Em janeiro de 2025, apresentamos aqui na coluna Falando de Fusca & Afins a história de Guilherme King, um apaixonado pelo VW Fusca que havia decidido transformar seu carro em uma pequena casa sobre rodas para realizar um sonho: viajar do Rio de Janeiro até Ushuaia, na Terra do Fogo, Argentina, conhecida como a cidade do fim do mundo.
Na ocasião, nossa matéria, intitulada “A bordo de um VW Fusca numa aventura terapêutica”, mostrou que aquele projeto representava muito mais do que uma simples viagem automobilística. Enfrentando uma depressão refratária, Guilherme havia encontrado no Fusca e na perspectiva de conhecer novos lugares uma maneira de buscar novos horizontes, fazer amizades e encontrar novos motivos para seguir em frente.
Seu companheiro nessa empreitada seria Bumblebee, um VW Fusca 1300 de 1974, amarelo Safári, cuidadosamente adaptado para servir também como moradia durante a longa jornada.

O que naquela época ainda era um projeto tornou-se realidade. Em 20 de novembro de 2025, Guilherme deixou o Rio de Janeiro e iniciou uma viagem que o levaria por milhares de quilômetros de estradas do Brasil e de países vizinhos, enfrentando diferentes climas, paisagens e situações que certamente não estavam previstas em seu planejamento.
Quase cinco meses depois, em 16 de abril de 2026, alcançou Ushuaia, após percorrer aproximadamente 12 mil quilômetros, incluindo os muitos desvios realizados para conhecer lugares e explorar as regiões por onde passou.
Mas a aventura reservava uma surpresa que mudaria profundamente o caráter daquela jornada. Guilherme, que havia partido sozinho, encontraria pelo caminho um pequeno companheiro de quatro patas, o beagle Snoopy, que passaria a dividir com ele o espaço reduzido do Fusca, as dificuldades da estrada e as alegrias de cada nova descoberta.
Entre paisagens deslumbrantes, encontros inesperados e alguns problemas mecânicos que exigiram soluções bastante criativas, Guilherme e seu Fusca demonstraram que uma grande aventura não depende necessariamente de um veículo moderno ou sofisticado.
Agora, com a viagem realizada e muitas histórias para contar, Guilherme King volta à nossa coluna para compartilhar o que aconteceu depois que aquele sonho, apresentado aos nossos leitores em janeiro de 2025, finalmente saiu do papel e ganhou as estradas.
A aventura começa — e ganha um novo companheiro
No dia 20 de novembro de 2025, Guilherme King finalmente colocou seu projeto em prática. Ao volante de Bumblebee, seu VW Fusca 1300 de 1974, deixou o Rio de Janeiro para iniciar uma jornada que o levaria até o extremo sul do continente americano.
Mas Guilherme não tinha pressa de chegar. A proposta era aproveitar a liberdade proporcionada pelo Fusca transformado em uma pequena casa sobre rodas, conhecendo lugares, fazendo amizades e explorando estradas que normalmente ficam fora dos roteiros turísticos convencionais.
O percurso inicial incluiu a região serrana fluminense e o litoral paulista, seguindo depois para o Paraná. Nesse estado, Guilherme explorou algumas das mais belas regiões montanhosas do Sul do Brasil, incluindo a tradicional Estrada da Graciosa, a região do Ibitiraquire, onde se encontra o Pico Paraná, e as serras do Cadeado e de Faxinal.
Em Santa Catarina, a aventura prosseguiu por estradas conhecidas tanto pelas paisagens espetaculares quanto pelos desafios que apresentam aos motoristas. Entre elas estavam a Serra do Rio do Rastro, a Serra do Corvo Branco, a Serra Dona Francisca e a Serra da Rocinha.

