Apesar de ter perdido minha visão há cerca de 14 anos, até então não tinha utilizado o recurso da compra de um carro novo com isenções fiscais. Como PCD, pessoa com deficiência, resolvi comprar um carro zero-km, e acabei escolhendo um VW Polo Sense. Alguns meses antes da compra, realizada em agosto de 2025, comecei minhas pesquisas para ver o que o mercado oferecia em qualidade de produto e qual relação custo-benefício mais me interessava.
Sabia de antemão que queria um carro com câmbio automática, motor moderno e econômico, bom desempenho e robustez suficiente para aguentar a buraqueira de nossas ruas e estradas. Sabia também que o modelo deveria ser confortável e espaçoso para duas pessoas e suas tralhas comuns do dia a dia. Eu tenho 1,84 m, minha esposa, 1,73 m, e meu filho, 1,86 m, então o espaço interno importava bastante. Não, o VW Polo Sense não é nenhuma referência em espaço interno, mas ele conta com outras vantagens, que te conto mais para frente.
Pretendentes
De posse de todas essas informações, já sabia o tipo de carro de que precisava. Em minhas pesquisas, comecei cogitando Fiat Argo e Pulse em suas versões 1,3 CVT, e ambos atendiam às minhas necessidades. Examinei também o Peugeot 208 e os Citroën C3 e Basalt, estes com motor 1.0 turboflex e câmbio automático CVT. Não deixei de fora o Honda City Hatch LX e o Renault Kardian de entrada, além, é claro, do VW Polo Sense. Foram meus finalistas e, por coincidência ou não, gozavam de boa reputação entre os consumidores.
Finalistas (e o VW Polo Sense)
Examinei um a um, inclusive levando em conta manutenção e custos de posse, e fui eliminando os candidatos. Os Fiat 1,3 CVT eram básicos e encareciam demais com opcionais; o 208 era apertado por dentro; os Citroëns não agradavam no design; enquanto City Hatch e Kardian ainda eram muito caros, mesmo com os devidos descontos e isenções. Interessei-me bastante pelo Toyota Yaris Hatch, que tinha bons preços e um pacote completo, mas demorei demais: ele saiu de linha e só encontrei unidades em estoque muito longe de mim. Acabei descartando-o apenas por isso.
A briga era dura! Nesse ponto, o preço final de aquisição foi quase decisivo: escolhi aquele que me oferecia a melhor relação custo-benefício. E aí entrou o hatch da Volkswagen.
VW Polo Sense é completão
Na época da compra, o VW Polo Sense tinha preço de tabela cheia na casa dos R$ 108 mil e, com as isenções disponíveis para PCD no Estado de São Paulo acabava saindo por pouco menos de R$ 89 mil. Hoje a versão já custa cerca de R$ 113 mil. Também me atraiu pela boa lista de equipamentos de série: faróis de LED, vidros, travas e retrovisores elétricos, saídas de ar climatizado para o banco traseira, borboletas para trocas de marchas manuais sequenciais, quadro de instrumentos digital de 8 polegadas, multimídia VW Play de 10 polegadas, chave presencial, partida por botão, quatro bolsas infláveis, sistema de som com seis alto-falantes, volante multifuncional e controle de cruzeiro. Completão, com muita coisa que os concorrentes de preço semelhante não ofereciam.
Motorização
Além disso, o conjunto mecânico pesou a favor. Conheço essa geração do Polo desde a fase de seu desenvolvimento aqui no Brasil e sei de suas qualidades em segurança, estabilidade e conforto a bordo, que melhorou bastante depois da reestilização ocorrida em 2022. Seu motor 1,0 turbo flex de três cilindros, da família EA-211, não esconde segredos e é tido como um conjunto robusto e confiável no mercado nacional. Tem seus 109/116 cv (G/A) e torque de 17,3 m·kgf (G/A), gerenciados pela boa e suave caixa automática Aisin de seis marchas, a AQ160-6F. Com gasolina, não é difícil se aproximar dos 20 km/l de gasolina na estrada, quando o combustível é de boa qualidade.
Comprei
Na concessionária Sorana, em São Paulo, conversei com o pessoal de vendas PCD, que me mostrou cinco opções de cores sem acréscimo no preço final, inclusive esse vermelho metálico que acabei escolhendo para o meu VW Polo Sense. Em outras marcas, eram apenas um ou dois tons, geralmente sólidos. De quebra, o carro, que vinha de série com calotas plásticas e rodas de aço 15-pol., oferecia como opcional um interessante jogo de rodas de liga de alumínio por menos de R$ 2 mil. Foram detalhes que me levaram a ficar firme na escolha do VW Polo Sense. Fechei o negócio, e ainda ganhei da concessionária câmera de ré, Insulfilm e tapetes de carpete.
Depois do pedido feito, meu VW Polo Sense PCD, na cor vermelha metálica e com rodas de liga de alumínio, custou algo ao redor dos R$ 91 mil e foi entregue em cerca de 20 dias. Hoje, com pouco menos de 5 mil km rodados, percebo que fiz uma escolha corretíssima sob todos os aspectos. O carro vem de um projeto de sucesso de muitos anos na Europa e teve tempo para amadurecer no mercado brasileiro, onde esta geração está desde 2017. Só não me conquistou em dois pontos: o espaço traseiro limitado (já comprei sabendo dessa sua limitação), e os pneus chineses um tanto ásperos (Green-Max).
Novas regras PCD
As novas regras tributárias para a compra de carros para PCD podem tornar esse cenário ainda mais interessante. O limite do benefício previsto na nova tributação sobre o consumo passou de R$ 70 mil para R$ 100 mil, enquanto o preço máximo do veículo beneficiado é de R$ 200 mil. Na prática, portanto, modelos que ultrapassem os R$ 100 mil não terão necessariamente todo o seu valor alcançado pelo benefício. Para quem procura um carro nessa faixa de preço, porém, a mudança amplia consideravelmente o valor sobre o qual incidirá a desoneração. Pode tornar a compra ainda mais bacana…
DM
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