A 6 Horas de Fuji, sexta etapa do Campeonato Mundial de Resistência da FIA (FIA-WEC), entregou exatamente aquilo que se espera de uma prova de longa duração: estratégia, mudanças de posição, condições variáveis e decisões que só revelam seu verdadeiro valor quando a bandeira quadriculada está próxima. Nesta madrugada brasileira deste domingo (27), duas dessas decisões mudaram completamente o resultado da corrida.

De um lado, a Toyota conquistou diante de sua torcida uma vitória que, poucas voltas antes, parecia improvável. Do outro, Augusto Farfus fechou uma corrida de recuperação da BMW Team WRT com uma sequência de ultrapassagens nos minutos finais para vencer a LMGT3. Foram 72.326 espectadores no Fuji Speedway para acompanhar duas disputas decididas praticamente na bandeirada.

Toyota: uma vitória construída na estratégia
Durante as primeiras cinco horas, tudo indicava uma dobradinha da Alpine. Os dois A424 partiram da primeira fila e controlaram boa parte da corrida, enquanto a Toyota TR010 nº 8, de Ryo Hirakawa, Sébastien Buemi e Brendon Hartley, chegou a enfrentar dificuldades e ocupava apenas a sexta posição.
A situação mudou quando o McLaren nº 58 da Garage 59 sofreu um forte acidente a menos de uma hora para o final da prova. O piloto Finn Gehrsitz saiu ileso, mas a entrada do Safety Car reorganizou completamente o pelotão. Foi nesse momento que a Toyota decidiu apostar: enquanto os concorrentes entravam nos boxes, a equipe japonesa optou por não trocar os pneus do nº 8 e fez apenas um reabastecimento curto. Hirakawa voltou à pista na frente dos adversários que haviam adotado uma estratégia mais conservadora trocando pneus.

A decisão ganhou ainda mais importância quando começou a cair uma chuva leve. A BMW também manteve pneus usados no nº 15 de Dries Vanthoor, enquanto a Alpine colocou pneus novos no carro nº 36, de Victor Martins. Quando o Safety Car deixou a pista, faltavam aproximadamente 20 minutos.

E começou outra corrida.
Martins avançou rapidamente, passou Marco Sørensen e depois Vanthoor. Com pneus novos, o Alpine nº 36 passou a descontar a diferença para Hirakawa volta após volta. Parecia apenas uma questão de tempo até que o Toyota fosse alcançado.
Mas Hirakawa estava em casa.
O piloto japonês resistiu à pressão do Alpine e levou o Toyota nº 8 à bandeirada com apenas 0,591 segundo de vantagem sobre Martins. Foi a menor diferença registrada no WEC entre carros de dois fabricantes diferentes na categoria principal.

Foi também a décima vitória da Toyota em Fuji, a primeira da marca no circuito desde 2023. Para Hirakawa, Buemi e Hartley, foi a segunda vitória da temporada (já haviam vencido em Imola) e o resultado colocou o trio na liderança do campeonato de pilotos.
A Toyota já havia vencido a 24 Horas de Le Mans deste ano, mas com o carro nº 7, de Mike Conway, Kamui Kobayashi e Nyck de Vries. Em Fuji, foi a vez do nº 8 voltar ao topo, justamente diante da torcida japonesa.

Farfus: “quando chega a hora, é preciso atacar”
Se a vitória da Toyota foi decidida pela estratégia e pela defesa de Hirakawa, a da BMW Team WRT na LMGT3 teve outro protagonista: o brasileiro Augusto Farfus.
O BMW M4 LMGT3 nº 32 começou a corrida apenas na 14ª posição, mas a prova foi sendo construída durante as horas seguintes pelos dois companheiros de Farfus, Darren Leung e Sean Gelael. Os dois fizeram turnos consistentes e sem erros, levando o BMW novamente para a disputa pelas primeiras posições.

Quando chegou a vez de Farfus assumir o volante, porém, ainda não parecia haver uma vitória à vista. A intervenção do Safety Car provocada pelo acidente do McLaren nº 58 voltou a embaralhar o pelotão e, na relargada, o brasileiro estava apenas em sexto.
Foi então que começou a recuperação.
Farfus acelerou o ritmo e, em poucas voltas, passou pelo Porsche nº 92, pelo McLaren nº 10 e pelo Ford Mustang nº 77. Depois foi buscar Nicky Catsburg, do Corvette nº 33, ganhando mais uma posição. Restava Charlie Eastwood, no Corvette nº 34 da Racing Team Turkey by TF, vencedor da 6 horas de São Paulo.
O brasileiro chegou ao Corvette e partiu para o ataque na curva 10. A ultrapassagem aconteceu a menos de 10 minutos da bandeirada e colocou o BMW nº 32 na liderança da LMGT3.
Mas ainda não era hora de comemorar.
Mattia Drudi, no Aston Martin nº 27, também avançou e passou a pressionar Farfus. Com pouco tempo restante, o brasileiro precisou administrar pneus, ritmo e a pressão do adversário até a bandeirada.
A diferença final foi de apenas 1,062 segundo entre o primeiro e segundo colocados após 6 horas de prova.
Uma vitória de três pilotos
A imagem final é de Augusto Farfus cruzando a linha de chegada na frente, mas a vitória foi construída pelos três pilotos da BMW Team WRT. Darren Leung e Sean Gelael fizeram o trabalho durante seus turnos e entregaram a Farfus um carro em condições de disputar a vitória. Quando recebeu a responsabilidade pelo trecho final, o brasileiro aproveitou a oportunidade.

Depois da prova, Farfus destacou justamente o trabalho dos companheiros e reconheceu que a estratégia e os pneus novos lhe deram uma oportunidade que precisava ser aproveitada.
“É corrida, então você precisa partir para a ultrapassagem quando existe uma oportunidade”, resumiu o brasileiro, classificando seu último turno como um dos melhores de sua carreira.
O resultado foi a primeira vitória do trio Farfus, Gelael e Leung na temporada e manteve a sequência de seis vencedores diferentes na LMGT3 nas seis primeiras etapas do campeonato.
Augusto Farfus é piloto oficial da BWM e tem estado presente em muitos eventos da marca no Brasil
Um final à altura de Fuji
Seis horas de corrida e tudo decidido nos minutos finais. Em Fuji, a Toyota venceu diante de sua torcida depois de uma estratégia ousada, enquanto Augusto Farfus transformou o trabalho construído durante horas por seus companheiros de equipe numa ultrapassagem decisiva a poucos minutos da bandeirada.

Foi daquelas corridas em que o automobilismo mostra por que não se trata apenas de velocidade. É preciso saber esperar, preservar, atacar no momento certo e, quando a oportunidade aparece, não a deixar escapar.
GB
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