A primeira vitória do jovem Kimi Antonelli no GP da China quebra um jejum de décadas para os pilotos italianos: desde 2006, quando Giancarlo Fisichella triunfou na Malásia, nenhum outro italiano subiu ao degrau mais alto do pódio. A prova disputada domingo no Circuito Internacional de Xangai (foto de abertura) igualmente mostrou o presente desequilíbrio entre as 11 equipes que participam da temporada, que prossegue dia 29, no Japão. A pausa criada após a corrida em Suzuka com o cancelamento temporário dos GPs do Bahrein e Arábia Saudita, certamente será bem utilizada por engenheiros e técnicos ávidos em solucionar os problemas gerados com a nova regulamentação técnica implantada nesta temporada.

Na pista, a Mercedes confirmou sua superioridade a cada volta e se mantém invicta nas duas provas já disputadas este ano, Austrália e China. George Russell e Kimi Antonelli fizeram dobradinha, nessa ordem, em Melbourne. Em Xangai, eles repetiram esse resultado na corrida sprint disputada sábado e no domingo, o italiano superou o inglês, que segue liderando a temporada com 51 pontos, contra 47 do seu companheiro de equipe.
O fato de Charles Leclerc (34) e Lewis Hamilton (33) aparecem em seguida nessa tabela de pontos mostra o progresso da Ferrari em relação à desastrosa temporada de 2025. Um dos trunfos da Scuderia é a utilização de um turbo menor em relação à Mercedes e é uma solução que permite o monegasco e o inglês largarem melhor. Por causa das novas especificações da unidade de potência, a eficiência desse equipamento foi prejudicada nas largadas. A demanda de algumas equipes para alterar o procedimento de alinhamento e partida em aumentar de 5 para 10 segundos o apagar das luzes vermelhas foi, obviamente, rejeitada pela Scuderia.

No confronto direto com a Mercedes os carros vermelhos demonstram perder mais eficiência ao longo da corrida. O tempo médio de volta para Antonelli (1’39”921) comparado com o de Hamilton (1’40”372) indica a diferença de 0”45 a favor do primeiro a cada vez que eles percorriam os 5.451 metros do traçado chinês. Essa diferença pode ser explicada pelo melhor equilíbrio dos carros em termos de velocidade e desgaste dos pneus. O primeiro pódio de Hamilton pela Ferrari criou uma cena inusitada: o reencontro do inglês com seu antigo engenheiro Peter “Bono” Bonnington e o piloto que o substituiu na Mercedes, Kimi Antonelli.

Em situação oposta encontram-se a McLaren e a Red Bull. A atual bicampeã mundial entre os construtores tenta amenizar que a causa da queda de rendimento dos seus carros está na integração do motor Mercedes ao chassi MCL40. Já o time dos energéticos sofre com a dificuldade de manter os pneus aquecidos na temperatura ideal de funcionamento para o modelo RB22. A situação está crítica a ponto de Max Verstappen sequer disfarçar que o atual regulamento regrediu bastante no que diz respeito à importância dos pilotos. Certamente a anulação dos GPs no Bahrain e na Arábia Saudita por causa da guerra que envolve Estados Unidos, Irã e Israel dará tempo extra para os times corrigirem seus problemas.

Fato importante na análise da corrida em Xangai é sete dos 22 pilotos não terem concluído a prova, índice muito alto quando comparado às últimas duas temporadas. O lado crítico disso é que quatro sequer largaram: os dois McLaren de Lando Norris e Oscar Piastri, o Williams de Alex Albon e o Audi de Gabriel Bortoleto. Ficaram pelo caminho Lance Stroll, Fernando Alonso e Max Verstappen.

O piloto brasileiro sequer largou e lamentou a ausência numa corrida na qual ele considerava possível pontuar:
“Tivemos um problema técnico e ainda investigamos a causa. Era possível chegar nos ponto: teve o pessoal que rodou na primeira volta a gente sabe que a Williams, que marcou um nono lugar com Carlos Sainz, sofre muito com o ritmo da prova…”
O resultado completo do GP da China você encontra aqui.
WG
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