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Home AG

REVENDO UM CATÁLOGO DA VW ALEMÃ DE 1965

NOVOS MOTORES, NOVOS MODELOS E NOVOS NOMES: UM RARO IMPRESSO DE AGOSTO DE 1965 REVELA COMO A VOLKSWAGEN APRESENTOU AO PÚBLICO UMA LINHA PROFUNDAMENTE RENOVADA

Alexander Gromow por Alexander Gromow
14/09/2026
em AG, Falando de Fusca & Afins
Volkswagen AG/Acervo Alexander Gromow — adaptação da imagem original para o formato horizontal

Volkswagen AG/Acervo Alexander Gromow — adaptação da imagem original para o formato horizontal



 

 



Alguns documentos chegam às nossas mãos por acaso. Outros percorrem um caminho que também merece ser contado.

Durante meu segundo estágio na Alemanha, entre 1989 e 1992, tive um grande amigo chamado Eberhard Schmidt, infelizmente já falecido. Seus pais eram acionistas da Volkswagen e, por essa condição, recebiam regularmente materiais enviados pela empresa: folhetos, catálogos, atas e relatórios anuais, entre outros documentos destinados aos acionistas.

Eberhard conhecia meu interesse pela história da Volkswagen. Quando sua mãe faleceu, separou para mim parte daquele material que havia sido guardado pela família ao longo dos anos. Assim, documentos produzidos em Wolfsburg e enviados originalmente a acionistas alemães atravessaram o Atlântico e passaram a integrar meu acervo no Brasil.

Vários deles já serviram de base para matérias desta coluna. Em 2018, por exemplo, apresentei na íntegra um catálogo de setembro de 1970 que mostrava um momento decisivo para a Volkswagen: ao lado dos tradicionais modelos arrefecidos a ar apareciam o novo VW 1302 e o K 70, com motor dianteiro, arrefecimento a água e tração dianteira.

O catálogo que veremos agora é anterior e constitui o penúltimo daquele conjunto que ainda não havia sido apresentado aos leitores. Produzido em agosto de 1965, ele traz na capa uma chamada formada por apenas três frases:

Neue Motoren — Novos motores
Neue Modelle — Novos modelos
Neue Namen — Novos nomes.

A foto de abertura desta matéria é uma adaptação horizontal da capa do catálogo alemão da Volkswagen de agosto de 1965. Os automóveis aparecem na célebre curva inclinada do campo de provas da empresa; entre eles, um Fusca equipado com teto solar de aço.

O formato do impresso faz parte de sua história. Dobrado, ele assume aproximadamente as dimensões de uma folha A4. Ao ser desdobrado uma primeira vez, chega ao formato A3. Aberto por completo, oferece ao leitor duas páginas A3 lado a lado, compondo uma grande página dupla em formato A2 — aproximadamente como um jornal aberto. Carros, fotografias de motores, interiores e textos publicitários atravessam a dobra central, produzindo um efeito visual muito mais amplo do que o de um catálogo convencional.

Não se tratava apenas de mostrar automóveis. A própria maneira de abrir o folheto conduzia o destinatário de uma provocação inicial à descoberta gradual das novidades. E elas eram numerosas: segundo a Volkswagen, havia novos motores, novos modelos e até novos nomes.

Mas o que havia mudado tanto na linha alemã para justificar uma apresentação tão enfática? É o que descobriremos ao abrir, depois de mais de seis décadas, este catálogo de agosto de 1965.

Antes da capa, uma provocação

Quem recebia o catálogo não encontrava imediatamente os automóveis em movimento mostrados na foto de abertura desta matéria. Dobrado, o impresso apresentava primeiro uma superfície inteiramente vermelha, com uma frase curta:

Hier kommen die großen Neuerungen von Volkswagen.

Aí vêm as grandes novidades da Volkswagen.

