podia beber mais, mas também andava mais: o tempo de aceleração de 0 a 100 km/h, dependendo, baixava em quase 1,0s, pelos números oficiais. Foi o maior salto na motorização do modelo em vários anos, e seguiu como opção mais poderosa dela até os dias atuais.  

 

Na ocasião, junto do novo motor 1,6-l 16v, a VW Saveiro Cross ainda ficou mais capaz no off-road: ganhou ABS especial para fora de estrada emprestado da Amarok, bloqueio eletrônico de diferencial, controles eletrônicos de estabilidade e tração, além do muito útil controle eletrônico de descidas, que freava o carro automaticamente, em velocidade programada, durante descidas de morros ou pirambeiras. A linha também ganhava novos nomes: a basicona virava Startline, a intermediária se tornava a Trendline (agora versão, e não mais pacote opcional), e o topo da linha ainda era da Cross. A Trooper já não era mais oferecida.  

Primeira cabine dupla, e novas versões

 

O ano de 2014 foi importante para a VW Saveiro. Meses depois do novo motor, em agosto, vinha sua carroceria com a inédita cabine dupla: na realidade, uma adaptação que visava combater a Fiat Strada similar, que esticava a cabine para a acomodação de um banco traseiro com três lugares extras (este em posição mais elevada). Ela mantinha as duas portas grandes, e a mesma distância entre-eixos de 2,75 m, porém perdia no tamanho da caçamba e capacidade de carga geral. A cabine dupla era oferecida em toda a linha, e fazia companhia às cabines simples e estendida.  

VW Saveiro Cross Cabine Dupla 2015 – Foto: divulgação

Aproveitando esse ineditismo, também vinha ao mundo uma versão jamais vista na VW Saveiro: Highline, mais completa de equipamentos, com visual mais elegante, mas sem a roupagem off-road da Cross. Era, inclusive, uma ponte importante entre as configurações Trendline e Cross, mas o tempo acabou mostrando que a nova opção não cairia no gosto dos consumidores: ela logo saiu de cena. Por outro lado, a carroceria de cabine dupla fez sucesso, tanto que é oferecida na picapinha até os dias atuais, em que pese as limitações de espaço traseiro.  

 

Ainda no final daquele ano de 2014, próximo ao Salão do Automóvel de São Paulo, surgia mais uma releitura da VW Saveiro Surf, agora como linha 2015. Movida pelo 1,6-l 8v, adotava visual mais jovem e descolado, com rodas cinzas, adesivos pela carroceria, retrovisores e maçanetas pintadas, bancos com revestimento exclusivo e pacote de equipamentos recheado, sempre na versão cabine simples. Trazia de série faróis de neblina, direção hidráulica, retrovisores elétricos, vidros e travas elétricas, airbag duplo, freios ABS, rodas de liga de alumínio aro 15, protetor de caçamba, bancos em couro sintético, sensores de estacionamento traseiros e ar-condicionado.  

 

VW Saveiro G7

Depois desse caminhão de novidades aplicadas em 2014 na VW Saveiro da linha 2015, sua próxima grande novidade aconteceria no início de 2016, quando nascia a versão apelidada de G7. Na realidade, era o momento em que a picapinha se afastava de Gol e Voyage, adotando um visual próprio. Na dianteira, grandes faróis com linhas quadradas faziam par a grade aletada e ao para-choque retilíneo, mais sério. De lado, novas rodas, enquanto a traseira finalmente recebia mudanças nas lanternas (novas lentes e posição das luzes), bem como para-choque redesenhado, também mais reto e quadrado. O interior era o mesmo dos Gol e Voyage 2017, totalmente novo.  

 

Esse foi mais um avanço da linha VW Saveiro no mercado brasileiro. Afinal, com o novo painel, ela pôde receber uma tela multimídia touchscreen, que o mercado da época já exigia. Também mudavam o próprio painel, volante, botões e comandos. Curiosamente, o interior antigo permanecia em linha por mais algum tempo apenas na versão basicona Robust, destinada ao trabalho (substituta da Startline). Junto dela, o catálogo era composto pela Trendline, Highline e Cross, com as configurações de cabine simples, estendida ou dupla, e dos motores 1,6-l 8v com até 104 cv ou 1,6-l 16v com até 120 cv. Os dois eram casados ao câmbio manual de cinco marchas.  