Entre as inspirações para essa aventura estava a história de Jesse Koz, que percorreu milhares de quilômetros a bordo de seu VW Fusca acompanhado do inseparável golden retriever Shurastey. A trajetória dos dois, interrompida tragicamente em 2022, deixou uma mensagem que Guilherme prefere recordar pelo lado positivo: a importância de aproveitar a vida, conhecer lugares e valorizar as pessoas encontradas pelo caminho
E foi justamente durante essa etapa da viagem que aconteceu algo que Guilherme não havia previsto: a chegada de um novo companheiro.
Quando estava em Florianópolis, Guilherme recebeu uma mensagem de Ramona, uma seguidora de suas aventuras que possui um canil especializado em cães da raça beagle, na cidade de Santa Rosa do Sul, em Santa Catarina.
Ela queria presenteá-lo com um cachorrinho. Guilherme aceitou o convite e decidiu conhecer os animais, aproveitando que Santa Rosa do Sul ficava praticamente em seu caminho, exigindo apenas um pequeno desvio do roteiro. Entre os vários beagles do canil, um deles demonstrou uma afinidade especial com o visitante. Os dois começaram a brincar e logo estabeleceram uma ligação.

O momento decisivo aconteceu quando Guilherme abriu a porta do Fusca. Sem precisar ser chamado ou incentivado, o pequeno beagle entrou espontaneamente no carro, como se já soubesse que aquele seria seu novo lar.
Estava escolhido o novo companheiro de viagem: Snoopy!
A partir daquele encontro, Guilherme deixou de viajar sozinho. Snoopy passou a dividir com ele o espaço limitado do Fusca, as paradas pelo caminho e as experiências de uma aventura que ainda estava longe de terminar.
Para Guilherme, que havia iniciado o projeto buscando também uma maneira de enfrentar suas dificuldades emocionais, a presença do cachorro ganhou um significado especial. Além da companhia, Snoopy trouxe uma nova responsabilidade e uma rotina de cuidados que passaram a fazer parte de seu dia a dia.
Nas palavras do próprio Guilherme: “Somos o mundo um do outro, e o Fusca é nossa casa.”
Aquela pequena casa amarela sobre rodas agora tinha dois moradores.
Rumo ao extremo sul do continente
Com Snoopy a bordo, a aventura ganhou uma nova dinâmica. Guilherme já não precisava pensar apenas em suas próprias necessidades, mas também na alimentação, no conforto e na segurança de seu pequeno companheiro. O espaço dentro do Fusca, que já era limitado, passou a ser compartilhado pelos dois, numa convivência que se tornaria cada vez mais próxima.
Seguindo para o Rio Grande do Sul, Guilherme continuou explorando estradas e paisagens que estavam fora dos caminhos mais diretos para Ushuaia. Entre os locais visitados, destacou-se a Praia do Cassino, conhecida por sua enorme extensão de areia. Segundo seu relato, percorreu aproximadamente 240 quilômetros pela faixa de praia, entre Rio Grande e a região do Chuí, uma experiência bastante incomum para um VW Fusca carregado com os equipamentos de uma longa viagem. Também conheceu a região de São José dos Ausentes, além das serras do Faxinal e do Rabisco.

Esses desvios ajudam a explicar a quilometragem acumulada durante a viagem. Para Guilherme, o objetivo não era simplesmente alcançar o destino final, mas aproveitar o caminho, conhecer novos lugares e viver experiências que uma viagem convencional, com roteiro rígido e prazos definidos, dificilmente proporcionaria.
A etapa internacional começou com a entrada no Uruguai, incluindo uma passagem por Colônia do Sacramento.

Depois, Guilherme seguiu para a Argentina, onde teria pela frente um dos trechos mais desafiadores de toda a aventura: a travessia da Patagônia.

A Ruta Nacional 3, uma das principais rodovias argentinas, seria sua grande companheira nessa etapa. Percorrendo extensas regiões pouco povoadas, a estrada atravessa paisagens que alternam planícies praticamente desertas, vegetação rasteira e longos trechos nos quais a presença humana se torna cada vez mais esparsa.
Ao passar pela cidade de Trelew, na província argentina de Chubut, Guilherme encontrou uma atração bastante curiosa. A cidade, importante centro comercial e industrial da região, abriga o Museu Paleontológico Egidio Feruglio (MEF), reconhecido internacionalmente por suas pesquisas sobre os dinossauros da Patagônia. Na entrada norte da cidade, junto à Ruta Nacional 3, encontra-se uma gigantesca reprodução do Patagotitan mayorum, um dos maiores dinossauros conhecidos, com aproximadamente 40 metros de comprimento. Naturalmente, Guilherme não perdeu a oportunidade de fotografar Bumblebee ao lado desse gigante pré-histórico.

