Na Dacia, cada era teve seu modelo icônico. O Logan permitiu que inúmeras famílias pudessem ter acesso ao seu primeiro carro novo. O Duster, por sua vez, possibilitou que outros tantos lares tivesse acesso ao suve. Com o Spring, a marca romena enfrentou outro desafio: possibilitar o ingresso aos veículos elétricos para um público muito mais amplo.
No seu lançamento em 2021, o Spring tinha como objetivo tornar a mobilidade elétrica mais abrangente. Cinco anos depois, mais de 210.000 clientes em mais de quarenta países confirmaram a relevância desta abordagem, tornando a Spring um dos símbolos da acessibilidade dos carros elétricos na Europa.

Esse cenário perdurou até meados de 2023, quando a França e a Europa decidiram, quase simultaneamente, restringir seus subsídios para a compra de carros elétricos fabricados somente no continente, relegando o Spring, produzido em Shiyan, na China, a um papel secundário. Nem mesmo duas atualizações contribuíram para elevar as vendas do compacto elétrico da marca romena.
Adeus China
Para contornar esse quadro de barreiras impostas pela União Europeia a carros elétricos produzidos em outras localidades, em especial a China, foi o momento oportuno para a Dacia revelar a segunda geração do Spring.
O novo Spring é o primeiro de quatro modelos elétricos inéditos que a Dacia planeja lançar até o final da década. O veículo também marca uma mudança importante para a marca, desta vez a Dacia transferiu a produção da China para a Europa, com o novo Spring sendo produzido na fábrica do Grupo Renault localizada na cidade de Novo Mesto, na Eslovênia. O local também e responsável pela produção do Renault Twingo E-Tech.

Mesmo adotando um novo arcabouço, a produção concentrada na Europa, além de uma evolução significativa em tamanho e conteúdo, a Dacia pretende preservar justamente a característica que tornou o Spring conhecido, o preço competitivo.
Os valores começam em 17.900 euros (R$ 107 mil) para a versão Expression e chegam a 19.400 euros (R$ 119 mil) para a versão Journey. Preços em conversão direta, antes dos incentivos oferecidos nos diferentes mercados europeus. As primeiras unidades começam a chegar às concessionárias no início de 2027.
Estilo geométrico com toque de robustez
A diferença mais evidente entre a modelo de segunda geração e o antigo Dacia Spring reside nas dimensões. O modelo atualizado, a carroceria cresce em todas as dimensões, passando de 3.700 para 3.850 mm de comprimento (+150 mm) e de 1.560 para 1.740 mm de largura (+180 mm). O entre eixos agora é de 2.492 mm (+ 70 mm).

O resultado é um carro visualmente mais robusto, com uma frente alta e vertical, arcos de roda mais pronunciados e faixas pretas que conectam os faróis e as lanternas traseiras. O estilo está em consonância com os atuais modelos Dacia mais recentes, especialmente a camioneta Striker. Uma faixa preta também separa visualmente o teto da carroceria. As rodas deixam de ser 14 polegadas, agora sendo oferecidos as opções de aço aro 15 e 16 polegadas, sempre com calotas.

O aumento das dimensões externas também foi estendido ao interior. Os bancos estão mais largos. Entre as novidades, destacam-se os bancos com ajuste de altura e o volante com regulagem de altura e distância. Na parte traseira, são mantidos dois bancos, mas agora eles são muito mais amplos, passageiros contam mais espaço para a cabeça e as pernas.

A Dacia também priorizou o espaço no porta-malas, agora o novo Spring oferece 337 litros (+47 litros), além de outro compartimento rebaixado e de fácil acesso sob o piso a qual a Dacia não informou sua capacidade. Ao rebater o banco traseiro bipartido a capacidade aumenta para 1.283 litros. Um compartimento opcional de 18 litros sob o capô oferece espaço adicional para o cabo de carregamento e outros itens pequenos.

No entanto, ao contrário do Twingo E-Tech, aqui não existe um banco traseiro deslizante, o que nos permitiria ter mais espaço para passageiros ou capacidade do porta-malas, dependendo das nossas necessidades; o banco traseiro é fixo numa posição intermediária.

