Em junho de 2024, quando o BYD King foi apresentado no Brasil, o objetivo era roubar os fiéis clientes do Toyota Corolla, principalmente da versão Hybrid. Na época, o recém-chegado sedã da BYD ainda precisava conquistar seu espaço e suas vendas apenas decolavam.
Dois anos depois, a situação mudou. Segundo os dados do site da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o King já ultrapassou 11 mil unidades vendidas em 2026, enquanto o Corolla, considerando suas duas versões híbridas, está na casa das 8 mil unidades.

É um resultado expressivo para um modelo que chegou ao mercado como desafiante do sedã médio mais vendido em território nacional por muitos anos. Ao receber a oferta da BYD em testá-lo novamente, não hesitei, pois seria uma boa oportunidade para voltar a dirigi-lo, agora com outra perspectiva.
Abaixo está o vídeo gravado em 2024:
Veículo com 15 mil quilômetros
O King que recebemos desta vez era novamente a versão GS, mas havia uma diferença importante em relação ao carro que avaliamos no final de 2024: este exemplar já tinha 15 mil km no hodômetro.
Durante uma semana, percorremos cerca de 800 km, em utilização mista de cidade e estrada, sempre fazendo recargas noturnas no carregador residencial de 6 kW. Nem foi possível medir o consumo de combustível, pois na maior parte do tempo o carro era conduzido em modo elétrico. Tanto que ao devolver o carro para BYD o tanque de combustível ainda estava pela metade, sem ter feito nenhum abastecimento.

O que pude verificar, entretanto, foi que os 15 mil km não deixaram sinais perceptíveis de deterioração. Não encontrei nenhuma anomalia no funcionamento do sistema híbrido, no conjunto mecânico ou no acabamento que merecesse registro. E a vida da bateria também se mostrou em perfeitas condições, entregando o alcance esperado.
Isso é particularmente interessante numa revisita. O carro já não é novo, e a quilometragem acumulada permite observar se as impressões obtidas anteriormente permanecem.
E permanecem.
O revestimento interno, principalmente os bancos dianteiros, são uma preocupação dos consumidores brasileiros ao ver esse tom claro. Mas nesse carro de 15 mil km estão intactos, atestando a boa qualidade dos materiais
O elétrico continua predominando
Com a bateria carregada, o King normalmente se movimenta em modo elétrico. Essa característica continua sendo um dos aspectos mais interessantes do modelo.
O sistema DM-i EHS prioriza a propulsão elétrica e alterna entre os modos elétrico e híbrido de maneira muito suave. Não há aquela sensação de intervenção constante do motor a combustão, e as transições continuam praticamente imperceptíveis.

Na versão GS, a bateria Blade tem 18,3 kW·h e o alcance elétrico homologado junto ao Inmetro é de 78 km. A potência combinada entre motor a combustão (1,5-l aspiração atmosférica) e elétrico é de 235 cv, com aceleração de 0 a 100 km/h em 7,3 segundos.
Na prática, a possibilidade de sair de casa com a bateria carregada continua fazendo uma diferença que um híbrido convencional não consegue reproduzir. Para o uso cotidiano, boa parte dos deslocamentos pode ser feita como se estivéssemos dirigindo um carro elétrico, enquanto o motor a combustão elimina a preocupação com recarga nas viagens mais longas.

Mesmo ao zerar o alcance em modo elétrico, a bateria permanece com cerca de 25% de carga, permitindo que a qualquer momento que for necessário utilizar a potência máxima combinada, essa estará disponível. Veja isso no curto vídeo abaixo.
O que permanece igual
As impressões de dirigibilidade também mudaram pouco.
O King continua silencioso, confortável e com resposta bastante previsível. A suspensão privilegia o conforto, embora ainda permita movimentos verticais relativamente amplos da carroceria e há ruído de queda de roda na dianteira e traseira quando passa por irregularidades e lombadas em velocidade mais elevada.

Em condução mais rápida, a carroceria rola acima do desejável, mas o comportamento permanece seguro e previsível. São características que já havíamos apontado no teste de 2024 e que continuam presentes. Diferente de outros modelos da BYD que já constatamos mudanças na calibração da suspensão, no caso do King parece não ser uma reclamação de campo, portanto nada foi modificado.

A diferença é que agora podemos acrescentar uma informação: não percebemos alteração significativa dessas características depois de 15 mil km.

