Quarenta e oito horas após a vitória de Kimi Antonelli no GP da Espanha (foto de abertura) segue praticamente impossível encontrar alguma declaração elogiosa ao mais novo circuito do automobilismo mundial. A pista de 5,4 km foi inaugurada sem ter recebido qualquer outro evento e seu traçado definido por 22 curvas e, de acordo com os pilotos, praticamente não tem um ponto de ultrapassagem. Não surpreende, portanto, que a competição tenha sido classificada como “a mais chata da temporada” por entusiastas que acompanharam 1h34’23”754 de prova na qual o vencedor, e agora líder mais folgado do campeonato, desenvolveu a média horária de 196,024 km/h. Vale mencionar que Lando Norris, atual campeão mundial, garantiu a pole com a marca de 1’33”469, equivalente à 212,258 km/h.

Pode-se dizer que nem a alta velocidade média contribuiu com disputadas emocionantes. A liderança mudou de mãos duas vezes: Norris comandou a corrida até a 15ª volta, quando parou no box e permitiu que Charles Leclerc assumisse a posição, onde permaneceu até a 46ª. Em seguida Kimi Antonelli passou a mostrar o caminho para os 18 concorrentes que ainda estavam na competição. Entre as desistências vale mencionar Lewis Hamilton, que abandonou por problemas de freios após meras seis voltas.
A pista aproveita o mapa viário do distrito de Barajas, uma das 21 regiões administrativas de Madrid e onde está localizado o Aeroporto Adolfo Suárez, por onde passam mais de 61 milhões de passageiros por ano.

De forma a montar um circuito semipermanente foram exploradas áreas livres para formar o traçado final e aqui parece estar o que motivou declarações nada abonadoras como a de Gabriel Bortoleto: “Eu quase dormi (durante a prova)…”
O atual campeão mundial Lando Norris sugeriu que as curvas 18 e 19 poderiam ser eliminadas para criar uma zona de ultrapassagem “semelhante às curvas 1 e 0 do circuito de Austin.

George Russell mencionou que a frustração maior é a ausência de pontos de ultrapassagem e “em todas as pistas a reta de largada sempre leva à uma situação que favorece ultrapassagens.

(Foto: Red Bull)
Aqui ela termina em algo parecido com uma rotatória das mais lentas”. Sempre cirúrgico em seus comentários, Max Verstappen não escondeu sua opinião:
“Eu não gosto de circuitos de rua, sempre vou preferir pistas como Spa-Francorchamps. Eles fizeram um bom trabalho, mas em um circuito de rua você anda sempre a 95% porque o traçado está sempre surpreendendo…”

Em tempos não muito distantes era mandatório fazer uma corrida extracampeonato para homologar o autódromo para a F-1. Interlagos e Buenos Aires são exemplos relativamente recentea. A famigerada e onipresente dicotomia de gastos maiores e redução de custos impede que isso aconteça com um GP amistoso, mas nem mesmo a utilização de simulações cada vez mais precisas permitem garantir que o novo circuito seja transformado naquilo que todos esperam de uma pista de corridas. O GP da Espanha, em Madring, está garantido no calendário do campeonato até 2035. Sem dúvida um período longo o suficiente para reverter a decepção da sua estreia. O resultado completo dessa prova e a classificação atual do campeonato você encontra aqui.
WG
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