É com profundo pesar que a indústria automobilística global se despede de Bruno Hohmann, falecido precocemente aos 46 anos, ontem na França, em decorrência de grave problema de saúde. Executivo brilhante, líder admirado e figura humana extraordinária, Hohmann deixa um legado de retidão, competência e paixão pelo setor automobilístico, além de uma trajetória inspiradora que começou nos bancos acadêmicos do Paraná e alcançou o topo da engenharia e gestão global.
Nascido em Curitiba, PR em 24 de outubro de 1980, Bruno Hohmann sempre uniu a precisão técnica ao olhar humano e estratégico. Formou-se em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), instituição onde também concluiu seu Mestrado focado em Motores de Combustão Interna, realizado em parceria com o prestigiado Instituto Francês do Petróleo. Essa base acadêmica sólida abriu-lhe as portas para uma jornada de mais de duas décadas de dedicação ao Renault Group, onde ingressou inicialmente como estagiário.
Sua ascensão no mundo corporativo foi marcada por passagens internacionais e desafios de alta complexidade. Atuou como diretor de Marketing na Renault Colômbia e diretor de Operações na Holanda. Entre 2018 e 2020, em Paris, exerceu o papel estratégico de chefe de Gabinete do executivo-chefe global do Renault Group, demonstrando sua habilidade de trânsito e liderança nos mais altos escalões da matriz.
Ao retornar ao Brasil como vice-presidente Comercial da Renault (2020–2023), liderou com maestria a transição da marca no país sob o plano estratégico Renaulution, consolidando lançamentos importantes e fortalecendo a rede de concessionários com seu estilo de gestão pautado pela proximidade e diálogo. Seu sucesso no mercado sul-americano o levou de volta à França, primeiro como vice-presidente Global de Vendas da marca Renault e, mais recentemente, em janeiro de 2026, como vice-presidente Global de Vendas, Marketing e Experiência do Cliente da icônica marca de carros esportivos Alpine.
Eu e Fernando Calmon o conhecemos no lançamento do Renault Logan no Rio de Janeiro em abril de 2007, no qual ele cuidou da apresentação técnica com tal precisão, mesmo sem os recursos audiovisuais atuais, que vimos nele a competência para chegar ao topo na Renault. Mas não deu tempo.
Bruno Hohmann não será lembrado apenas pelos números e cargos de destaque que alcançou, mas, acima de tudo, pelo impacto positivo que deixou nas pessoas ao seu redor. Colegas de profissão e amigos são unânimes em descrevê-lo como um profissional ético, um líder inspirador e um amigo leal, cuja partida deixa uma lacuna imensa na comunidade automobilística e nos corações de todos que tiveram o privilégio de com ele conviver.
O AUTOentusisas expressa as maiores condolências à Renault, aos seus colegas, a todos que o admiravam e, principalmente, à sua esposa e aos seus dois filhos.
BS
