Depois de abrir caminho para a marca no segmento de elétricos com o Ora 03, a GWM amplia sua presença entre os veículos elétricos com o lançamento do Ora 5, seu primeiro suve totalmente elétrico. Posicionado entre o hatch Ora 03 e os utilitários médios da família Haval H6, o novo modelo chega às concessionárias por R$ 159 mil (preço de lançamento, depois R$ 165 mil) e passa a disputar clientes tanto dos elétricos já consolidados, quanto dos suves compactos de motores a combustão e híbridos.

Com 4.471 mm de comprimento e entre-eixos de 2.720 mm, o Ora 5 tem dimensões superiores às do Ora 03 e oferece um espaço interno que impressiona logo no primeiro contato. A cabine acomoda cinco ocupantes com conforto e utiliza materiais agradáveis ao toque em boa parte das superfícies, reforçando a sensação de qualidade percebida.

Primeiras impressões ao volante
A avaliação dinâmica ocorreu em um circuito montado no Campo de Marte, em São Paulo, com trechos de aceleração, slalom, lombadas e piso molhado.
Equipado com motor elétrico de 204 cv e 26,5 m·kgf, o Ora 5 acelera de 0 a 100 km/h em 7,7 segundos. O número é respeitável, mas o que realmente chama a atenção é o comportamento típico dos elétricos nas baixas velocidades. As respostas entre 0 e 40 km/h são imediatas e as retomadas urbanas, como de 30 a 60 km/h, acontecem com rapidez, transmitindo sensação constante de agilidade. Sua Velocidade máxima é limitada em 170 km/h.

O modelo oferece quatro modos de condução (Eco, Normal, Sport e Well Being – bem-estar) que alteram não apenas a resposta do acelerador, mas também o peso da direção. Durante a breve experiência, o modo Sport mostrou-se o mais agradável, deixando a direção mais firme e transmitindo maior confiança ao motorista.

Estabilidade esperada
Mesmo sendo um suve, o Ora 5 apresenta rolagem de carroceria bastante contida. Parte do mérito vem da bateria de 58,3 kW·h instalada sob o assoalho, solução que contribui para baixar o centro de gravidade do veículo.
No slalom realizado em piso molhado, o comportamento foi previsível e seguro. Mesmo provocando transferências rápidas de carga lateral, o suve manteve a trajetória sem sustos. A suspensão independente nas quatro rodas, com arquitetura McPherson na dianteira e multibraço na traseira, ajuda a explicar esse comportamento equilibrado.

Tecnologia como diferenciador
Se desempenho e espaço chamam atenção, o pacote tecnológico é provavelmente o principal argumento de venda do Ora 5.
O suve chega equipado com pacote de assistência ao motorista Adas 2+ bastante abrangente para a categoria, incluindo controle de cruzeiro adaptativo inteligente com função para curvas, centralização na faixa, monitoramento de ponto cego, frenagem autônoma de emergência, alertas de tráfego transversal dianteiro e traseiro e câmera panorâmica 540 graus. Recursos desse nível ainda são raros em veículos dessa faixa de preço.
A central multimídia de 14,6 polegadas utiliza o sistema Coffee OS 3, com atualizações remotas, espelhamento sem fio ára Android Auto e Apple CarPlay e mais de 300 comandos de voz assistidos por inteligência artificial.

Na mira dos elétricos e dos suves compactos
Com alcance de 349 km (Inmetro) e 435 km WLTP, o Ora 5 entra numa posição estratégica para a GWM, e o carregamento em corrente contínua (DC) pode ser feito por carregadores de até 120 kW, o que permite elevar a carga de 30% a 80% em apenas 20 minutos. Já em corrente alternada (AC), o carregamento pode ser feito com potência de até 11 kW.
A proposta de reduzir o custo de propriedade vai além da eficiência energética. O Ora 5 conta com garantia de cinco anos para todos os sistemas do veículo e de oito anos ou 200.000 quilômetros para a bateria de tração. As revisões periódicas são realizadas a cada 24.000 km ou 24 meses, um intervalo bastante superior ao encontrado na maioria dos concorrentes a combustão.

Embora a marca afirme que o novo modelo não deverá canibalizar as vendas do Ora 03, é difícil imaginar que isso não ocorra em alguma medida. Por apenas alguns milhares de reais a mais, o consumidor passa a ter acesso a um veículo mais espaçoso, com maior porta-malas e visual alinhado à preferência atual do mercado por utilitários esporte.
Ao mesmo tempo, o Ora 5 não mira apenas rivais elétricos como BYD Dolphin e Leapmotor B10. Seu preço o coloca diretamente na faixa de versões intermediárias e superiores de modelos como Volkswagen T-Cross, Chevrolet Tracker, Toyota Yaris Cross e Honda HR-V.
Há ainda outro público potencial: motoristas de aplicativos premium. O espaço traseiro mais generoso e o compartimento de bagagens de 362 litros eliminam uma das principais limitações do Ora 03 para esse tipo de utilização. Embora o hatch tenha conquistado admiradores pelo desempenho, tecnologia e estilo diferenciado, o porta-malas relativamente compacto acabava restringindo seu uso em serviços executivos e corridas para aeroportos, onde a capacidade para acomodar bagagens é um fator decisivo. Segundo executivos da GWM, essa era uma das barreiras para aumentar as sua vendas no Brasil.
No Ora 5, essa limitação praticamente desaparece. Com dimensões maiores e uma proposta mais alinhada ao gosto atual do mercado brasileio, o novo suve amplia o alcance da marca para clientes que buscam um carro familiar, para motoristas de aplicativos premium e para consumidores que desejam migrar para um elétrico, sem abrir mão da versatilidade típica dos utilitários esporte.

No fim das contas, o Ora 5 parece preencher exatamente a lacuna que existia na linha de produtos da GWM. Entre o compacto Ora 03 e os maiores Haval H6, surge uma alternativa elétrica com espaço de suve familiar, desempenho convincente, tecnologia abundante e um pacote de segurança difícil de encontrar nessa faixa de preço. Mais do que disputar clientes de outros elétricos, o Ora 5 tem potencial para atrair consumidores que jamais cogitaram abandonar um suve compacto a combustão.
GB
