A matéria do Arquivo AE publicada em 29/10 último trouxe-me à lembrança uma solução de suspensão independente simples e eficiente, a em que a própria mola atua como um dos braços de controle. No caso, a mola constitui-se num feixe de molas semielípticas, mas que poderia ser também de lâmina única, chamada parabólica. São desse tipo as duas molas usadas na suspensão traseira de eixo rígido das picapes Ford Courier e Fiat Strada. Saveiro e Chevy 500 empregam outra solução, a de molas helicoidais, mas a VW utiliza eixo de torção e a Chevrolet, eixo rígido que é também o eixo motriz.
O braço de controle é o elemento que assegura o posicionamento, no chassi ou no monobloco, da manga de eixo e sua roda nas suspensões independentes, ou do próprio eixo quando este é rígido.
Nas picapes médias e grandes, de eixo traseiro motriz rígido, este é mantido na sua localização, tanto longitudinal quanto transveral, pelos dois feixes de molas semielípticas. O mesmo arranjo existe em automóveis como Ford Maverick e Dodge Dart. Essa suspensão se chama Hotchkis e é muito simples.
Porém, quando as molas são helicoidais é imprescindível haver braços de controle nos dois sentidos, como no Opala e Ford Galaxie, e em picapes como a Nissan Frontier. O braço de localização transversal tem o conhecido nome de barra Panhard.
O eixo de torção dispensa essa barra, sua construção estruturada garante a localização transversal da roda.
O BMW 328 de 1937 alvo da matéria citada (foto de abertura) tem esse arranjo de mola servir de braço de controle na suspensão dianteira e no texto é realçado seu atributo de ótimo comportamento em curvas. Aqui mesmo, o DKW-Vemag tinha o mesmo tipo de suspensão dianteira do BMW 328, conhecida pela eficiência combinada com robustez.

Seu único inconveniente era não haver previsão para ajuste do câmber, que era determindo pelo braço de controle triangular inferior e pela lâmina mestre do feixe, que fazia o papel de braço de controle superior. Seriam necessárias lâminas mestras de vários comprimentos, pois é ela que faz o papel de braço de controle superior, solução que simplicava bastante a construção. Esse ajuste seria possível caso o olhal da bucha silenciosa (silent bloc) do braço triangular tivesse um anel excêntrico como se vê hoje em carros mais sofisticados, tanto na suspensão dianteira quanto na traseira.
A fabricante do DKW, a Vemag, tinha forte departamento de competição e recursos, e contava com seu fornecedor de molas para produzir feixes de molas com lâmina mestra de diferentes comprimentos passar o câmber de positivo originalmente, para negativo.
Um carro que tinha essa solução na suspensão dianteira do BMW 328 e do DKW era o roadster inglês AC Ace 2-litros, de 1953, que nas mãos de Carroll Shelby se transformaria no icônico Shelby Cobra com motor Ford V-8, mas com suspensão dianteira por braços triangulares superpostos, solução mais apropriada quando se trata de elevados potência desempenho.
O feixe de molas nem sempre é superior, mas inferior também, como em muitos Fiat pequenos como o Nuova 500 de 1958, o 600 e outros.

Um exemplo de feixe de molas inferior tivemos aqui, o Fiat 147/Uno (acima). Sua suspensão traseria é indepentene McPherson com um feixe de molas transversal ligado aos dois braços de controle, outra solução de mola única que provou ser efcienente e robusta e que, no caso do Fiat permite ajuste de câmber e convergência.
BS
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