Referente as cores, a Dacia seguiu a regra da simplicidade, o novo Spring está disponível em quatro cores: Agave, cinza Schist, preto Diamond e branco Glacier.
Habitáculo espaço e funcional
A renovação permanece no interior. O quadro de instrumentos passa a contar com uma tela de 7 polegadas e que permite ao motorista personalizar a exibição para visualizar as informações desejadas. A Dacia manteve os práticos e intuitivo comandos giratórios para o ar-condicionado, botões dedicados no painel e comandos para no volante.

Outra mudança foi a alavanca seletora de movimento, que migrou do console central para a coluna de direção, que combinado comando do freio de estacionamento agora com assistência elétrica, possibilitaram um melhor espaço no console central. Agora o habitáculo conta com 20 litros de compartimentos de arrumação distribuídos por todo o seu perímetro, sendo que mais de 13 estão alocados na dianteira.

Referente a conectividade, o Dacia Springer oferece duas soluções: o Media Control e Media Nav Live. De série na versão Expression, o Media Control é um sistema multimídia com comandos no volante que exibe informações de mídia e chamadas telefônicas no quadro de instrumentos digital.
Os dados podem ser executados por intermédio de um aplicativo gratuito da própria Dacia, agora com nova interface, possibilitando assim que os motoristas possam gerenciar funções de rádio/mídia e acessar outros recursos diretamente pelas telas de seus telefones celulares.

Um suporte seguro e ergonômico para telefone celular está disponível na parte central superior do painel. No Novo Spring, o Media Control pode ser utilizado no formato vertical (retrato).
O sistema Media Nav Live, de série na versão Journey, conta com uma tela tátil central de 10,1 polegadas e espelhamento de smartphone sem fio via Android Auto e Apple CarPlay. Inclui também 8 anos de navegação conectada, com dados de trânsito em tempo real e mapas da Europa continuamente atualizados.

Sinergia do Grupo Renault
A segunda geração do Spring utiliza o arcabouço RG-EV, a nova arquitetura é a mesma empregada pelo Renault no Twingo E-Tech e permitiu à Dacia desenvolver o Spring em apenas 16 meses, aproveitando componentes e soluções já criados pelo Grupo Renault.

A parte mecânica tornou-se mais racional ao oferecer somente com uma opção de potência Posicionado no eixo dianteiro, o motor entrega potência de 82 cv e 17,5 m·kgf de torque. O conjunto é alimentado por uma nova bateria LFP (fosfato de ferro-lítio) de 27,5 kW·h e que proporciona alcance homologado de 250 km (WLTP).
Mesmo com o aumento nas dimensões, o Spring permanece relativamente leve para um veículo elétrico, pesando 1.216 kg (antes 977 kg). A Dacia declara consumo de 12,7 kW·h a cada 100 km, velocidade máxima de 130 km/h e aceleração de 0 a 100 km/h em 12,1 segundos.

Todos os Springer contam de série com um carregador de bordo de 6,6 kW (CA), o veículo carrega de 15% a 80% em 9 horas em uma tomada doméstica. Utilizando uma tomada reforçada, o carregamento de 15% a 80% leva 5 horas e 40 minutos; com um wallbox de 7 kW, o tempo cai para apenas 2 horas e 55 minutos.
O pacote de carregamento rápido inclui um carregador de 11 kW (CA) e um carregador de 50 kW (CC), reduzindo o tempo necessário para carregar de 15% a 80% para apenas 1 hora e 55 minutos com um wallbox trifásico de 11 kW ou um ponto de recarga de 22 kW.

O carregador de 50 kW (CC) possibilita o uso de pontos de recarga rápida, permitindo carregar de 15% a 80% em apenas 28 minutos. Como opcional, novo Spring oferece a tecnologia V2L (Vehicle-to-Load ou veículo para comsumo).

Segundo a Dacia em seu comunicado, dados coletados dos proprietários da primeira geração do Dacia Spring, foi demonstrado que eles percorriam uma média de apenas 34 km por dia, com 75% da carga realizada em casa. Em outras palavras, a bateria relativamente pequena não representa necessariamente um ponto negativo para o público-alvo, já que o veículo é utilizado para curtos deslocamentos e atividades de lazer cotidianos.
AN
