Expresso ou café filtrado? Mesmo no carro, é difícil abrir mão de um café fresco. Esta era a opinião dos orgulhosos proprietários de veículos nos anos 1950 na Alemanha. Com o aumento nas vendas de automóveis, cresceu também o comércio de acessórios para carros. Um anúncio de 1952 mostra a máquina de café da AutoMix, que podia ser montada no painel do carro. Já naquela época, preparar café diretamente no carro era considerado um luxo absoluto.

A revista Gute Fahrt relatou, numa edição de 1952, o desenvolvimento de uma máquina de café para carros, criada por um engenheiro berlinense. Era uma máquina de expresso capaz de preparar um café fresco em 10 minutos. Essa máquina ficou conhecida entre os motoristas de Fuscas como Paluxette. Custava 68 marcos alemães e tinha um consumo de energia de 80 watts.

Neste artigo da Gute Fahr“, outra máquina de café para carros foi mencionada. Esta custava apenas 49 marcos, mas foi considerada menos prática em comparação à Paluxette. De qualquer forma, a ideia de aproveitar um café durante uma viagem de carro começou a ganhar simpatia.

Embora poucos motoristas de VW Fusca tenham realmente aproveitado a possibilidade de tomar café no carro, nos anos 1950 havia alguns fabricantes de máquinas de café que funcionavam com a tensão de 6 volts do veículo. Uma dessas empresas era a Hertella. A máquina de café da Hertella foi lançada em 1959 e podia ser adquirida como acessório opcional diretamente nas concessionárias Volkswagen.

A máquina da Hertella (vide foto de abertura) não tinha um botão de liga/desliga. Ela era conectada diretamente ao acendedor de cigarros do Fusca. A água era aquecida, passava por um tubo e o vapor chegava ao pó de café em um sistema chamado percolador. O design da máquina, prateado e brilhante, permitia fácil limpeza, já que o percolador podia ser removido. O café pronto era servido diretamente numa xícara de porcelana com base metálica, mantida no lugar por um ímã, garantindo segurança.

O reservatório de água tinha capacidade para três xícaras de café. Essa máquina versátil também podia ser usada para preparar sopas, cozinhar ovos ou aquecer água para lavar-se ou fazer a barba. A Hertella estava disponível em versões de 6 ou 12 volts, com consumo de energia de 40 watts. Assim, nada impedia uma viagem ao trabalho acompanhada pelo aroma de café fresco e um ovo cozido.
Ao longo dos anos 1960, outras máquinas de café para carros foram lançadas. Desenvolvimentos da Paluxette ganharam destaque nesse período. Um modelo, conhecido como Paluxette Auto Espresso ou Paluxette Auto Mokka, parece ser o mesmo dispositivo com embalagens diferentes para mercados de língua inglesa.


O café matinal no carro tornou-se um símbolo de conforto e luxo numa época em que o automóvel era cada vez mais visto como uma extensão do espaço pessoal e do conforto doméstico.
Nos anos 1970, o café no Fusca deixou de ser um tema popular. A ideia só foi retomada em 2012, quando a Fiat lançou a nova versão do Fiat 500, equipada com uma máquina de café Lavazza, que funciona com a tensão de 12 volts do veículo.

Esta matéria é o resultado de uma colaboração com o amigo austríaco Thomas Braun, de Sankt Pölten, Áustria.

Ele estudou arqueologia, pré-história e história antiga em Viena, Áustria, possuindo inclusive o título de doutor. Sua primeira publicação trata de um cemitério tardio romano, seguida por um livro sobre a teoria do gerenciamento sistêmico. Nos últimos anos, ele tem trabalhado na história da marca de carros esportivos Puma do Brasil.
Paralelamente ele está desenvolvendo, há anos, um megaprojeto hoje chamado de “Flat 4ever — A grande enciclopédia de pequenas séries e modelos especiais baseados em Volkswagens e Porsches”; sendo que a sua primeira edição, em um volume, publicada em alemão, tinha o título de “Durchgeboxt”. A última edição deste trabalho tem três volumes e é editada em inglês. Este projeto não está acabado, dependendo do resultado das pesquisas, que continuam em andamento, pode ser acrescentado mais um volume a este trabalho.
Em uma futura matéria vou falar sobre este megaprojeto que, em 2020, ainda em sua versão “Durchgeboxt” recebeu da Society of Automotive Historians, Inc. o “Prêmio de Distinção por um livro de mérito particular em um idioma diferente do inglês” como uma enciclopédia abrangente sobre todos os carros já construídos na plataforma do clássico VW Fusca. Numa cerimônia realizada nos salões do venerável ACF – Automobile Club De France (o mais antigo clube automobilístico do mundo, fundado em 1895).
[NE: O que quer dizer “Durchgeboxt”? No sentido literal quer dizer “encaixotado através de”, mas no caso do título deste livro trata-se de um trocadilho se referindo ao uso extensivo do motor Boxer]
As ilustrações desta matéria foram enviadas pelo Thomas e pertencem a seu acervo.
AG
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