Comecei a escrever esta matéria ontem para dizer que chegou a hora da nossa indústria automobilística lançar modelos com motor a álcool. Com surpresa vi hoje de manhã notícia no Auto Papo de Boris Feldman que a GM lançará uma versão do Onix a álcool como ano-modelo 2027.
A imagem de abertura não é uma foto, mas uma criação minha por meio de IA para finalidade exclusivamente ilustrativa.
Considero momento certo por dois motivos. Um, a anarquia impera na gasolina que, a rigor, nem deveria mais ser assim chamada, já que de aditivo o álcool passou a protagonista faz tempo e está chegando muito perto da terça parte — pode superar se chegar 35% como o governo pretende. Sugiro que nas bombas dos postos se leia Fluido para Motores Otto. O outro motivo, o estado da arte da tecnologia de motores.
Hoje um motor a álcool não tem nada a ver com os produzidos até março de 2003, quando o motor flexível em combustível (“Flex “) apareceu no Gol 1,6. São altamente potentes e com consumo de motor a gasolina. Pessoas familiarizadas com o assunto asseguram que a Fiat/Stellantis já tem um motor a álcool com essas características pronto e validado há dois anos.
Tem mais. Atual tecnologia de gerenciamento de motores torna possível o funcionamento de um motor a álcool com gasolina em caráter emergencial com pequena redução de potência, de modo a evitar toda e qualquer preocupação do dono de um carro a álcool em não encontrar álcool.
Vale lembrar que a produção anual de álcool já chega a 37,5 bilhões de litros somadas as safras de São Paulo e Goiás (este de milho). Haverá ainda mais disponibilidade de álcool caso o governo decida voltar para a gasolina E25.
Como se vê, todos sairão ganhando — produtores de álcool, proprietários de carros mais antigos e de motocicletas e, obviamente quem tem carro flex e prefere abastecê-lo com gasolina.
Basta uma boa canetada.
BS