De importado a Camaçari
Outra mudança importante aconteceu longe das ruas.
O King que avaliamos em 2024 era importado. O modelo atual já é indicado como montado em Camaçari, BA, pelo processo SKD (Semi Knocked-Down – semidesmontado). A operação faz parte da implantação da fábrica da BYD no Brasil e representa uma etapa do processo de nacionalização, que deverá avançar para operações industriais mais completas na mesma localidade.

Portanto, o King de hoje não é exatamente o mesmo produto sob o ponto de vista industrial. Ele passou de um modelo importado para um carro que já integra a operação produtiva da BYD no país, mesmo que ainda em modo parcial.

A resposta ao Corolla
Talvez seja justamente no mercado que esteja a maior diferença entre o King de 2024 e o de 2026. Na chegada, a comparação com o Corolla era uma tentativa de conquistar espaço. Hoje, os números mostram que o King já vende mais que as versões híbridas do Toyota.

E a própria Toyota ampliou a oferta da tecnologia híbrida no Corolla, passando a disponibilizá-la também numa versão mais acessível da gama. Isso mostra que a disputa mudou de estágio. O híbrido deixou de ser apenas uma alternativa tecnológica para ocupar espaço mais amplo dentro do segmento.
Dois anos depois, portanto, o King já não precisa ser analisado pela novidade. O que interessa é saber se sua proposta continua funcionando.
O porta-malas também é bem arrumado com o kit de ferramentas e reparo de pneus bem acomodado e as dobradiças, em formato pescoço de ganso, recebe revestimento plástico para melhor acabamento
Depois dessa nova avaliação, a resposta encontrada é que sim. O King mudou de posição no mercado, mudou de endereço industrial, mas continua entregando aquilo que mais chamou nossa atenção desde o primeiro teste: a combinação de funcionamento suave, propulsão elétrica no uso cotidiano e a segurança de contar com um motor a combustão para as viagens mais longas.
GB
| FICHA TÉCNICA BYD KING GS DM-I HYBRID PLUG-IN | |
| MOTOR | |
| Designação | |
| Descrição | 4 cilindros em linha, dianteiro, transversal, bloco e cabeçote de alumínio, comando único no cabeçote, corrente, 4 válvulas por cilindro, aspiração atmosférica, injeção no duto, gasolina |
| Cilindrada (cm³) | 1.498 |
| Diâmetro e curso (mm) | n.d./n.d. |
| Taxa de compressão (:1) | n.d./n.d. |
| Potência máxima (cv/rpm) | 110 / 6.000 |
| Torque máximo (m·kgf/rpm) | 13,8 / 4.500 |
| Comprimento da biela (mm) | n.d. |
| Relação r/l | n.d. |
| MOTOR ELÉTRICO | |
| Tipo | Integrado ao câmbio, ímãs permanentes, trifásico |
| Potência e torque (cv/m·kgf) | 196 / 33,1 |
| POTÊNCIA/TORQUE TOTAL (cv/m.kgf) | 235 / n.d. |
| BATERIA DE TRAÇÃO | |
| Tensão (V) | |
| Capacidade (kW·h) | 18,3 |
| Localização | Sob o assoalho entre-eixos |
| RECARGA | |
| Conector | Tipo 2 |
| Potência de carga (kW) | 6,6 |
| 0-100% | Até 3 horas |
| TRANSMISSÃO | |
| Câmbio | Automatizado com par engrenado variável |
| Relações das marchas (:1) | n.d. |
| Relação de diferencial (:1) | n.d. |
| SUSPENSÃO | |
| Dianteira | Independente, McPherson, mola helicoidal de constante linear, amortecedor pressurizado e barra antirrolagem |
| Traseira | Eixo de torção, mola helicoidal de constante linear e amortecedor pressurizado |
| DIREÇÃO | |
| Tipo | Pinhão e cremalheira, eletroassistida indexada à velocidade |
| Relação de direção (:1) | n.d. |
| Voltas entre batentes | 2,5 |
| Diâmetro mínimo de curva (m) | 10,2 |
| FREIOS | |
| Dianteiros, tipo (Ø mm) | Disco ventilado / n.d. |
| Traseiros, tipo (Ø mm) | Disco / n.d. |
| Controle | ABS e distribuição eletrônica das forças de frenagem, duplo-circuito hidráulico em diagonal |
| RODAS E PNEUS | |
| Rodas | Liga de alumínio 8J x 17 |
| Pneus | 215/55 R17 |
| Estepe | kit de reparo |
| AERODINÂMICA | |
| Coeficiente aerodinâmico (Cx) | n.d. |
| Área frontal (calculada) (m²) | n.d. |
| Área frontal corrigida (m²) | n.d. |
| CONSTRUÇÃO | |
