Não esqueço dessa frase do titulo em espanhol, dita pelo argentino Carlos Funes, comissário técnico contratado pela CBA para as corridas de F-1 no Brasil. Fiz parte da equipe de vistoriadores, umas dez pessoas sob seu comando, uma pessoa educada, agradável, sobretudo competente.
Na nossa primeira reunião no autódromo, na semana da corrida, Funes nos deu diversas instruções relativas às nossa função e fez as várias recomendações de praxe, mas uma delas fugiu da nossa atuação, a tal frase na sua língua nativa, “não brincar de piloto” — com as dez picapes Chevrolet que a GM emprestou para a CBA para a logística do evento. Com isso ele quis dizer nada de correrias com as picapes. Todos entenderam.
Tenho certeza de que a adoção das borboletas pela indústria automobilística pera trocas de marchas dos câmbios automáticos ou robotizados — paddle shifters em inglês — foi para alegrar motoristas fazendo-os se sentirem pilotos.
Explicando melhor, foi o Ferrari 640 o primeiro carro de corrida dotado de câmbio robotizado de trocas de marchas por borboletas atrás do volante. O carro estreou no Grande Prêmio do Brasil de 1989, no Autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Venceu na estreia, com Nigel Mansell.
Mas havia dúvidas quanto à sua confiabilidade, inclusive do próprio Mansell, que marcou seu voo de volta para o Reino Unido para uma hora em que a corrida ainda estaria em andamento. Ele chegou a ir ao box para trocar o volante durante a prova devido a um defeito qualquer nele, felizmente uma troca rápida como conhecemos hoje.
Foi uma revolução no automobilismo que logo se impôs como padrão na F-1 e outras modalidades de automobilismo.
Então trocar marchas pelas borboletas passou da noite para o dia a ser “coisa de piloto”, por isso sua rápida aplicação nos carros de rua feita para ser um atrativo.
Gosto não se discute, mas acho mais racional e intuitivo trocar marchas pela alavanca do que pelas borboletas. Nos carros que dispõem dos dois tipos de comando do câmbio, invariavelmente escolho trocar marchas pele alavanca. O tempo com a mão direita fora do volante é mínimo, desprezível.
As trocas pela alavanca se resumem a toques rápidos nela para frente e para trás, em nada atrapalha e passa a sensação de se estar dirigindo um carro de câmbio manual, reproduz o “balé” de dirigir. Sempre dirigi assim carros de câmbio robotizado monoembreagem como o Dualogic, I-Motion e Easy’R.
Não preciso “brincar de piloto”.
BS
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