Face externa do catálogo. Quando a folha é completamente aberta, a chamada aparece de cabeça para baixo em relação ao texto inferior, consequência da maneira como o impresso foi concebido para ser dobrado. A dobra no catálogo é bem visível na foto (Volkswagen AG/Acervo Alexander Gromow)

A inversão da frase, portanto, não é um erro de impressão. Na posição em que o destinatário recebia e começava a abrir o material, a chamada podia ser lida normalmente. Somente quando a folha era estendida por completo se revelava a engenhosa disposição das duas faces.

Na parte inferior da mesma folha, a Volkswagen encerrava sua apresentação com outro convite:

Nossos novos modelos não fazem bonito apenas nos catálogos. Eles também fazem bonito nas ruas. Faça um test-drive no seu Concessionário VW.

A pequena linha impressa junto à borda inferior da página fornece a identificação precisa do documento: Volkswagenwerk Aktiengesellschaft, Wolfsburg, código 152 972 00, impresso na Alemanha, com alterações reservadas, 8/65. É ela que permite datar o catálogo em agosto de 1965.

Depois da provocação sobre as “grandes novidades”, uma nova abertura finalmente apresentava a capa principal.

Capa original do catálogo: quatro Volkswagen percorrem a curva inclinada do campo de provas da empresa. A chamada anuncia “Novos motores. Novos modelos. Novos nomes”. (Volkswagen AG/Acervo Alexander Gromow)

A mudança visual é marcante. A superfície vermelha, praticamente sem ilustrações, apenas despertava a curiosidade. Em seguida surgiam quatro automóveis vistos de cima, inclinados na famosa curva do campo de provas da Volkswagen. A posição dos carros, o desfoque e o enquadramento transmitiam movimento, enquanto as três frases prometiam alterações que iam da mecânica à própria organização da linha.

A partir daí, o catálogo abandonava o formato A4 que o destinatário tinha inicialmente nas mãos e começava a revelar suas grandes páginas duplas. Na primeira delas, a Volkswagen apresentava o automóvel que melhor sintetizava a ideia de novos motores e novos nomes: o VW 1300.

Abaixo, o vídeo (00:35) mostra o curioso sistema de abertura do catálogo alemão de 1965, dobrado de modo que a capa final seja vista antes da capa principal.

O VW 1300: novo motor, novo interior e novo nome

A primeira página dupla é dominada pela imagem lateral de um Fusca vermelho. À esquerda, a Volkswagen apresenta o automóvel com uma chamada que praticamente resume toda a página:

O VW 1300.
O VW com motor novo. Interior novo. E nome novo.

Páginas 2 e 3 do catálogo, dedicadas ao novo VW 1300. Além do automóvel completo, aparecem o motor de 1.300 cm³ e um detalhe dos bancos dianteiros. (Volkswagen AG/Acervo Alexander Gromow)

A tradução do texto da Volkswagen é a seguinte:

Ao abrir a tampa do motor, você descobrirá uma grande mudança.
Um motor mais potente, com 1.300 cm³ e 40 cv.
Ele faz do VW 1300 o Fusca mais veloz que já existiu. E também o mais forte. (Aclives de 44% não representam problema para ele.)
Mas esse aumento de potência não ocorre à custa da confiabilidade. Ele não foi obtido — como hoje é frequentemente comum — por meio de rotações elevadas, mas pelo aumento da cilindrada.
Passemos agora à nossa mais bonita modificação: o interior. Tudo foi mantido numa única cor. O revestimento lateral combina com o revestimento do assoalho; o revestimento do assoalho, com os bancos; e os bancos — que, mediante pagamento adicional, podem ser fornecidos em couro sintético permeável ao ar — combinam com o carpete do compartimento de bagagem.
Para perceber algumas das outras melhorias, é preciso olhar um pouco mais de perto:
O automóvel agora precisa ser lubrificado somente a cada 10.000 quilômetros, porque melhoramos o eixo dianteiro. No para-brisa você encontrará uma terceira saída de ar quente, para proporcionar melhor visibilidade. Os encostos dos bancos dianteiros podem ser travados, para que, numa frenagem repentina, a pessoa sentada atrás de você não o empurre contra o aro da buzina.
Ao todo, o automóvel recebeu 23 modificações. Contando o nome, foram 24.
Mas não tenha receio.
Você ainda irá reconhecê-lo. Ele continua funcionando com gasolina comum. Continua não necessitando de água de arrefecimento nem de aditivo anticongelante.
As rodas continuam com suspensão independente e molas por barras de torção.
E mais um pequeno detalhe:
Ele continua custando 4.980 marcos.

