Nunca estiveram tão em evidência como nos últimos anos os chamados sistemas avançados de auxílio ao motorista, cuja sigla mundial é ADAS, de Advanced Driver Assistance Systems. No entanto, no AE escrevemos Adas partindo do princípio de que siglas de até três letras escrevem-se com maiúsculas; com mais letras, e se forem pronunciáveis, maiúscula só a letra inicial. Isso e muito mais consta do Manual de Redação e Estilo do jornal O Estado de S. Paulo, pelo qual me oriento desde que foi editado em 1990 e que passou a ser a referência no AE tão logo passei a editor-chefe no final de agosto de 2008, dias após sua criação.
Assim, CTB e Contran, por exemplo. A regra se aplica também aos acrônimos, palavras que contêm mais de uma letra para descrever a que se referem. Caso de Anfavea, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores. Se fosse sigla em vez de acrônimo seria ANFVA. O acrônimo facilita tanto a leitura que acaba sendo anexado a razão social de uma empresa ou mesmo substituindo-a.
Caso típico é a Embraer, fundada como Empresa Brasileira de Aeronáutica S.A. em 19 de agosto de 1969, que tinha como nome de fantasia Embraer, e em 16 de setembro de 2010 passou a se chamar Embraer S.A. Ou o Banco Brasileiro de Descontos S.A. que virou Bradesco S.A. — Bradesco era o endereço telegráfico do banco.
Por questão de harmonização com nossa redação, como dito no começo, até siglas e acrônimos em línguas estrangerias acompanham nossa norma editorial. Enquanto no mundo lê-se NASA e NASCAR, no AE é Nasa e Nascar. Há uma razão para isso, e a culpada — pasme — é a internet: ficou convencionado que palavras em maiúsculas equivale a gritar. Alguns leitores que escrevem comentários em maiúsculas devem ficar intrigados ou furiosos ao verem que seu texto foi alterado para minúsculas — exceto, claro, nos inícios de frase.
Fora a questão de parecer que a pessoa está gritando quando escreve tudo em maiúsculas, há outra: é mais fácil ler letras minúsculas do que maiúsculas. Basta observar tudo que é sinalização, como em aeroportos, hospitais e rodovias.
Adas
O sistema Adas opera por meio de sensores, câmeras, radares e lidares instalados no veículo, monitorando constantemente o ambiente ao redor. Esses dispositivos coletam dados em tempo real e processam informações críticas para alertar o motorista. Fica nítido o papel da eletrônica no Adas, praticamente impossível sem ela. As principais informações são:
Afastamento lateral automático (300 mm) de veículos pesados ao ultrapassá-los
Alerta de cansaço do motorista
Alerta de cintos de segurança desatados
Alerta de colisão pela traseira iminente
Alerta de mudança de faixa inintencional (seta não ligada)
Alerta de seres vivos no banco traseiro ao deixar o veículo
Alerta de pedestres, bicicletas e colisão
Alerta de ponto cego
Alerta de tráfego transversal à retaguarda
Assistente de frenagem de emergência
Assistente de partida em subidas
Bolsas infláveis
Câmera de ré
Cintos de segurança com pré-tensionador e limitador
Controle de cruzeiro
Controle de cruzeiro adaptativo
Controle de cruzeiro adaptativo com estratégia para e anda
Controle de descida
Controle de estabilidade
Controle de tração
Correção de ventos laterais (possível com direção eletroassistida)
Duplo-circuito hidráulico dos freios (independe da eletrônica)
Engates Isofix para bancos infantis
Farol alto automático
Frenagem autônoma de emergência
Função antiesmagamento no fechamento de vidros com acionamento elétrico (obrigatório)
Sistema de conservação na faixa
Trava para crianças nas portas traseiras
Pergunta-título
Não pode haver dúvida de que todo auxílio (ao motorista) seja bem-vindo por proporcionar segurança e muitas vezes comodidade que acaba aumentando ainda mais a segurança, caso do farol alto automático. Ainda hoje de manhã estava vendo o site americano Quora, existente desde 2010, de alta interatividade com os leitores. Um deles escreveu que preferia estacionar de ré em vagas perpendiculares à guia da calçada porque, mesmo sendo mais trabalhoso, era mais seguro na hora de sair da vaga em razão do tráfego transversal. Comentei o que ele escreveu (faço muito isso quando tenho tempo) falando sobre o alerta de tráfego transversal à retaguarda, cada mais aplicado nos automóveis, que torna o sair da vaga de ré absolutamente seguro.
Em resposta à pergunta do título, é justamente esse alerta, combinado com a câmera de ré, o auxílio que mais me apraz. E o que menos gosto, para não dizer que detesto? É o controle de cruzeiro adaptativo. É como se eu estivesse no banco da direita conduzido por alguém que dirigisse mal. Isso (andar com quem dirige mal é suplício para mim). Certa vez fui ao interior com um amigo que comprou de papel passado a faixa da esquerda! Um horror!
Cada um tem sua apreciação por determinado ou determinados auxílios à condução, mas que eles são bem-vindos, isso é indiscutível.
BS
A coluna “O editor-chefe fala” é de exclusiva responsabilidade do seu autor.