Chuva à parte, o GP do Bahrein, disputado no fim de semana em Sepang (Indonésia) por causa da guerra promovida pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, tem tudo para ser lembrado como um divisor de águas na temporada 2026 da F-1. A mais evidente é o amplo ineditismo da vitória de Max Verstappen e da Red Bull (foto de abertura), enquanto a unidade híbrida de potência atual pregou mais uma de suas peças. A presença de três marcas diferentes no pódio e seis entre os Top 10 indica que o equilíbrio de forças da categoria parece viver um momento de transição.

Como eu disse na coluna da semana passada, ao terminar os GPs do Azerbaijão e da Espanha em segundo lugar o holandês Max Verstappen elucidou o motivo de ter optado por seguir com a Red Bull até o final do seu contrato atual. A vitória em Sepang confirma isso e marca o primeiro triunfo do motor projetado pela equipe e em parceria com a Ford. O fato de Isack Hadjar ter ficado em quinto ligar após o terceiro lugar em Baku, consolida essa análise.

De volta à ativa após ter ficado ausente do box no Azerbaijão, Toto Wolff amargou um resultado aquém do que esperava: Kimi Antonelli não conseguiu manter a primeira posição assumida após uma excelente largada e George Russell colecionou um novo abandono por problemas coma unidade de potência. Se o italiano ainda lidera com relativa folga, pois acumula 302 pontos, contra 236 do seu companheiro de equipe, 199 de Lewis Hamilton, 186 de Lando Norris, 179 de Charles Leclerc e 163 de Verstappen. Dificilmente o título de 2026 escapará de um deles.

Além da dobradinha Verstappen Red Bull, a Ferrari também mostra sinais de melhoras. A Scuderia se mantém no segundo lugar entre os construtores — acumula 378 pontos, 160 a menos que a líder Mercedes — e é seguida pela McLaren (306) e Red Bull (263). O histórico currículo de crises que caracteriza o time italiano, porém, é sempre lembrado, mesmo com Lewis Hamilton e Charles Leclerc terem terminado em terceiro e quarto, respectivamente.
Cabe lembrar que Hamilton foi uma das primeiras vítimas do problema técnico que marcou a corrida em Sepang. A chuva que atrasou a largada gerou uma falha no gerenciamento do motor elétrico da unidade de potência, pane que afetou carros de outros times. A Federação Internacional do Automóvel (FIA) reescreveu, às pressas, o código eletrônico correspondente, mas Nikolas Tombazis, responsável pelo diretor de monopostos da entidade, admitiu que o problema pode voltar a se repetir em situações climáticas semelhantes. Um problema que, definitivamente, só deverá ser eliminado com o novo regulamento que entrará em vigor em 2030.

A completar a visão de redistribuição de forças destaque-se o oitavo lugar de Fernando Alonso e seu Aston Martin-Honda. Obviamente, as inusitadas condições climáticas colaboraram para isso, mas o espanhol e sua equipe tiveram equipamento para tirar proveito da situação e mostraram a evolução do motor Honda. Os top 10, a presença de dois McLarens (Piastri em sexto e Norris em nono), e dois Racing Bulls (Lawson em sétimo e Lindblad em em décimo) completam a análise da corrida em que Gabriel Bortoleto se destacou ao chegar ao Q1, ao garantir o décimo lugar no grid, mas sem ter condições para manter rendimento equivalente durante as 55 voltas da prova.
O resultado completo do GP do Bahrein você encontra aqui.
Guerra não altera calendário
A temporada da F-1 deste ano vai encerrar conforme o previsto, ou seja, os dois últimos GPs — no Catar (29/11) e em Abu Dhabi (6/12) — foram confirmados por Stefano Domenicali, executivo maior da Liberty Media, empresa que detém os direitos comerciais da categoria. Mesmo assim, em Ímola (Itália) seguem os preparativos para receber a F-1 em caso de emergência.
WG
A coluna “Conversa de pista” é de exclusiva responsabilidade do seu autor.