[Fim da tradução do texto]

A página cumpre de uma só vez duas das promessas feitas na capa. O novo motor dava ao Fusca não apenas maior cilindrada e potência, mas também uma nova denominação: VW 1300. A propaganda fazia questão de explicar que os 40 cv não haviam sido obtidos elevando a rotação, e sim aumentando a cilindrada — um argumento destinado a tranquilizar quem associava o Volkswagen à durabilidade.

A referência aos aclives de 44% também chama a atenção. Esse número não significa uma inclinação de 44 graus, mas uma elevação de 44 metros a cada 100 metros percorridos horizontalmente, equivalente a aproximadamente 24 graus — ainda assim, uma subida muito acentuada.

Depois de enumerar 23 alterações, a Volkswagen encerrava com um recurso publicitário muito hábil: assegurava que o cliente continuaria reconhecendo o Fusca, inclusive no preço. Havia motor, interior e nome novos, mas permaneciam a gasolina comum, o arrefecimento a ar, a suspensão independente por barras de torção e os mesmos 4.980 marcos.

VW 1600 TL fastback: um Volkswagen com novas linhas

A segunda página dupla apresenta a maior novidade visual do catálogo. O VW 1600 TL recebia uma carroceria fastback, com a linha do teto descendo suavemente em direção à traseira. A chamada dizia:

O VW 1600 TL fastback.
O Volkswagen com novas linhas.

Páginas 4 e 5 do catálogo, dedicadas ao novo VW 1600 TL fastback. A página dupla destaca sua carroceria, o motor de 1,6 litro, o interior e os freios dianteiros a disco. (Volkswagen AG/Acervo Alexander Gromow)

A tradução do texto da Volkswagen é a seguinte:

Ele tem uma aparência elegante. Mas o que existe por baixo?
Sob a traseira fastback você encontrará uma ampla área, incluindo um compartimento de bagagem com 290 litros. (Caso os 185 litros disponíveis na dianteira não sejam suficientes.)
Sob o grande compartimento de bagagem encontra-se um motor de 1,6 litro, com dois carburadores e 54 cv.
Ele funciona com gasolina comum. E com ar comum.
Automóveis rápidos precisam de freios rápidos.
O novo VW 1600 TL fastback é o primeiro Volkswagen com freios dianteiros a disco. Eles atuam de maneira perfeitamente uniforme e ajustam-se automaticamente.
Mas ele não é constituído apenas de carroceria fastback e freios. Entre uma coisa e outra existe uma grande quantidade de itens interessantes.
Espaço suficiente para cinco pessoas viajarem confortavelmente. Bancos dianteiros individuais e ajustáveis, revestidos em tecido ou, mediante pagamento adicional, em couro sintético permeável ao ar. Tudo combinando com a cor do painel de instrumentos, dos carpetes e dos revestimentos laterais.
Alavanca de câmbio no assoalho. (Naturalmente.) Comando do aquecimento da região dos pés, apoio de braço central e janelas traseiras basculantes.
E um espelho retrovisor interno de segurança, que se solta de seu suporte quando recebe um impacto forte.
Embora este Volkswagen já não tenha a aparência de um Volkswagen típico, ele ainda conserva todas as características típicas de um Volkswagen.
Rodas grandes e com suspensão independente. Cada uma com sua própria suspensão por barra de torção. Um assoalho completamente vedado.
E tudo com a construção sólida à qual você está acostumado num Volkswagen.
Veja de perto o novo Volkswagen com novas linhas. (De preferência, tão de perto que você possa fazer um test-drive.)
Afinal, o VW 1600 TL fastback não fica bem apenas nos catálogos. Ele também se sai bem nas ruas.
6.690 marcos, preço na fábrica.