| Carroceria | Monobloco de aço, sedã, 4 portas, 5 lugares, subchassi dianteiro |
| CAPACIDADES (L) | |
| Porta-malas | 450 |
| Tanque de combustível | 48 |
| PESOS (kg) | |
| Em ordem de marcha | n.d. |
| Carga útil | n.d. |
| DIMENSÕES (mm) | |
| Comprimento | 4.780 |
| Largura sem/com espelhos | 1.837 / n.d. |
| Altura | 1.495 |
| Distância entre eixos | 2.718 |
| DESEMPENHO | |
| Aceleração 0-100 km/h (s) | 7,3 |
| Velocidade máxima (km/h) | 185 |
| CONSUMO DE COMBUSTÍVEL INMETRO/PBEV | |
| Cidade (km/l) | n.d. |
| Estrada (km/l) | n.d. |
| GARANTIA | |
| Veículo | 6 anos sem limite de km para sistema elétrico de baixa tensão, motor e chassi |
| Bateria | 8 anos sem limite de km |
| CONTEÚDO DE SÉRIE BYD KING GS DM-i HYBRID PLUG-IN |
| SEGURANÇA |
| Alarme antifurto |
| Assistente de partida em rampa |
| Aviso sonoro de qualquer cinto de segurança desatado |
| Bolsas infláveis dianteiras, laterais e de cortina |
| Controle eletrônico de estabilidade e tração |
| Engates Isofix para dois bancos infantis com pontos de fixação superior |
| Faróis tipo Full LED com acendimento por sensor crepuscular com regulagem de altura |
| Freios com ABS, distribuição eletrônica das forças de frenagem e assistência a frenagem de emergência |
| Imobilizador de motor |
| Luzes de rodagem diurna/ luzes de posição de LED |
| Luz de neblina traseira |
| APARÊNCIA |
| Lanternas traseiras de LED |
| Para-choques pintados na cor do veículo |
| Roda de liga de alumínio aro 17 com face diamantada |
| Volante multifuncional com revestimento premium |
| CONFORTO E COMODIDADE |
| Acendimento automático dos faróis por sensor crepuscular |
| Acionamento elétrico de todos os vidros |
| Ajuste do volante de direção em altura e distância |
| Alça de teto para três ocupantes |
| Ar-condicionado com controle automático em duas zonas |
| Banco traseiro com encosto rebatível 30:70 e descansa-braço central com porta-copos |
| Banco do motorista com ajustes elétricos |
| Câmbio automático do tipo e-CVT |
| Câmera de ré |
| Computador de bordo (informações do veículo, viagem e consumo) |
| Console central com descansa-braço |
| Controlador de velocidade de cruzeiro |
| Controles de áudio e telefone no volante |
| Desembaçador elétrico do vidro traseiro |
| Direção eletroassistida indexada à velocidade |
| ENTRETENIMENTO |
| Antena impressa no vidro traseiro |
| Espelhos retrovisores externos elétricos com repetidoras de setas, carcaças na cor do veículo e rebatimento automático |
| Iluminação no porta-luvas e porta-malas |
| Interruptor para inibir a bolsa inflável do lado do passageiro (com indicação visual) |
| Luz de afastamento do veículo por permanência dos faróis ligados por um período de tempo após travamento das portas |
| Luz de aproximação do veículo por acendimento automático de faróis e lanternas ao destravar as portas pelo controle remoto |
| Luzes individuais de leitura para motorista e passageiro |
| Modo de condução 100% elétrico – EV |
| Modo de condução híbrido inteligente |
| Modos de condução: Eco, Normal, Sport |
| Pacote de luz ambiente |
| Para-sóis com espelho, tampa e iluminação |
| Partida por botão com chave presencial |
| Porta-copos para bancos dianteiros no console central |
| Quadro de instrumentos digital de cristal líquido em cores e configurável |
| Sensor de estacionamento traseiro, lateral e dianteiro |
| Sistema multimídia de 12,8? com integração para smartphones através do Android Auto e Apple CarPlay com fio, comandos de voz, Rádio AM/FM, função áudio streaming, Bluetooth, entrada USB e navegador com GPS integrado |
| Tomada de 12 V no console central |
| Trava elétrica da portinhola do bocal do tanque de combustível e tomada de carregamento |
| Trava elétrica das portas com acionamento na chave |
| USB – 2 portas para passageiros do banco traseiro e uma para dianteiro |
| Cores exterior – Branco, Cinza, Azul e Preto |
| Cores interior – Cinza Claro e Preto |
