Depois de conhecer o sistema semi-híbrido MHEV de 48 V no Commander, chegou a vez de experimentar a tecnologia em uma picape. E talvez o melhor elogio que possa ser feito à Fiat Toro Volcano T270 MHEV 2027 seja justamente este: a eletrificação quase não é percebida por quem está ao volante.

A oportunidade veio em uma viagem de Campinas a Cananeia, no litoral sul de São Paulo. Foram cerca de 700 quilômetros entre ida e volta, além dos deslocamentos locais. No caminho, diferentes tipos de rodovia e pavimento e, na volta, até um trecho pela praia de Ilha Comprida.

A Toro Volcano MHEV utiliza o conhecido motor T270 de quatro cilindros, 1.332 cm³, turbo e injeção direta, que desenvolve potência máxima de 176 cv tanto com gasolina quanto com álcool e 27,5 m·kgf de torque. O câmbio é automático epicíclico de seis marchas e a tração, dianteira. O sistema elétrico de 48 V acrescenta uma potência elétrica de 15,3 cv e 6,5 m·kgf.
Motor T270 recebe o sistema MHEV que se tratae de um gerador-motor montado na posição originalmente utilizada pelo alternador; destaque para o ângulo de abraçamento da correia poli-V de praticamente 270 graus
Não vou repetir aqui toda a explicação sobre o funcionamento do MHEV, já apresentada nas avaliações do Commander e do Fastback. Na Toro, interessa mais saber o que acontece quando se coloca essa tecnologia para trabalhar em uma viagem longa.

E a resposta é simples: praticamente nada muda para o motorista.
As transições entre os diferentes estados de funcionamento são muito suaves. Não há sensação de um sistema adicional entrando ou saindo de operação, nem alteração perceptível na resposta do acelerador. A eletrificação está trabalhando, mas permanece em segundo plano, exatamente como deve ser. E mesmo ao acionar o modo Sport não se percebem alterações.

Na estrada, consumo não é a questão
Para a viagem de ida, recebi a Toro abastecida com gasolina e obtive média de 13,5 km/l, em um percurso predominantemente rodoviário. No retorno, abasteci com álcool, mas havia ainda gasolina no tanque, tornando a média pouco representativa.
Por isso, não considero correto tirar qualquer conclusão sobre o ganho de consumo do MHEV a partir dessa viagem. O ciclo rodoviário homologado junto ao Inmetro aponta 10,7 km/l com gasolina e 7,6 km/l com álcool, mas a utilização real foi bastante diferente das condições de homologação.

Conforto para viajar e para sair do asfalto
Com 4.954 mm de comprimento, 2.982 mm de entre-eixos e 1.722 kg em ordem de marcha, a Toro não é uma picape pequena. Mesmo assim, sua suspensão traseira independente multibraço, associada à dianteira McPherson, proporciona um rodar particularmente confortável.
Registro da configuração da suspensão traseira em multibraço e escapamento com duplo abafador e dupla saída sob o para-choque traseiro
Isso ficou evidente nos diferentes pisos encontrados durante a viagem. Asfalto irregular, blocos de concreto nas cidades do litoral e vias esburacadas foram absorvidos com competência. Os bancos dianteiros também merecem elogio pelo conforto, especialmente em uma jornada de várias horas ao volante.
Bancos dianteiros são bem confortáveis e possuem ajustes elétricos para o motorista
Na volta, atravessei de balsa para Ilha Comprida e decidi seguir pela praia até o norte da ilha. A maré estava baixa e a Toro, mesmo sem tração 4×4, transmitia uma boa sensação de segurança para trafegar sobre a areia compactada da praia.

O sistema Traction Control+ é uma ajuda importante nesse tipo de situação, enquanto os 223 mm de altura mínima do solo com o veículo vazio oferecem uma margem de segurança para enfrentar irregularidades e pequenos riachos.
Não se trata de transformar uma picape de tração dianteira em um veículo fora de estrada. Mas a experiência mostrou que a Toro pode lidar com muito mais do que o asfalto urbano.

No fim, a viagem serviu para confirmar algo que já havia percebido nos outros Fiat com sistema semi-híbrido MHEV: uma boa eletrificação é aquela que trabalha sem exigir atenção do motorista.