[Fim da tradução do texto]

A forma da carroceria era a grande atração, mas a página dupla revela uma solução técnica ainda mais interessante. O motor baixo e horizontal, instalado na traseira, permitia conservar um compartimento de bagagem sobre ele, com 290 litros. Somados aos 185 litros disponíveis na dianteira, eram 475 litros para bagagem, distribuídos entre as duas extremidades do automóvel.

A frase “ele funciona com gasolina comum — e com ar comum” é uma típica brincadeira publicitária da Volkswagen. O “ar comum” lembrava que, apesar das novas linhas e do aumento da cilindrada, o motor continuava arrefecido a ar e dispensava radiador, água e aditivo anticongelante.

Também é significativa a afirmação de que aquele era o primeiro Volkswagen com freios dianteiros a disco. A fábrica sabia que um automóvel mais rápido precisava transmitir segurança, por isso colocou o novo sistema de freios entre os principais argumentos de venda.

Talvez a passagem mais reveladora, porém, seja aquela em que a própria Volkswagen reconhece que o 1600 TL já não parecia um Volkswagen típico. A carroceria era inteiramente nova, mas a propaganda procurava tranquilizar o cliente enumerando aquilo que permanecia: suspensão independente, barras de torção, assoalho vedado, motor traseiro arrefecido a ar e a conhecida solidez de construção. Era uma nova linha, mas a fábrica insistia que, por baixo dela, continuava existindo um Volkswagen.

VW 1500 A: o notchback agora aperfeiçoado

Depois da nova carroceria do VW 1600 TL fastback, o catálogo retorna ao VW 1500 de três volumes e duas portas, modelo hoje conhecido internacionalmente como Type 3 Notchback. Em concepção, era o parente alemão do nosso VW 1600 quatro-portas, popularmente chamado de “Zé do Caixão”, embora os dois apresentassem diferenças importantes de carroceria.

No original, a Volkswagen emprega a palavra alemã Limousine, que naquele idioma designa normalmente um sedã, e não necessariamente uma limusine de luxo ou um automóvel de carroceria alongada. Para evitar que a expressão “sedã Volkswagen” seja associada no Brasil ao Fusca, identificamos diretamente o modelo na tradução da chamada:

O VW 1500 A.
O já conhecido VW 1500 de três volumes. Agora com freios a disco e novo acabamento interno.

Páginas 6 e 7 do catálogo, dedicadas ao VW 1500 A, o Type 3 Notchback alemão de duas portas. A página dupla mostra o automóvel, seu motor de 45 cv e um detalhe do interior renovado. (Volkswagen AG/Acervo Alexander Gromow)

A tradução do texto da Volkswagen é a seguinte:

Quando você dirigir o novo VW 1500 A, perceberá imediatamente uma coisa: ele continua sendo aquilo que o VW 1500 N era.
Um automóvel sensato e confiável. Com o consagrado motor de 45 cv. Com dois grandes compartimentos de bagagem. Com uma carroceria compacta e adequada ao trânsito.
Mas você perceberá com a mesma rapidez que tornamos algumas coisas nesse automóvel ainda melhores.
Por exemplo, o interior.
Ele ficou consideravelmente mais bonito. As cores agora estão harmonizadas. Os revestimentos dos bancos têm a mesma cor dos revestimentos das portas. Os revestimentos das portas combinam com o revestimento do assoalho. E o revestimento do assoalho, com o carpete do compartimento de bagagem.
Acelere o carro ao máximo. Pronto. Agora pise com força na principal novidade.
No freio.
O automóvel para. Sem vibrar e sem tentar desviar de sua trajetória. Mesmo em ruas molhadas, você pode repetir essa experiência.
Isso porque o VW 1500 A agora possui freios dianteiros a disco. Eles não bloqueiam e ajustam-se automaticamente.
Apesar das muitas melhorias, o automóvel não ficou mais caro. (E isso também é uma melhoria.)
5.990 marcos, preço na fábrica.
O VW 1500 A também está disponível como automóvel familiar: a VW 1500 Variant.
6.390 marcos, preço na fábrica.