Para quem viaja num VW Fusca de 1974, transformado em uma pequena casa sobre rodas, essas condições exigem atenção especial. As grandes distâncias entre localidades, as baixas temperaturas e os fortes ventos característicos da Patagônia representam desafios muito diferentes daqueles encontrados nas estradas brasileiras.
E não era apenas Bumblebee que precisava enfrentar essas condições. Snoopy também estava conhecendo um ambiente bastante diferente daquele ao qual estava acostumado, acompanhando Guilherme nas paradas e compartilhando com ele a rotina de uma viagem que avançava cada vez mais para o sul.
Segundo Guilherme, somente o percurso entre Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, e o final da Ruta Nacional 3, incluindo os desvios realizados para conhecer diferentes regiões argentinas, somou pouco mais de 5.000 quilômetros.

A estrada, entretanto, ainda reservaria algumas surpresas. E seriam justamente os imprevistos mecânicos, enfrentados em lugares isolados, que colocariam à prova a capacidade de improvisação de Guilherme e a simplicidade construtiva de seu velho companheiro Volkswagen.
Uma pedrinha, um cadarço e três pumas
Viajar pelas extensas e pouco povoadas regiões da Patagônia exige planejamento e uma boa dose de autossuficiência. As distâncias entre localidades podem ser grandes e, quando surge um problema mecânico, nem sempre existe uma oficina por perto. Foi nessas circunstâncias que Guilherme precisou recorrer a duas soluções tão simples quanto inusitadas para continuar sua jornada.
Em determinado trecho da viagem, a aproximadamente 90 quilômetros da localidade argentina de Tres Cerros, o cabo do acelerador de Bumblebee se rompeu. Sem a ligação entre o pedal e o carburador, o motor continuava funcionando, mas Guilherme já não conseguia controlar sua aceleração normalmente.
A solução encontrada foi uma pequena pedra, colocada estrategicamente no mecanismo de acionamento do carburador para manter a borboleta do acelerador parcialmente aberta. Dessa maneira, o motor passou a trabalhar com uma aceleração praticamente constante, permitindo que o Fusca continuasse em movimento.

O improviso funcionou! Guilherme conseguiu percorrer os 90 quilômetros que o separavam de Tres Cerros, onde poderia procurar uma solução definitiva para o problema.
Entretanto, enquanto tentava resolver a situação, percebeu que não estava sozinho naquela paisagem aparentemente deserta. A certa distância, três pumas, aparentemente uma fêmea adulta acompanhada de dois filhotes, estavam nas proximidades. Uma companhia inesperada e nada tranquilizadora para quem precisava resolver um problema mecânico numa estrada isolada da Patagônia.

A presença dos animais acrescentou uma preocupação inesperada ao problema mecânico. Embora não haja indicação de que os pumas tenham tentado se aproximar ou atacar, Guilherme certamente tinha mais um motivo para concluir rapidamente o improviso e seguir viagem.
Felizmente, a pedrinha cumpriu sua função e Guilherme conseguiu seguir viagem, deixando para trás tanto o problema do acelerador quanto os inesperados observadores da fauna patagônica.
Mas esse não seria o único episódio em que um objeto aparentemente sem importância permitiria a Bumblebee continuar rodando.
Em outra ocasião, rompeu-se a correia que transmite o movimento da polia do virabrequim para a polia superior, responsável por acionar a ventoinha de arrefecimento e o gerador de energia elétrica do Fusca.
Num motor Volkswagen arrefecido a ar, essa correia desempenha uma função essencial. Sem ela, a ventoinha deixa de funcionar e o motor pode sofrer superaquecimento em pouco tempo, mesmo que continue funcionando normalmente nos primeiros instantes.
Embora tivesse correias sobressalentes, Guilherme precisava encontrar um local seguro para fazer a substituição. A solução foi retirar o cadarço de seu coturno e utilizá-lo provisoriamente para transmitir o movimento entre as duas polias.
O improviso funcionou: percorreu aproximadamente 40 quilômetros utilizando apenas primeira e segunda marchas, conduzindo o Fusca lentamente e evitando acelerações excessivas para reduzir o risco de o cadarço patinar. Assim, conseguiu chegar a um posto onde instalou a correia de reserva em segurança.