Na Toro, o sistema de 48 V não mudou a maneira de dirigir a picape. E, depois de mais de 700 quilômetros, isso acabou sendo justamente o aspecto mais interessante. Continua sendo uma picape confortável e versátil. Agora, simplesmente, tem uma ajuda elétrica que o motorista quase não percebe, mas traz vantagens no consumo urbano, tem descontos no IPVA em alguns estados e é isento de rodízio municipal em São Paulo.
GB
Ficha técnica e lista de equipamentos de série após a galeria de fotos
Ficha técnica Fiat Toro Volcano T-270 MHEV
Motor
| Posição | Transversal dianteiro |
| Cilindros | 4 em linha |
| Diâmetro x curso | 70 x 86,5 mm |
| Cilindrada | 1.332 cm³ |
| Taxa de compressão | 10,5:1 |
| Potência | 176 cv a 5.750 rpm (G/A) |
| Torque | 27,5 m·kgf a 2.000 rpm (G/A) |
| Válvulas por cilindro | 4 |
| Comando de válvulas | 1 no cabeçote |
| Injeção | Direta na câmara de combustão |
Gerador-Motor elétrico
| Posição | Junto ao motor a combustão acionamento por correia poli-V |
| Tensão | 48 V |
| Potência e torque | 15,3 cv e 6,5 m·kgf |
Sistema elétrico
| Tensão | 48 V | ||
| Bateria principal | Chumbo-ácido, 12 V, 72 A·h | ||
| Bateria auxiliar | Íons de lítio, 48 V, 19,5 A·h | ||
| Conversor | 48-12 V DC/DC |
Transmissão
| Câmbio | Automático epicíclico, 6 marchas à frente e uma à ré |
| Relações | 1ª – 4,459, 2ª – 2,508, 3ª – 1,556, 4ª – 1,142, 5ª – 0,852, 6ª – 0,672, ré – 3,185 |
| Diferencial | 4,067 |
| Tração | Dianteira |
Suspensão
| Dianteira | Independente McPherson, braço de controle de triangular, mola helicoidal, barra antirrolagem e amortecedor pressurizado |
| Traseira | Independente multibraço, mola helicoidal, batentes de Celasto como mola auxiliar, barra antirrolagem e amortecedor pressurizado |
Direção
| Tipo | Pinhão e cremalheira com assistência elétrica |
| Diâmetro mínimo de curva | 12,2 m |
Freios
| Dianteiros | Discos ventilados, pinças flutuantes, Ø 305 x 28 mm |
| Traseiros | Discos ventilados, Ø 320 x 22 mm |
Rodas e pneus
| Rodas | Liga de alumínio, 6,5J x 18 |
| Pneus | 225/60 R18 |
Pesos e capacidades
| Peso em ordem de marcha | 1.722 kg |
| Capacidade de carga | 670 kg |
| Tanque de combustível | 55 litros |
Dimensões
| Comprimento | 4.954 mm |
| Largura da carroceria | 1.849 mm |
| Altura | 1.688 mm |
| Distância entre eixos | 2.982 mm |
| Altura mínima do solo | 223 mm vazio / 198 mm carregado |
| Ângulo de entrada | 25,0° |
| Ângulo de saída | 29,0° |
| Comprimento máximo da caçamba | 1.334 mm |
| Largura máxima da caçamba | 1.360 mm |
| Altura máxima da caçamba | 571 mm |
| Volume útil da caçamba | 937 litros |
Desempenho
| 0–100 km/h | 10,0 s (G/A) |
| Velocidade máxima | 197 km/h |
Consumo
| Cidade | 10,5 km/l (G) / 7,3 km/l (A) |
| Estrada | 10,7 km/l (G) / 7,6 km/l (A) |
Preço
| Volcano T270 MHEV AT6 | R$ 197.490 |
Fonte: Fiat
Principais equipamentos de série
• Abertura elétrica da tampa traseira dupla
• Adas: frenagem autônoma de emergência e alerta de mudança de faixa com assistente de permanência
• Ar-condicionado digital de duas zonas
• Bancos revestidos de couro
• Câmera de ré
• Carregador de celular por indução
• Central multimídia de 10,1″ com conectividade sem fio
• Cluster digital de 7″
• Controle de velocidade de cruzeiro
• Direção eletroassistida
• Espelho interno eletrocrômico
• Freio de estacionamento eletromecânico com Auto-Hold
• Freios ABS com EBD
• Freios a disco nas quatro rodas
• Fiat Connect////Me
• Faróis Full LED
• Faróis de neblina de LED
• Função Sport
• Luzes de ambiente de LED
• Luzes de curva
• Motor T270 Flex MHEV 48 V
• Rodas de liga de alumínio de 18″
• Sensores de chuva e crepuscular
• Sensor de estacionamento traseiro
• Suspensão traseira multiraço
• TC+ com bloqueio eletrônico
• Entrada e partida sem chave
Fonte: Fiat.