[Fim da tradução do texto]

A fotografia reproduzida na parte inferior da página mostra um componente pouco conhecido no Brasil na época: o motor plano da família Tipo 3. Assim como o motor do Fusca, ele tinha quatro cilindros horizontalmente opostos e era arrefecido a ar. A diferença mais visível estava na disposição do sistema de arrefecimento: em vez da alta carcaça da ventoinha existente no Fusca, o Tipo 3 utilizava uma configuração muito mais baixa, com a ventoinha instalada na extremidade do virabrequim.

Essa arquitetura reduzia a altura ocupada pelo conjunto mecânico e permitia criar um compartimento de bagagem sobre o motor. Por isso, o catálogo podia apresentar como uma das vantagens do VW 1500 A seus dois grandes compartimentos: um na dianteira e outro na traseira. O motor plano não era apenas uma particularidade técnica; era o que tornava possível uma das qualidades práticas mais importantes da família Tipo 3.

Aqui cabe uma ressalva para o leitor brasileiro. Embora fosse parente distante do notchback alemão, o VW 1600 quatro-portas lançado no Brasil em 1968 — nosso “Zé do Caixão” — utilizava um motor com ventoinha alta, semelhante à configuração empregada no Fusca e no Kombi. A solução de motor plano ainda não estava disponível na produção brasileira quando aquele modelo foi desenvolvido. Ela apareceu pouco depois na VW Variant, lançada em 1969, e também equipou o VW TL, apresentado em 1970. Portanto, o “Zé do Caixão” e o VW 1500 A alemão pertenciam à mesma família conceitual, mas não eram mecanicamente idênticos nesse aspecto fundamental.

Aqui aparece de maneira explícita mais um dos “novos nomes” anunciados na capa. O modelo de três volumes e duas portas, hoje conhecido como Type 3 Notchback, antes se chamava VW 1500 N e passava a ser apresentado como VW 1500 A. A Volkswagen, entretanto, não tratava a mudança de denominação como uma ruptura: começava assegurando que o automóvel continuava sendo sensato, confiável, compacto e equipado com o conhecido motor de 45 cv.

O principal aperfeiçoamento técnico eram os freios dianteiros a disco. A redação publicitária transforma uma demonstração de frenagem numa pequena cena: ganhar velocidade, pisar com força no pedal e observar o automóvel parar sem vibrações nem desvios, inclusive sobre piso molhado.

A afirmação de que os freios “não bloqueiam” deve ser compreendida no contexto da propaganda de 1965. O VW 1500 A não possuía sistema antitravamento ABS. Esse sistema começaria a ser introduzido nos automóveis Volkswagen alemães de produção seriada somente em 1984, tendo como primeiro modelo o Passat B2, equipado com o ABS Bosch de segunda geração. O catálogo procurava ressaltar a atuação uniforme e o ajuste automático dos freios a disco, bem como a maior estabilidade durante a frenagem — que representavam uma novidade nessa linha de automóveis VW.

A página termina com outro argumento recorrente neste catálogo: melhorar sem aumentar o preço. O VW 1500 A permanecia nos 5.990 marcos, enquanto sua versão familiar, a VW 1500 Variant, custava 6.390 marcos. Depois de apresentar a nova linha do fastback, a Volkswagen mostrava que também havia reservado novidades importantes para o três-volumes já conhecido.

