A notícia publicada no último sábado (9) sobre a Opel me estimulou a escrever sobre essa notável fabricante alemã de fortes laços com o Brasil e que continua na mesma cidade alemã em que nasceu há 164 anos, Rüsselsheim. Adiante veremos quais são esses laços.
Adam von Opel tinha apenas 25 anos quando fundou a empresa a que deu seu nome. destinada a fabricar máquinas de costura, que logo fizeram grande sucesso no seu país e no exterior. Mas a mobilidade estava na ordem do dia no século 19 e em 1886 Adam viu nela oportunidade para expandir seu negócio para a produção de bicicletas. Não demorou para a Opel ser a maio fabricante de bicicletas do mundo na época.
Atento, Adam viu que a era da motorização havia chegado, embora ele fosse cético quando a veículos motorizados ao ponto de proferir uma frase que ficou famosa: “Deste monte de metal fedorento não sairá nada mais do que um brinquedo para milionários que não sabem como gastar seu dinheiro”, o que mostrou ele não prever um futuro motorizado para sua empresa e sua família.
Adam faleceu em 1895 aos 58 anos. Sua esposa Sophie e seus cinco filhos perceberam que o mercado de bicicletas estava saturado e resolveram partir para a fabricação de automóveis. Como não tivessem conhecimento para isso, fizeram uma parceria com Friedrich Lutzmann, um mestre serralheiro de Dassau que tinha uma pequena produção de carros.
Da parceria resultou o Opel Patent System Lutzmann, do qual foram produzidas apenas 65 unidades fabricadas à mão entre 1899 e 1901, antes da parceria terminar. A Opel foi então atrás de novos parceiros e tecnologia. Caso da francesa Darracq para produzir veículos sob a marca Opel-Darracq (carroceria Opel sobre chassi francês).
Foi em 1906 que a Opel começou a produzir carros com desenho e engenharia totalmente próprios. Em 1924, a Opel tornou-se a primeira fabricante alemã a adotar a linha de montagem móvel criada por Henry Ford em 1913, o que permitiu reduzir custos e preços democratizando o acesso ao automóvel com modelos como o famoso Opel 4 PS.
Em 1928 a Opel assumiu a liderança do mercado alemão e se tornou a maior exportadora de veículos do país. Em 1935 produziu produziu 100.000 veículos, fato inédito na indústria automobilística alemã. O desempenho da Opel chamou a atenção da General Motors Corporation, que em 1928 adquiriu 80% das ações da Adam Opel AG e em 1931, exercendo sua opção de compra, completou o controle total ao adquirir os 20% restantes, as duas operações somando aproximadamente 33,3 milhões de dólares.
Com a aquisição, a Opel passou a ser o braço alemão da General Motors, papel que duraria 89 anos até a GM vender a Opel para o grupo PSA (Peugeot- Citroën) em agosto de 2017. Desde então a Opel se chana Opel Automobiles GmbH.
Essa aquisição foi um marco importante para a GM por permitir que ela superasse a Ford em 1931 para se tornar a maior fabricante do mundo, posição que manteve por 77 anos. O valor pago na época foi considerado um excelente negócio pela família Opel, especialmente diante das incertezas econômicas da Grande Depressão que se seguiria.
Em 1935, a Opel lançou o sedã Olympia, em alusão aos Jogos Olímpicos de Berlim no ano seguinte. Um Oytmpia chegou ao Rio de Janeiro na manhã de 4 de janeird de 1936 para cumprir um pfograma promocional. Chegou pelo ar, a bordo do dirigível Hindenburg, a primeira vez que um automóvel foi aerotransportado.
Veio a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha foi derrotada e ocupada pelos quatro aliados (nglaterra, França, Estados Unidos e União Soviéttica). Rüsselsheim ficou na zona de ocupação americana. É quando as histórias da Opel e da Volkswagen se cruzam.
A Volkswagen já existia porém sem dono, administrada pelo advogado Hermann Münch, contratado pelas forças de ocupação inglesas detentoras da região onde estava a fábrica em Fallersleben, mas logo renomeada Wolfsburg.
Embora dirigida provisoriamente pelo major britânico Ivan Hirst sob comando do coronel Charles Radcliff, a fábrica precisava de uma direção civil. O Dr. Münch chegou a Heinz Nordhoff, que aceitou o cargo. Nordhoff, engenheiro mecânico, era gerente de produção de caminhões da Opel e fora demitido em nome do processo de desnazificação do país. Estava trabalhando numa concessionária Opel em Colônia como consultor técnico da oficina.
Nordhott assumiu o cargo de diretor-superintendente no dia 5 de janeiro de 1948, dia em fez 49 anos. Sob sua direção competente e firme a VW cresceu vertiginosamente até ser o que é hoje.
No Brasil a Opel foi bastante atuante sob marca Chevrolet. A GM nunca havia fabricado Chevrolet aqui, só montava. Fabricação no sentido estrito começou pelo Opel Rekord com motores Chevrolet americanos de quatro e seis cilindros, o Opala, lançado no Salão do Automóvel de 1968.
Depois do Opala veio extensa e bem-vinda lista de “tudo Opel” — Chevette, Monza, Corsa, Kadett, Vectra, Astra, Zafira, Meriva, Celta e Omega. Um verdadeiro legado Opel.
Em janeiro de 2021 ocorreu a fusão da PSA com a FCA (Fiat Chrysler Automobiles) nascendo a Stellantis, com a Opel tornando-se uma de suas 14 marcas.
BS
A coluna “O editor-chefe fala” é de exclusiva responsabilidade do seu autor.
