Por tudo que se viveu e foi visto no último fim de semana, em Melbourne, a temporada 2026 da F-1 promete ser das mais movimentadas na história da categoria. A dobradinha vitoriosa da equipe Mercedes no GP da Austrália, a Ferrari novamente disputando as primeiras posições, as excelentes estreias de Arvid Lindblad e da equipe Audi são alguns dos motivos para tanto. O campeonato prossegue no próximo fim de semana, em Xangai, onde será disputado o GP da China. Os dois GPs programados para abril, no Bahrein (12/4) e na Arábia Saudita (19/4) estão ameaçados de não se realizarem em decorrência da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.
A superioridade da Mercedes não surpreendeu ninguém: desde o ano passado circulavam rumores de que o novo motor M17 E seria o mais eficiente do novo regulamento adotado este ano. Apesar da vitória de George Russell e o segundo lugar de Kimi Antonelli, a casa alemã não tem o direito de sentir-se segura: o carro do italiano pre cisou ter trocada a unidade de potência antes da prova, situação que poderá afetar o inglês para o GP da China caso o mesmo problema ocorra no seu Mercedes.

As considerações sobre a Mercedes não param por aí. Andrea Stella (McLaren) e James Vowles (Williams) indicaram ter suspeitas que os motores alemães usados em seus carros não são exatamente iguais ao instalados nos carros de Russell e Antonelli. Nada a estranhar, especialmente porque nos últimos dois anos a McLaren venceu o campeonato de Construtores e seus carros andaram melhor que o da equipe alemã.

Não bastasse isso, o futuro da Alpine também resvala na Mercedes. Toto Wolff, o líder do time alemão, lembrou que a Alpine é uma parceira tecnológica e isso justifica o seu interesse sobre a possível venda de parte da equipe francesa. Atualmente a Renault detém 76% das ações da Alpine e os demais 24% estão nas mãos do grupo Outro Capital. O possível interesse de Christian Horner nesse negócio seria um catalisador eficiente em aumentar o interesse de Wolff, considera o inglês ex-Red Bull algo próximo de um inimigo mortal, em investir na escuderia francesa.

Na pista, o rendimento dos Ferrari de Charles Leclerc e Lewis Hamilton foi estonteantemente superior ao mostrado na temporada passada. O monegasco se alternou várias vezes com George Russell na liderança da corrida e terminou em terceiro, 0”625 à frente do companheiro de equipe inglês. Numa análise inicial tal desempenho coloca a Scuderia entre os principais nomes da temporada.

Arvin Lindblad, piloto inglês de apenas 18 anos e filho do sueco Stephen e da indiana Ahuja, estreou com o pé direito e levou seu Racing Bull VCarb 03 ao oitavo lugar, desempenho bastante superior ao do seu companheiro de equipe, o neozelandês Liam Lawson. Lindblad não se intimidou em disputar freadas e saídas de curva com pilotos mais experientes e deixou Melbourne com seu passe bastante valorizado.

Situação semelhante viveu o brasileiro Gabriel Bortoleto: na estreia da equipe Audi e do inédito Audi R26 ele chegou ao Q3 e terminou a corrida em nono lugar. Trata-se de um resultado bastante promissor e que conecta o time alemão nascido a partir da estrutura da Sauber a brevemente se tornar uma força do pelotão intermediário no primeiro ano da marca na F-1.
O resultado completo do GP da Austrália você encontra aqui.
WG
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