VW Variant 1600: a Squareback para toda a família

Depois do Fastback e do Notchback, o catálogo apresenta a terceira configuração de carroceria da família Tipo 3: a VW Variant 1600, conhecida no mercado norte-americano como Squareback. Era a versão de uso familiar, caracterizada pelo teto prolongado até a traseira e pelo amplo espaço destinado às bagagens.

A chamada da página resume sua proposta:

A nova VW Variant 1600.
Um confortável automóvel familiar.

Páginas 8 e 9 do catálogo, dedicadas à nova VW Variant 1600, conhecida nos Estados Unidos como Type 3 Squareback. A página dupla destaca o perfil do automóvel e sua capacidade para transportar a família e as bagagens. (Volkswagen AG/Acervo Alexander Gromow)

A tradução do texto da Volkswagen é a seguinte:

Por que chamamos a nossa VW Variant 1600 de automóvel familiar? Porque ela realmente é.
Nela há espaço confortável para cinco pessoas. E para a bagagem delas.
Na dianteira, sob o capô, há um compartimento de bagagem. E atrás do banco traseiro existe outro, ainda maior.
Se você precisar de mais espaço para bagagem, rebata o encosto do banco traseiro. Em cinco segundos, terá uma superfície plana, revestida de vinil e com 1,67 metro de comprimento. Portanto, espaço suficiente para objetos que jamais caberiam num sedã convencional.
Em todos os demais aspectos, porém, ela é como um sedã convencional. A VW Variant 1600 oferece o mesmo conforto do VW 1600 TL Fastback.
E o mesmo motor potente: 1,6 litro e dois carburadores.
Leve sua família para o test-drive. E uma grande quantidade de bagagem.
6.980 marcos, preço na fábrica.

[Fim da tradução do texto]

A página evidencia uma das grandes vantagens proporcionadas pelo motor plano do Tipo 3. Instalado sob o piso traseiro, ele permitia que a Variant tivesse dois compartimentos de bagagem: um sob o capô dianteiro e outro atrás do banco traseiro. Com o encosto rebatido, formava-se uma superfície de carga plana com 1,67 metro de comprimento.

O texto publicitário procura afastar a ideia de que a capacidade de carga exigisse alguma renúncia ao conforto ou ao desempenho. Segundo a Volkswagen, a Variant oferecia as mesmas qualidades do recém-apresentado VW 1600 TL Fastback, inclusive o motor de 1,6 litro com dois carburadores.

A fotografia menor reforça de maneira muito direta o argumento da capacidade de carga: malas e volumes aparecem acomodados até próximo do teto, enquanto outras bagagens permanecem do lado de fora, como se desafiassem o leitor a descobrir quanto ainda seria possível transportar. Vista hoje, entretanto, a mesma imagem chama a atenção por outro motivo. Não havia uma rede ou grade de proteção separando a bagagem dos ocupantes. Numa frenagem brusca ou colisão frontal, os objetos colocados acima do encosto do banco traseiro poderiam ser projetados para a frente e atingir os passageiros — um risco que, naquela época, ainda recebia muito menos atenção do que nos automóveis atuais.

A própria sequência do catálogo permite outra comparação interessante. Na página anterior, a VW 1500 Variant ainda era mencionada por 6.390 marcos. A nova Variant 1600, com motor mais potente e dois carburadores, custava 6.980 marcos — uma diferença de 590 marcos.

Depois de apresentar o Fastback como o Volkswagen de “nova linha” e aperfeiçoar o Notchback com freios dianteiros a disco, a fábrica completava a família Tipo 3 com uma Squareback que transformava o baixo motor traseiro numa importante vantagem prática.

Quatro modelos completam a linha renovada

Na última página dupla, o catálogo muda de composição. Em vez de dedicar todo o espaço a um único automóvel, reúne quatro modelos: o VW 1200 A, o VW 1300 Cabriolet e as duas versões do Karmann-Ghia — o VW 1300, conhecido como Tipo 14, e o VW 1600, o Tipo 34.