É importante observar que esse tipo de improvisação não garante o acionamento correto da ventoinha nem a refrigeração adequada do motor. Trata-se de um recurso emergencial, que envolve riscos mecânicos consideráveis e não deve ser entendido como uma solução recomendável.
Ainda houve um terceiro contratempo, bem menos dramático: sujeira no carburador, problema que também precisou ser resolvido para que a viagem prosseguisse.
Esses episódios mostram uma característica que sempre acompanhou a história do VW Fusca: sua construção relativamente simples permite compreender o funcionamento de muitos componentes e, em determinadas circunstâncias, encontrar soluções provisórias para problemas que poderiam interromper uma viagem.
Naturalmente, simplicidade mecânica não significa ausência de riscos. Mas, no caso de Guilherme, a combinação de conhecimento prático, criatividade e determinação permitiu superar situações difíceis e continuar avançando rumo ao destino desejado.
Rumo ao fim do mundo
Superados os problemas mecânicos, Guilherme e Snoopy continuaram avançando pela Patagônia, enfrentando as grandes distâncias, os ventos fortes e as temperaturas cada vez mais baixas. Bumblebee, apesar de seus mais de 50 anos de idade, continuava cumprindo sua missão de transportar os dois aventureiros e servir-lhes de moradia.
Para alcançar Ushuaia por terra, é necessário atravessar uma parte do território chileno, cruzando o Estreito de Magalhães e entrando na Ilha Grande da Terra do Fogo. Depois, a estrada retorna ao território argentino, seguindo em direção à cidade mais austral do país.

Foi justamente nessa etapa que Guilherme protagonizou um episódio bastante curioso, que ele próprio contou com muito bom humor.
Um contrabando de ovos!
Na última cidade argentina antes de entrar no Chile, Guilherme ganhou uma caixa de ovos. O presente foi muito bem recebido, pois, segundo ele, era o único alimento que tinha disponível naquele momento.
Havia, entretanto, um problema: as rigorosas normas sanitárias chilenas restringem a entrada de produtos de origem animal, incluindo ovos, sem a devida autorização.
Diante da situação, Guilherme encontrou um esconderijo bastante peculiar para sua preciosa carga: o espaço atrás da capela da ventoinha do motor do Fusca!

Foi ali que acomodou os ovos, atravessando a fronteira com aquilo que ele próprio chamou, entre risadas, de seu pequeno “contrabando de ovos”.
Tudo indica que Guilherme não teria recorrido a essa “manobra” se não fosse pela necessidade do momento. Afinal, caso fosse descoberto pelas autoridades alfandegárias, poderia enfrentar sérias complicações. O episódio fica registrado como uma das situações mais inusitadas vividas pelo viajante.
Passada essa etapa, a viagem prosseguiu pela Terra do Fogo. As paisagens começaram a mudar, com montanhas, lagos e trechos de vegetação que contrastavam com as extensas planícies patagônicas percorridas anteriormente.
A travessia da Cordilheira dos Andes, na região do Paso Garibaldi, representou uma das últimas grandes etapas antes de alcançar o destino tão esperado.


Finalmente, em 16 de abril de 2026, Guilherme King chegou a Ushuaia.
Haviam transcorrido quase cinco meses desde sua partida do Rio de Janeiro, em 20 de novembro de 2025. Nesse período, ele havia percorrido milhares de quilômetros, conhecido lugares e pessoas, enfrentado dificuldades mecânicas e encontrado em Snoopy um companheiro inseparável.
A chegada à cidade conhecida como Fim do Mundo representava muito mais do que a conclusão de um percurso geográfico. Era a realização de um sonho que, pouco tempo antes, parecia distante.

Houve também um momento particularmente simbólico às margens do Canal Beagle. Ali, Guilherme estava acompanhado de Snoopy, seu cão da raça beagle. Para completar a curiosa coincidência, brindou a conquista com uma cerveja patagônica chamada Beagle!
Outro acontecimento marcante foi o convite para deixar seu boné de Ayrton Senna em exposição no Museu Haruwen 3500, na região de Ushuaia.


Guilherme também recebeu um diploma alusivo à sua chegada à região conhecida como porta de entrada para a Antártica.

