Para celebrar o sexagésimo aniversário de lançamento do Fiat 124, o Heritage Hub, museu dedicado preservar os carros e a história das marcas italianas que hoje compõem o Grupo Stellantis, exibe a exposição “Mi chiamo Fiat 124” (“Meu nome é Fiat 124”). Mostra localizada na Via Plava, em Turim, ficará aberta ao público até o dia 30 de novembro.

O Fiat 124 fez sua estreia no Salão de Genebra, em março de 1966. Tratava-se de um sedã moderno e racional destinado a se tornar um dos modelos mais importantes da história da marca de Turim.
A exposição traça a linha histórica por meio de cinco modelos icônicos pertencentes à coleção do grupo italiano, acompanhados por uma seleção criteriosa de documentos originais da época.
Racional e moderno
Desenvolvido sob a direção técnica de Dante Giacosa, o Fiat 124 apresentava uma fórmula que parecia simples, mas que se revelou extremamente eficaz. O sedã com seus 4.030 mm de comprimento e entre-eixos de 2.420 mm combinava uma mecânica robusta com soluções técnicas avançadas para a sua classe.

Um dos destaques técnicos residia sob o capô, o motor de quatro cilindros de 1.197 cm³, concebido por Aurelio Lampredi (criador dos motores Ferrari V-12 de grande cilindrada e do motor Fiat de 1.049 cm³ que estreou no Fiat 147 em 1976), fornecia 60 cv e contava com um virabrequim de cinco mancais. Com um peso de ordem de marcha de apenas 855 kg, aliado à suspensão traseira de eixo rígido com molas helicoidais e amortecedores telescópicos, garantiam ao modelo um excelente desempenho e uma condução confiável nas estradas.
A síntese focada na praticidade e inovação conquistou rapidamente o público e a imprensa especializada, a ponto de obter o título de “Carro do Ano de 1967”.
Modelo versátil
A exposição destaca além de tudo a grande versatilidade do modelo, capaz de se adaptar aos desafios mais extremos e às variações esportivas mais refinadas. Ao lado do Fiat 124 sedã, a variante que deu origem à família, o local apresenta um dos 124 Specials que participaram do “Raid of the Two Capes” (Reide dos Dois Cabos).

Organizado em colaboração com a revista Quattroruote, a expedição de 1970 viu três carros viajarem da Cidade do Cabo ao Cabo Setentrional, percorrendo mais de 40.000 quilômetros em 51 dias, atravessando três continentes. Desertos, estradas acidentadas, pontes precárias e distâncias extremamente longas testaram tanto as equipes quanto os carros, transformando a expedição em uma extraordinária demonstração prática da confiabilidade do 124.
O mesmo arcabouço também foi capaz de evoluir para versões que destacavam o lado mais esportivo da família 124. Isso é exemplificado pelos outros três veículos apresentados na exposição, começando pelo Fiat 124 Sport Spider, projetado pela Pininfarina e apresentado no Salão de Turim de 1966.

Embora não tenha sido concebido para competição, seu potencial esportivo foi logo reconhecido por pilotos particulares, que começaram a disputar inúmeras provas com o modelo. O Fiat 124 Sport Coupé, projetado pelo Centro Stile Fiat e apresentado no Salão do Automóvel de Genebra de 1967, interpretou a mesma fórmula com um foco maior em desempenho, também graças ao seu potente motor de duplo comando de válvulas e cinco mancais, que foi atualizado ao longo dos anos com cilindradas e potências crescentes.

Finalmente, o percurso da exposição guia ao Fiat Abarth 124 Rally, a evolução de competição do Sport Spider que trouxe o nome Fiat à vanguarda do automobilismo internacional na década de 1970. Homologado no Grupo 4 do Anexo J ao Código Desportivo internacional da Federação Internacional do Automóvel (FIA), tornou-se um dos principais carros de rali, alcançando resultados importantes nos campeonatos italiano, europeu e mundial da modalidade.
O Grupo 4 definia carros de grã-turismo especiais com produção mínima de 25 unidades idênticas em 12 meses consecutivos.
Legado que ultrapassou fronteiras
O legado do 124 foi muito além das fronteiras da Itália. Sua fórmula simples, robusta e adaptável possibilitou um importante sucesso internacional, tornando-o um dos primeiros verdadeiros “carros globais”.
O modelo foi produzido sob licença em mercados-chave: na Espanha pela SEAT (SEAT 124), União Soviética pela LADA-VAZ (VAZ-2101), Tofas na Turquia (124 Murat) e pela Premier na Índia (Premier 118NE). Ao longo de seus 40 anos de trajetória, a família 124 ultrapassou a marca recorde de 20 milhões de unidades vendidas em todo o mundo.

A produção da Fiat, sozinha, ultrapassou 1,5 milhão de unidades, incluindo mais de um milhão de sedãs. Esses números refletem não apenas o sucesso de um carro, mas também uma visão de mobilidade global e acessível que há muito faz parte da história da marca e continua a moldar sua estratégia internacional até os dias de hoje.
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