Páginas 10 e 11 do catálogo, reunindo o VW 1200 A, o VW 1300 Cabriolet, o VW 1300 Karmann-Ghia e o VW 1600 Karmann-Ghia. (Volkswagen AG/Acervo Alexander Gromow)

A tradução dos quatro textos da Volkswagen, separada por modelo, é a seguinte:

O VW 1200 A

A novidade mais acessível de Wolfsburg. Ele se diferencia do antigo VW 1200 A por uma série de importantes aperfeiçoamentos.
Por exemplo, pelo motor. Ele tem 34 cv, portanto, quatro cv a mais. Isso já pode ser visto no velocímetro, que agora, por precaução, vai até 140 km/h.
Ou pelo eixo dianteiro. Nós o aperfeiçoamos de tal maneira que o automóvel agora precisa ser lubrificado somente a cada 10.000 quilômetros.
Ou pelo chassi, que corresponde ao do novo VW 1300.
Ou pelo bonito acabamento interno em uma única cor.
Ou ainda pelos bancos dianteiros e seus encostos, que agora também podem ser regulados durante a viagem.
Ao todo, 21 modificações transformaram o VW 1200 A num automóvel tecnicamente equivalente ao anterior modelo Export e, em alguns aspectos, até superior a ele.
4.485 marcos, preço na fábrica.

O VW 1300 Cabriolet

Este novo automóvel fica ainda mais bonito quando você o dirige com a capota aberta. Assim, todos podem ver o belo acabamento interno em uma única cor. Essa é a mais evidente de todas as melhorias.
O que mais há de novo?
Um novo motor. O mesmo do VW 1300 sedã. 1,3 litro. 40 cv!
Há ainda muitos aperfeiçoamentos técnicos e pequenos detalhes práticos. Por exemplo, o travamento de segurança dos encostos dos dois bancos dianteiros.
Ou a terceira saída de ar para desembaçamento, instalada no centro do para-brisa para proporcionar melhor visibilidade.
Ou o eixo dianteiro, que modificamos de maneira que o automóvel agora precise ser lubrificado somente a cada 10.000 quilômetros.
Não podemos enumerar aqui todas as modificações.
O melhor é você vir nos visitar. Mas venha num dia de tempo bonito. Assim poderá fazer o test-drive com a capota aberta.
6.490 marcos, preço na fábrica.

O VW 1300 Karmann-Ghia

Não modificamos nada na carroceria criada pela Ghia, em Turim. Mas, por baixo dela, encontra-se um automóvel novo: o VW 1300 apresentado anteriormente.
Além disso, ele recebeu uma série de aperfeiçoamentos práticos. Por exemplo, um gerador que carrega a bateria mesmo em baixas rotações.
Ou uma articulação de segurança no espelho retrovisor externo.
Como antes, a carroceria pode ser fornecida com pintura em uma ou duas cores, nas versões cupê ou cabriolet.
O Karmann-Ghia é um automóvel para pessoas que desejam dirigir esportivamente, mas de maneira sensata.
Portanto, com economia, confiabilidade e por muito tempo.
6.990 marcos, preço na fábrica.

O VW 1600 Karmann-Ghia

Sob sua carroceria especial encontra-se o mais novo e mais potente motor Volkswagen. Ele tem 1.600 cm³ e dois carburadores.
Apesar disso, funciona com gasolina comum.
Também são novos os freios dianteiros a disco. Eles atuam de maneira uniforme e sem vibrações. Não bloqueiam e ajustam-se automaticamente. E proporcionam frenagens seguras em ruas molhadas.
O interior ficou mais bonito. Tudo foi mantido em uma única cor: revestimentos das portas e das laterais, revestimento do assoalho, carpete do compartimento de bagagem e estofamento.
Por mais que o tenhamos aperfeiçoado, uma coisa não mudou: ele continua confiável e econômico como um Volkswagen.
8.750 marcos, preço na fábrica.