Aquele que havia partido do Rio de Janeiro buscando novos horizontes estava agora diante de uma das paisagens mais emblemáticas do continente sul-americano.
E Bumblebee, o pequeno VW Fusca amarelo que lhe servia de transporte e casa, havia cumprido mais uma etapa extraordinária de sua longa jornada.
Mas a aventura ainda não estava terminada. Havia todo o caminho de volta, com novas experiências, encontros e desafios pela frente.
A viagem de volta — novas estradas, novos encontros
Alcançar Ushuaia representou a realização de um grande sonho para Guilherme King. Entretanto, havia ainda uma longa estrada pela frente. Bumblebee e Snoopy precisavam retornar ao Brasil, e Guilherme não pretendia transformar essa etapa numa simples corrida para chegar em casa.
A viagem continuou oferecendo oportunidades de conhecer lugares, encontrar pessoas e viver experiências inesperadas. Na Argentina, uma dessas experiências aconteceu em Buenos Aires, onde Guilherme participou de um encontro do Chori Ride, reunindo entusiastas de veículos antigos, entre eles exemplares de marcas americanas como Ford Mustang e Cadillac.

Era mais uma demonstração de como um VW Fusca, mesmo carregado de bagagens e transformado numa pequena casa sobre rodas, podia despertar a curiosidade e a simpatia de pessoas apaixonadas por automóveis.
De volta ao Brasil, Guilherme continuou explorando caminhos que nem sempre eram os mais fáceis. Na região da Serra da Canastra, em Minas Gerais, Bumblebee enfrentou estradas difíceis, exigindo atenção e paciência de seu motorista.

Foi também nessa região que surgiu a necessidade de substituir a embreagem do Fusca. O serviço foi realizado em Piumhi, onde Guilherme encontrou apoio para efetuar o reparo e uma troca de óleo, permitindo que a viagem prosseguisse.
Aliás, a manutenção preventiva sempre fez parte da rotina dessa aventura. Guilherme relata que realiza pessoalmente as trocas de óleo do motor, aproximadamente a cada 4.000 quilômetros, um cuidado importante para um veículo submetido a longos percursos e condições variadas de utilização.
Ao longo do retorno, ficou evidente que a viagem não havia sido apenas uma experiência de resistência mecânica ou de superação de distâncias. Os encontros, as amizades e as situações inesperadas também passaram a fazer parte da história de Guilherme, Snoopy e Bumblebee.
A estrada continua
A chegada a Ushuaia não significou o fim das viagens de Guilherme King. Pelo contrário, a experiência parece ter reforçado sua vontade de continuar conhecendo novos lugares, encontrando pessoas e descobrindo até onde Bumblebee poderá levá-lo.
Depois de retornar da Argentina e percorrer novamente diversas regiões brasileiras, Guilherme encontrava-se em Santa Catarina, preparando sua participação na Expo Motorhome, em Curitiba, onde pretendia apresentar seu Fusca adaptado, com o apoio da Hent Automotivos e da Arpine Black Outs Térmicos.
Mas seus planos vão muito além. Entre os destinos que ainda pretende conhecer estão o Nordeste brasileiro e outros países sul-americanos, como Venezuela, Colômbia, Peru e Bolívia, além do deserto do Atacama, no Chile. Seu objetivo é continuar preenchendo o mapa de suas viagens, sempre acompanhado de Snoopy.
A aventura também trouxe uma dimensão pessoal importante. Quando Guilherme começou a transformar seu Fusca numa pequena casa sobre rodas, procurava uma maneira de enfrentar um período difícil de sua vida, marcado pela depressão refratária. A estrada não representa, por si só, uma solução para essa condição, mas passou a oferecer experiências, encontros e objetivos que ganharam significado especial em sua trajetória.
E há Snoopy. Aquele pequeno beagle que entrou espontaneamente no Fusca, ainda em Santa Catarina, tornou-se parte inseparável dessa história. Hoje, Guilherme já não fala apenas de suas viagens, mas das aventuras que os dois vivem juntos.
Talvez seja justamente essa a maior conquista da expedição: não apenas alcançar o chamado Fim do Mundo, mas descobrir que, depois dele, ainda existem muitos caminhos a percorrer.
E Bumblebee, o valente VW Fusca amarelo de 1974, continuará levando seus dois companheiros para onde a próxima estrada apontar.
AG
Agradeço ao amigo Guilherme King por mais esta participação em minha coluna. Todas as fotos são dele.
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