VW Saveiro Cross 2017 – Foto: divulgação

Em julho de 2017, nascia a série especial Pepper, que mais estava para versão comum da linha. Era uma VW Saveiro descolada, com partes em vermelho pela carroceria, adesivos decorativos, rodas diamantadas, interior em couro com costuras vermelhas e afins. Tinha perfil esportivo, reforçado pela carroceria sempre com cabine simples (a opção de cabine dupla veio depois), mas vinha com motor 1,6-l mais simples e fraco (104 cv). Ela duraria menos de dois anos no mercado, saindo de cena em 2019.  

 

Ao longo dos próximos anos, aliás, a linha da picape já estava bem menor: no modelo 2020, por exemplo, era composta por Robust cabine simples, Robust cabine dupla, Trendline cabine simples e Cross cabine dupla, apenas. Em anos anteriores, o catálogo do modelo era bem mais extenso, chegando a ter oito versões simultâneas, a maioria delas movida pelo motor 1,6-l 8v.  

 

Fim do 1,6-l 8v

Falando nele, o bom e velho EA-111 mais simples acabou tendo que pendurar as chuteiras no comecinho de 2022, por conta de leis de emissões de poluentes. Como não era mais aprovado pelos testes, acabou deixando a linha de produção ainda no finalzinho de 2021, sobrevivendo de estoques por mais alguns meses. Enquanto Gol e Voyage passaram a usar sempre o 1,0-l de três cilindros, a VW Saveiro ficou mais poderosa em todas as versões, afinal passou a trazer o 1,6-l 16v EA-211 desde a configuração Robust de entrada. Recalibrado, agora rendia até 116 cv com 16,1 m.kgf, também por conta das leis antipoluição. São os números que ele mantém até hoje.  

Modelo atual

 

Essa carinha que conhecemos na VW Saveiro atual, vendida como 0 km nas concessionárias, veio no modelo 2024. Trouxe dianteira mais retocada e agressiva, com faróis e para-choque inéditos, esse segundo com traços parrudos. Para-choque traseiro, arranjo das lanternas, tampa da caçamba, apliques plásticos e emblemas também foram renovados, enquanto a cabine passou a vir com outras forrações e materiais de acabamento, além de uma multimídia maior em versões mais caras. A gama de versões não mudou (apenas a Cross foi rebatizada como Extreme), e ali marcava o fim definitivo das versões com cabine estendida. 

 

Tukan está no forno

Desde então, a picapinha só trocou de ano/modelo com reajustes de preços e mudanças sutis no catálogo de equipamentos. Atualmente, é oferecida como linha 2027, mas há fortes apostas para que ela não dure muito além disso. Na realidade, sua sucessora, a VW Tukan, já está praticamente pronta para estrear, num movimento que deve acontecer no início do ano que vem. Esse novo modelo, com plataforma modular MQB, feixe de mola traseiro e capaz de receber motores híbridos, terá também cabine simples ou dupla, essa segunda com quatro portas e cinco lugares.  

 

É possível que a VW Saveiro que conhecemos hoje siga no mercado por mais alguns meses após a chegada da Tukan, sobrevivendo nas versões mais simples e básicas, como porta de entrada para as picapes da marca. Caso isso aconteça, será um movimento breve, ao menos até o novo projeto cair nas graças do mercado e amortizar seus custos de projeto. Mesmo com dias contados, a picape de maior sucesso da Volks no mercado brasileiro se mantém firme e forte na vice-liderança do segmento. E lá se vão 44 anos de muita história e bons serviços prestados…

DM

Tags: História da SaveiroPicape compacta VolkswagenSaveiro CrossSaveiro ExtremeSaveiro G5Saveiro G6Saveiro G7Volkswagen SaveiroVolkswagen TukanVW Saveiro
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