[Fim da tradução dos textos]

Mesmo sendo o automóvel de entrada, o VW 1200 A não havia sido esquecido. As 21 modificações aproximavam tecnicamente o modelo mais acessível do anterior modelo Export e, segundo a fábrica, chegavam a torná-lo superior em alguns aspectos. A brincadeira com o velocímetro graduado até 140 km/h é um bom exemplo do humor discreto empregado pela publicidade da Volkswagen naquele período.

No VW 1300 Cabriolet, a propaganda deixava momentaneamente em segundo plano os argumentos técnicos e aconselhava o cliente a escolher um dia bonito para fazer o test-drive com a capota aberta. Era uma maneira simpática de vender não apenas o automóvel, mas também a experiência de o conduzir.

Os dois Karmann-Ghia merecem ser distinguidos. O VW 1300 era o conhecido Tipo 14, derivado mecanicamente do Fusca. O VW 1600 era o Tipo 34, maior, mais caro e construído sobre a plataforma do Tipo 3. Por isso, recebia o motor plano de 1,6 litro com dois carburadores, o mesmo princípio mecânico empregado no VW 1600 TL Fastback e na VW Variant 1600 Squareback.

A afirmação de que os freios dianteiros a disco do VW 1600 Karmann-Ghia “não bloqueiam” repete o argumento empregado na apresentação do VW 1500 A. Também aqui não se tratava de ABS, mas de uma referência à atuação uniforme dos freios a disco, ao ajuste automático e à maior estabilidade nas frenagens.

A disposição dos quatro modelos na mesma página permite visualizar a amplitude de preços da linha: dos 4.485 marcos do VW 1200 A aos 8.750 marcos do VW 1600 Karmann-Ghia. Este último custava praticamente o dobro do Volkswagen mais acessível.

Assim, a página final completava a promessa estampada na capa. Havia novos motores, dos 34 cv do VW 1200 A ao motor de 1.600 cm³ com dois carburadores; novos modelos, representados especialmente pelo VW 1600 TL Fastback; e novos nomes, como VW 1300, VW 1500 A e VW Variant 1600. A linha continuava inteiramente fiel ao motor traseiro arrefecido a ar, mas oferecia uma variedade de carrocerias, níveis de desempenho e faixas de preço poucas vezes vista até então.

Abrir este catálogo hoje é como abrir uma cápsula do tempo — não apenas da Volkswagen, mas da própria história da indústria alemã e da maneira como ela se comunicava com seus clientes.

AG

Nossos leitores são convidados a dar seu parecer, fazer perguntas, sugerir material e, eventualmente, apontar correções, as quais poderão ser consideradas e incorporadas em futuras revisões deste trabalho.
Em alguns casos, são utilizados materiais pesquisados na Internet e amplamente disponibilizados em meios públicos, empregados exclusivamente com finalidades históricas, culturais e didáticas, em consonância com o espírito de preservação histórica que norteia este trabalho.
Caso qualquer pessoa física ou jurídica se identifique como titular de direitos autorais de determinado material aqui utilizado — independentemente de ter sido ou não mencionada nos créditos — e deseje a inclusão de créditos específicos ou a retirada do referido conteúdo, solicitamos que entre em contato pelo e-mail [email protected], para que sejam tomadas, de boa-fé, as providências cabíveis.
Ressaltamos que não há qualquer intenção de infringir direitos autorais, tampouco de auferir ganhos comerciais com o material apresentado, sendo sua utilização restrita ao registro histórico e à divulgação cultural junto a entusiastas e interessados no tema.
A coluna “Falando de Fusca & Afins” é de exclusiva responsabilidade do seu autor.

 

Tags: Alexander GromowFalando de Fusca & Afins
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