O Dia Mundial das piadas e informações falsas — hoje! — requer atenção quando se trata do nosso dileto companheiro, o automóvel. Algumas situações me vêm à cabeça e as compartilho com você.
Porta-malas com água
Se você não presta serviços para o Corpo de Bombeiros, qual o interesse em saber quantos litros de água carrega seu porta-malas? Pois este foi o método que algumas fabricantes francesas resolveram adotar para esta medição. O método de medição universalmente aceito e confiável é o VDA (foto de abertura), que usa pequenos blocos de 1 litro (200 x 100 x 50 mm) que revelam com bastante fidelidade a capacidade de carregar malas, sacolas, etc. Água entra em qualquer cantinho, não é?
Versão “De entrada”
Existe, mas geralmente é necessário encomendá-lo numa concessionária, pois a prática, que é mundial, mostra que o veículo sem os opcionais de fábrica, “puro”, raramente é solicitado à fabricante.
Potência irreal
Quando se lê informação de potência é essencial que se saiba o que a fabricante está informando exatamente. Já houve casos de omitir informação, o que leva o consumidor a erro. Por exemplo, que determinada potência só é alcançada com gasolina Premium, de maior octanagem ou ela é distorcida por se referir à potência bruta e não à líquida, a verdadeira. Por isso, ao escolher um modelo, o consumidor deve se precaver. Conversar com alguém inteirado do assunto ou ler a respeito nos meios de comunicação confiáveis, como este AE.
Alcance do elétrico
Essa questão é obviamente recente. O alcance (e não autonomia, que é tempo de operação) indica que distância o carro é capaz de percorrer com a energia disponível a bordo, seja no combustível ou na eletricidade armazenada, baseada no consumo dessa energia. Este é determinado por diferentes ciclos de uso padrão que podem resultar em alcances diferentes, já que dificilmente o motorista dirige com o mesmo padrão dos chamados ciclos — sempre um urbano e outro, rodoviário. Na Europa são dois ciclos, o NEDC, que não deve ser considerado por ser altamente otimista e por isso está em desuso, e o WlTP, mais próximo da realidade. Nos EUA há o ciclo EPA e no Brasil, o Inmetro, o mais realista de todos. O ciclo chinês CLTC deve ser considerado com reservas. Mas independente do ciclo adotado pelo fabricante, o consumo de energia elétrica pode variar por inúmeros fatores que o jogam para baixo. Ar-condicionado ligado, topografia muito irregular, temperatura ambiente muito baixa ou elevada e outros.
Couro ecológico?
É ilegal no Brasil mencionar couro que não seja o verdadeiro, produzido a partir da pele animal. Qualquer outra titulação é proibida pela Lei do Couro: nada de couro “sintético”, “ecológico” ou “vegano” para enganar o consumidor. No máximo informar que se trata de “material sintético premium que imita couro”.
Stock Car
A mais disputada corrida de automóveis no Brasil, costuma emocionar mais a plateia do que a Fórmula 1, tão grudados andam os carros em memoráveis pegas com os mais renomados pilotos brasileiros. Mas o logotipo lá na grade dianteira não passa de ilusão: o bólido não tem nada a ver com o carro que roda na rua, nem sequer se trata de uma evolução para as pistas. Não passa de uma simulação, pois todos os competidores aceleram a mesma mecânica: motor, câmbio, suspensão, freios são todos rigorosamente os mesmos e não portam sequer um parafuso do carro que está no showroom da marca. E isso ocorre também nos EUA, em que Nascar é o acrônimo, em inglês, de Associação Nacional de Corridas com Carros de Produção em Série.
40 mil km
Quilometragem mágica para a empurroterapia: amortecedores, cabos de vela (catalisador 80 mil km até pouco tempo, hoje 160 mil km) ,todos dançam no baile da mentira. São componentes que podem ultrapassar os 100 mil km, mas o fabricante desses componentes quer ultrapassar — às suas custas — sua meta de faturamento…
Revisão “grátis”
“Revisão de 28 itens do seu carro”. Grátis, ou por R$ 99,00 em três vezes sem juros. Depois que o motorista é atraído e deixa lá o carro, recebe uma ligação da oficina: “Pois é doutor. Ao desmontar seu automóvel, descobrimos a necessidade de substituir…..” Não que isso seja errado, pois numa revisão criteriosa pode ser constatada necessidade de substituir determinada peça, afinal é justamente para isso que existem as revisões, conforme o próprio manual do proprietário recomenda no plano de manutenção. O consumidor precisa entender isso. Cada caso é um caso.
“Dedo de ouro”
Enquanto abastece o tanque, alguns frentistas sacam verdadeiras pérolas do baú: “ O óleo está muito escuro ou perdeu a viscosidade (com uma gotinha dele entre os dedos), este aditivo (mostrando o vasilhame) do óleo prolonga por um milhão de km a vida do seu motor, este para a gasolina dobra a potência (e a conta…), suas palhetas do limpador de para-brisa já eram, voltou a obrigatoriedade do extintor…” e assim por diante. O melhor a fazer quando for reabastecer é não abrir o capô e recusar peremptoriamente qual quer oferta de produto ou serviço, exceto se num posto conhecido e você tiver absoluta confiança nele.
“TOC”
Algumas oficinas independentes ou de concessionárias caracterizam-se pelo Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), ou Mania de Limpeza. E empurram limpeza de bicos, corpo da borboleta, tanque de combustível, sonda lambda, descarbonização do motor e tudo mais que sua fértil imaginação é capaz de inventar
BF
A coluna “Opinião de Boris Feldman” é de exclusiva responsabilidade do seu autor.
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