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Home Colunas

RAM DAKOTA, FIAT TITANO E OUTROS EXEMPLOS DE CARROS GÊMEOS NA INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA MUNDIAL

identicon por Douglas Mendonça
29/08/2026
em Colunas, DM, Perfume de Carro
Ram Dakota e Fiat Titano - Foto: Lucca Mendonça

Ram Dakota e Fiat Titano - Foto: Lucca Mendonça



 

 



Sim, Ram Dakota e Fiat Titano são carrosgêmeos, e explico como. Não é de hoje que a indústria automobilística mundial produz carros distintos sobre uma mesmíssima base, mecânica ou até mesmo estética. O objetivo é claro: economizar na engenharia, fazendo com que modelos semelhantes compartilhem da mesma base e processos produtivos, mas com diferenças estéticas, de acabamento e decequipamentos de série para atender naipes distintos de consumidores. Bom exemplo disso? As atuais Ram Dakota e Fiat Titano, ou então os Ford Versailles/VW Santana e VW Apollo/Ford Verona, na época da Autolatina, lá nos anos 90.  

Desenvolver um carro é caro

Vamos lá: dentro da indústria automobilística uma parte sensível do projeto de um novo carro está no desenvolvimento de engenharia de toda a mecânica. Toda mesmo: desde uma coluna de direção até as longarinas, passando por motor, câmbio, direção, freios, suspensões e afins. Assim, para que a engenharia crie esses elementos, o investimento é alto, quer seja de dinheiro ou de tempo de cálculos, projetos, estudos.

Dá trabalho, e, para evitar ele dobrado, cria-se o chamado rebadge: o termo em inglês define carros iguais, mas com trocas de emblemas ou detalhes estéticos, seja por dentro ou por fora. Vide as picapes médias da Stellantis: são iguais, mas com faróis, grade e para-choque dianteiro distintos, cabines próprias e rodas exclusivas. 

Esse movimento é feito para dar personalidade a um carro, para que ele seja um tanto diferente do seu irmão gêmeo, e possa ocupar outro segmento de mercado. Mais uma vez, vale o exemplo de Ram Dakota e Fiat Titano: a primeira é mais chique, cara e completa, para atingir um público consumidor que busca o requinte da marca do bode. Por isso, traz interior exclusivo com acabamento bem mais refinado, e itens de série que a Fiat Titano não dispõe nem em versões mais caras. Essa, por sua vez, é mais despojada, barata e enxuta no pacote de equipamentos, para atingir outro público: fãs de carros da marca italiana, ou mesmo quem busca uma picape média com menos pompa. Também é mais destinada ao uso profissional.  

Carros gêmeos podem ser rivais

Há ainda casos em que os modelos competem entre si, como acontecia com os VW Santana e Ford Versailles nos anos 90: ambos sedãs médios gêmeos de projeto, que brigavam entre si pelo mesmo público-alvo, faixa de preços e oferta de conteúdo. Por muitas vezes, competem espaço até nas linhas de produção, afinal são feitos num mesmo processo de fabricação, em sequência. As picapes médias da Stellantis são assim: feitas em série na fábrica de Córdoba, Argentina, com alternância entre Fiat e Ram, de acordo com as demandas.  

Prática é mundial

E não é uma prática exclusiva do Brasil: essa história de fazer carros gêmeos também é comum em países vizinhos da América do Sul (quem não lembra dos Suzuki Vitara e Chevrolet Tracker, ou então o Suzuki Fun, irmão do Chevrolet Celta?), chegando também ao mercado da América Central (por lá, a Fiat Strada é vendida como Ram 700), e até na América do Norte.

Aqui, o caso era comum: grupos automobilísticos grandes, como Ford e GM, criavam um mesmo projeto para várias de suas marcas, e acabava sendo comum ter sedazões ou suvess gêmeos oferecidos com emblemas (ou detalhes de design) diferentes.  

Suzuki Fun, o irmão gêmeo do Chevrolet Celta (Foto: divulgação)

Mais exemplos: o Ford Mondeo virou Mercury Mystique, o Ford Crown Victoria deu origem a algumas gerações do Lincoln TownCar, os Ford Expedition e Lincoln Navigator só ganham designs próprios. Na GM, nosso Chevrolet Captiva gerou o Saturn Vue, o Chevrolet Suburban é irmão do Cadillac Escalade, entre outros exemplos, praticamente iguais ao de Ram Dakota e Fiat Titano. São os carros gêmeos.  

Existe uma forma menos preguiçosa, não no sentido ruim da palavra, de facilitar e unir o desenvolvimento de dois carros diferentes. Cria-se uma mesma base mecânica, às vezes até com mesmos motor e câmbio, mas cada modelo recebe calibrações específicas de suspensões, direção e freios, além de uma carroceria totalmente nova, com pouca coisa (ou nada) compartilhada com seu irmão.

A Toyota faz isso com o Camry, que acaba virando o sedã de entrada da Lexus, enquanto a Acura teve sua própria versão do Honda Accord por anos. E, para quem não lembra, Alfa Romeo 164, Saab 9000 e Lancia Thema usavam essa fórmula: mesma base mecânica, mas com design interno e externo totalmente distintos.  

Marcas de um mesmo grupo ou não

Vale falar que essa parceria pode existir entre fabricantes de um mesmo grupo, como os exemplos americanos citados acima, ou então o da Ram Dakota e Fiat Titano (Stellantis), mas também pode ser fruto de associações totalmente inusitadas. Chevrolet e Honda, por exemplo, se juntaram para desenvolver, em parceria, o Blazer EV e o Prologue, respectivamente: são o mesmo carro no projeto básico e no arcabouço, mas com carrocerias distintas e interiores próprios.  

Economizar

O objetivo é sempre o mesmo: economizar recusrsos financeiros e horas de engenharia, adiantar o projeto de um novo carro, enxugar processos e, principalmente, aproveitar o que a marca vizinha tem pronto na prateleira. E, pela quantidade de casos na indústria automobilística mundial, e os anos a fio em que isso acontece, aparentemente a tal prática vale a pena…

DM

A coluna “Perfume de carro” é de exclusiva responsabilidade do seu autor.

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