(Atualizada em 25/8/26 às 23h49)
O reinício da temporada 2026 da Fórmula 1, domingo, em Zandvoort, teve consequências muito além da classificação atual dos Campeonatos Mundiais de Pilotos e Construtores. A principal delas foi cortesia de Max Verstappen, que renovou seu contrato com a Red Bull até 2030 e acelerou acordos de seus pares com algumas equipes. A segunda vitória consecutiva de Lando Norris (foto de abertura) recolocou a McLaren em destaque, ainda que Oscar Piastri tenha se mostrado cético com a diferença de rendimento em comparação ao seu companheiro de equipe. Depois de iniciar o ano dominando seus adversários, a Mercedes informou que está sem condições legais de investir mais no desenvolvimento do chassi W17. Mais uma vez a Ferrari errou na estratégia de corrida e adubou a disputa interna entre Lewis Hamilton e Charles Leclerc.

Os dias que antecederam o GP dos Países Baixos mostraram indícios de que uma decisão importante envolvendo o mercado de pilotos havia sido tomada. Bicampeão mundial em 2005 e 2006, Fernando Alonso ainda goza de alto prestígio entre equipes de ponta e poderia trocar a milionária, e ainda ineficiente Aston Martin, por uma equipe que lhe desse um carro capaz de o recolocar entre possíveis vencedores. Seu compatriota Carlos Sainz Júnior e o anglo-tailandês Alex Albon, que vivem situação semelhante numa Williams que não consegue recuperar a glória do passado, imitaram o espanhol Alonso. Fernando e Carlos são nomes que poderiam substituir Verstappen na Red Bull.

Tais decisões significam que três vagas para a temporada de 2027 já foram definidas. As outras são a permanência de Kimi Antonelli na Mercedes, Lewis Hamilton e Charles Leclerc na Ferrari, Lando Norris na McLaren, Isaac Hadjar no outro Red Bull, Pierre Gasly na Alpine, Arvin Lindblad na Racing Bulls, Oliver Bearman na Haas, Gabriel Bortoleto na Audi, Lance Stroll na Aston Martin e Sérgio Perez na Cadillac. Nas vagas ainda não confirmadas, George Russell e Oscar Piastri devem permanecer na Mercedes e na McLaren, respectivamente.

Entre os nomes que que podem ascender à F-1 estão o brasileiro Rafael Câmara, apoiado pela Ferrari, e o búlgaro Nikola Tsolov — integrante da academia de pilotos da Red Bull — e o italiano Gabriele Mini, que também recebe as atenções da Scuderia. Tsolov deve ser alçado a piloto-reserva da Red Bull (o que inclui situação similar na Racing Bulls), enquanto o brasileiro Kiko Porto e Mini disputam as vagas em aberto na Haas e na Cadillac. Na equipe americana eles podem ser preteridos em favor de Ryo Hirakawa por imposição da Toyota que pouco a pouco aumenta sua influência no time de Gene Haas.

O retorno da McLaren na luta por vitória é creditado em grande parte a um novo ajuste eletrônico que permitiu explorar melhor as vantagens do motor Mercedes-Benz. Consta que o primeiro mapa de gerenciamento do motor F1 M17 E recebido pelo time papaia estava desatualizado em relação ao utilizado pela equipe alemã. Ao dispor de um avançado departamento de engenharia eletrônica, a McLaren eliminou essa defasagem e junto com novidades de aerodinâmica e tudo voltou ao que era no passado recente. A pergunta ainda não respondida é a diferença de rendimento entre Lando Norris e Oscar Piastri, nomes que disputaram vitórias e o título em 2025.
Por seu lado, a Mercedes pratica uma narrativa para explicar a queda de rendimento dos seus carros. Segundo Toto Wolff, o atual teto de gastos por temporada por carro (US$ 215 milhões), desenvolvimento de motores (US$ 190 milhões) a liberação de investimento extra (US$ 3 milhões) impõe um cronograma pré-definido para incorporar novas peças e desenvolvimento aerodinâmico.

Enquanto isso a Ferrari, que nas últimas duas provas ficou em quarto e quinto lugares, mais uma vez optou por uma estratégia de corrida que impediu o inglês de disputar um lugar ao pódio, particularmente o terceiro posto na prova. Uma série de erros semelhantes começa a caracterizar uma preferência velada a favor de Charles Leclerc, nome que há muito tempo é ligado a Fred Vasseur, o chefão da Scuderia. Evidentemente não se pode dizer que contrataram Hamilton a peso de ouro apenas para tê-lo pilotando os vermelhos carros de Maranello, mas está claro que não conseguem aproveitar melhor os atributos de Hamilton, sete vezes campeão mundial frente a Leclerc, que entre 2019 e 2026 venceu nove corridas.
O resultado completo do GP dos Países Baixos você encontra aqui.
WG
A coluna “Conversa de pista” é de exclusiva responsabilidade do seu autor.

